Rodrigo Balassiano, da ID CTVM, analisa o protagonismo da due diligence de cedentes na gestão de risco de FIDCs
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 4 de setembro de 2026
Com o aumento no número de empresas que utilizam a cessão de recebíveis como fonte de financiamento, administradores fiduciários intensificam os critérios de avaliação da qualidade dos cedentes antes da entrada de novos ativos em carteiras de fundos estruturados
À medida que o mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) amplia sua base de originadores, cresce também a complexidade do trabalho realizado antes que qualquer recebível seja efetivamente incorporado à carteira de um fundo. Antes de aceitar a cessão de duplicatas, contratos ou outros direitos creditórios, administradores fiduciários e gestores avaliam a saúde financeira, o histórico operacional e a capacidade de geração de receita recorrente das empresas cedentes, processo conhecido no mercado como due diligence de originadores.
Esse trabalho ganhou peso à medida que a indústria de crédito estruturado diversificou os setores atendidos por FIDCs, hoje voltados também a companhias de agronegócio, saúde, educação, tecnologia, infraestrutura e franquias, cada uma com características próprias de geração de recebíveis e de risco de crédito. Um recebível de mensalidade escolar, por exemplo, tem dinâmica de inadimplência distinta de uma duplicata comercial ligada à venda de insumos agrícolas, o que exige metodologias de análise específicas para cada segmento.
Qualidade da originação sustenta a governança de longo prazo do fundo
A avaliação de um cedente não se limita à checagem de sua situação cadastral e financeira no momento da entrada no fundo. Administradores fiduciários acompanham de forma contínua indicadores como concentração de receita por cliente, sazonalidade do faturamento e consistência entre o volume de recebíveis efetivamente cedidos e a capacidade operacional declarada pela empresa, de modo a identificar precocemente qualquer descolamento entre o desempenho informado e o observado na prática.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, esse acompanhamento contínuo é o que diferencia uma estrutura de crédito privado bem administrada de uma carteira sujeita a surpresas na qualidade dos ativos.
“A entrada de um cedente em um FIDC não deveria ser tratada como um evento isolado, mas como o início de um relacionamento de monitoramento permanente. A qualidade da originação de hoje não garante a qualidade da carteira daqui a um ano, por isso mantemos processos de reavaliação periódica que acompanham a evolução de cada cedente ao longo de todo o prazo do fundo”, explica o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados de diferentes perfis, o que inclui a validação dos critérios de elegibilidade definidos no regulamento de cada FIDC antes da aquisição de qualquer direito creditório, além do acompanhamento periódico dos indicadores financeiros e operacionais dos cedentes já incorporados à carteira.
Diversificação setorial exige critérios de análise específicos
A entrada de novos setores no universo do crédito estruturado tornou a etapa de qualificação de cedentes mais especializada. Um fundo voltado a financiar exportadoras, por exemplo, precisa avaliar riscos ligados à variação cambial e aos prazos internacionais de recebimento, enquanto uma estrutura dedicada a redes de franquias analisa a saúde financeira tanto da franqueadora quanto de suas unidades franqueadas, dado que ambas podem influenciar a geração de recebíveis que lastreiam o fundo.
Essa especialização também se reflete na forma como administradores fiduciários organizam suas equipes técnicas, cada vez mais estruturadas por segmento de atuação, de modo a acompanhar as particularidades regulatórias e operacionais de cada setor financiado por meio de FIDCs, Notas Comerciais e outras estruturas de crédito privado.
Monitoramento contínuo reduz risco de concentração excessiva
Além da análise individual de cada cedente, a governança de um FIDC depende do acompanhamento agregado da carteira, de forma a evitar que a dependência de poucos originadores comprometa a diversificação do fundo. Esse monitoramento envolve o cruzamento entre limites de concentração definidos no regulamento do fundo e a posição real da carteira a cada nova cessão de recebíveis, rotina que ganha complexidade à medida que o volume de operações cresce.
A tecnologia tem papel central nesse processo. Sistemas de controladoria integrados aos módulos de análise de cedentes permitem identificar rapidamente qualquer sinal de concentração excessiva ou de deterioração na qualidade da carteira, antes que esses fatores se traduzam em impacto relevante sobre a rentabilidade do fundo ou sobre a confiança de cotistas.
Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) para administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria, a ID CTVM administra atualmente mais de 550 fundos ativos, número que ilustra a escala com que esses processos de qualificação e monitoramento de cedentes precisam operar sem perder rigor técnico. Quanto maior o número de estruturas sob administração, maior também a exigência por padronização de critérios, de forma que a análise de um cedente siga o mesmo rigor independentemente do porte ou do setor do fundo ao qual está vinculado.
Perspectivas para a governança de originadores no crédito estruturado
Com a indústria de FIDCs se aproximando de novos patamares de patrimônio sob gestão e ampliando sua base de investidores pessoa física, a qualidade da análise de cedentes tende a se consolidar como um dos principais diferenciais entre administradores fiduciários. Mais do que velocidade na incorporação de novos ativos, o mercado passa a valorizar processos de due diligence capazes de sustentar, ao longo de todo o ciclo de vida de um fundo, a integridade da carteira que lastreia os recursos de milhares de investidores. Para gestoras, cedentes e cotistas, essa mudança de perspectiva reforça a tendência de que a escolha de um administrador fiduciário passe a considerar, cada vez mais, a robustez de seus critérios de qualificação de originadores como um dos principais indicadores de solidez de uma estrutura de crédito privado
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
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