Recebíveis de administradoras de consórcio ganham espaço em carteiras de FIDCs, avalia ID CTVM
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 19 de agosto de 2026
Taxas de administração recorrentes pagas por participantes de grupos de consórcio se tornaram fonte adicional de diversificação para fundos de direitos creditórios voltados ao crédito para o consumo
O sistema de consórcio, modalidade de compra programada amplamente utilizada por consumidores brasileiros para aquisição de veículos, imóveis e outros bens de maior valor, tem se tornado uma fonte adicional de diversificação para carteiras de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. Administradoras de consórcio geram fluxos recorrentes e relativamente previsíveis de receita, provenientes das taxas de administração pagas mensalmente por cada participante de um grupo de consórcio ao longo de todo o período do plano, receita que pode ser antecipada por meio da cessão desses direitos a um fundo estruturado, tema que a ID CTVM acompanha de perto em sua atuação como administradora fiduciária de carteiras diversificadas de crédito privado.
Pulverização entre participantes reduz risco de concentração
Assim como ocorre em outras classes de recebíveis pulverizados, uma carteira composta por taxas de administração de consórcio se beneficia da distribuição do risco entre um número elevado de participantes individuais, cada um responsável por um valor relativamente pequeno dentro do fluxo total esperado pela administradora. Essa pulverização natural reduz o impacto de eventuais desistências ou inadimplências pontuais sobre o desempenho agregado da carteira, ainda que exija dos administradores fiduciários e consultores especializados capacidade de acompanhar de perto as regras específicas que regem a permanência e a saída de participantes de um grupo de consórcio.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o setor de consórcio possui características operacionais que exigem conhecimento técnico específico por parte de quem estrutura esse tipo de carteira.
“Consórcio tem uma dinâmica própria, com regras específicas sobre desistência, substituição de participantes e formação de grupo, que precisam ser bem compreendidas para modelar corretamente o fluxo esperado de receita de administração ao longo do tempo”, avalia o executivo.
Diversificação setorial fortalece o perfil da carteira
Combinar recebíveis de administradoras de consórcio com outras classes de ativos, como recebíveis comerciais, duplicatas ou contratos de mensalidade de diferentes setores da economia, tende a fortalecer o perfil de risco agregado de um fundo multissetorial, na medida em que a dinâmica de risco do setor de consórcio, ligada principalmente ao comportamento de adesão e permanência de participantes, tem baixa correlação com riscos típicos de outros setores da economia real. Essa característica torna a classe uma opção interessante para gestoras que buscam ampliar a diversificação de suas carteiras estruturadas.
A ID CTVM é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para exercer administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria de fundos estruturados, funções que incluem o acompanhamento de carteiras compostas por recebíveis de administradoras de consórcio. A companhia soma mais de R$53,48 bilhões em ativos sob administração e custódia, distribuídos entre diferentes segmentos da economia real, incluindo estruturas ligadas ao crédito para o consumo.
Regulação específica do setor exige acompanhamento constante
Para Balassiano, a regulação específica que rege as administradoras de consórcio no Brasil exige acompanhamento constante por parte de quem estrutura operações de crédito lastreadas nesse tipo de receita.
“É um setor regulado com regras próprias sobre formação de grupo, taxa de administração e direitos do consorciado. Um fundo que atua nesse segmento precisa estar sempre atualizado sobre eventuais mudanças normativas que possam afetar o fluxo de receita projetado”, pondera o diretor da ID CTVM.
Análise de grupo antecede a incorporação à carteira
Antes de incorporar recebíveis de uma administradora de consórcio a uma carteira estruturada, gestoras e consultores especializados costumam analisar indicadores específicos de cada grupo de consórcio administrado, como taxa histórica de desistência, prazo médio de contemplação e concentração geográfica dos participantes, informações que ajudam a estimar com mais precisão o fluxo de receita esperado ao longo da vida útil de cada grupo. Esse tipo de análise granular, grupo a grupo, distingue a avaliação de risco desse segmento da análise mais agregada aplicada a outras classes de recebíveis pulverizados, exigindo maior proximidade entre o consultor especializado e a administradora originadora dos créditos.
Classe deve seguir como opção de diversificação
A expectativa entre especialistas é que os recebíveis de administradoras de consórcio continuem sendo utilizados como opção de diversificação em carteiras de FIDCs multissetoriais nos próximos anos, aproveitando a baixa correlação desse tipo de ativo com outras fontes de risco de crédito mais tradicionais. Para administradores fiduciários, a capacidade de compreender as particularidades regulatórias do setor de consórcio deve seguir como um diferencial relevante na estruturação desse tipo de carteira.
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