Profissionalização redefine a governança do mercado funerário brasileiro, expõe o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 24 de junho de 2026
Setor historicamente dominado por empresas familiares passa por movimento de consolidação, com adoção crescente de práticas de governança, indicadores de gestão e modelos de negócio mais sofisticados.
O mercado funerário brasileiro, avaliado em cerca de R$ 13 bilhões por ano, segundo levantamento da Zurik Advisors para o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), atravessa um momento de transição estrutural. De um modelo predominantemente familiar e fragmentado, o setor começa a incorporar práticas de gestão mais sofisticadas, em um movimento que lembra processos de profissionalização já vividos por outros segmentos de serviços essenciais no país.
Um setor fragmentado em transição
Com mais de 11 mil empresas distribuídas entre funerárias, cemitérios, crematórios e administradoras de planos, o mercado funerário brasileiro ainda é marcado por forte fragmentação regional e predominância de negócios familiares, muitas vezes geridos por múltiplas gerações da mesma família. Essa estrutura, comum em mercados ainda não consolidados, começa a mudar conforme cresce a pressão por eficiência operacional e previsibilidade financeira.
Esse processo de transição costuma seguir um padrão semelhante ao de outros setores em fase de maturação. À medida que a demanda cresce e a competição se intensifica, empresas que antes operavam de forma intuitiva passam a adotar processos formais de gestão, planejamento financeiro e governança corporativa. Segundo Tiago Oliva Schietti, negócios do setor cemiterial e funerário, ilustram esse tipo de transição, em que práticas antes restritas a grandes corporações passam a integrar a rotina de empresas de menor porte.
A governança como resposta à complexidade crescente
A expansão de modelos de receita recorrente, como planos de assistência familiar e produtos de pré-pagamento, trouxe ao setor uma complexidade financeira que exige estruturas de governança mais robustas. Empresas que antes lidavam apenas com receita pontual, vinculada ao momento do óbito, agora precisam administrar carteiras de clientes, obrigações de longo prazo e fluxos de caixa mais complexos.
Esse novo cenário financeiro aproxima o setor funerário de práticas já consolidadas em segmentos como seguros e saúde suplementar, nos quais a governança corporativa é elemento central de sustentabilidade do negócio. A adoção dessas práticas não é apenas uma questão de boas práticas de mercado, mas uma condição para que as empresas consigam honrar compromissos assumidos com famílias que contratam planos com anos ou décadas de antecedência. Empresas como a administrada por Tiago Oliva Schietti, do setor cemiterial e funerário, refletem esse movimento de adaptação a um modelo financeiro mais complexo e de maior horizonte de planejamento.
Indicadores de desempenho ganham espaço
A profissionalização também se manifesta na adoção crescente de indicadores de desempenho operacional e financeiro, antes praticamente inexistentes em boa parte das empresas do setor. Métricas como taxa de ocupação de jazigos, tempo médio de atendimento, índice de conversão de planos e custo operacional por sepultamento começam a integrar a rotina de gestão de empresas que buscam crescer de forma sustentável.
Conforme indica Tiago Oliva Schietti, esse movimento reflete uma mudança cultural mais ampla. Decisões antes tomadas com base em experiência e intuição passam a ser orientadas por dados, em um processo de maturação que tende a se intensificar conforme o setor atrai mais atenção de investidores e consolidadores.
Sucessão familiar e profissionalização da gestão
Outro desafio relevante para empresas familiares do setor é o processo de sucessão. Com a chegada de novas gerações à gestão dos negócios, muitas empresas enfrentam a necessidade de formalizar processos que antes dependiam exclusivamente do conhecimento informal acumulado pelos fundadores. Negócios do setor cemiterial e funerário exemplificam esse tipo de movimento, em que a entrada de novas gerações coincide com a estruturação de processos antes pouco documentados.
Essa transição de gestão, comum em negócios familiares de diferentes setores, ganha urgência particular no segmento funerário diante do crescimento estrutural da demanda, que exige capacidade de planejamento e execução em escala, algo mais difícil de sustentar em modelos de gestão pouco formalizados.
Consolidação como horizonte provável
A combinação entre crescimento de demanda, necessidade de capital para expansão e complexidade financeira crescente sugere que o setor funerário brasileiro deve passar, nos próximos anos, por um processo de consolidação, com fusões, aquisições e entrada de capital institucional, movimento já observado em estágios mais avançados em mercados como o americano.
Tiago Oliva Schietti aponta que, para empresas que se anteciparem a essa transição, adotando práticas de governança e gestão profissionalizada desde já, o cenário se desenha como uma oportunidade de protagonismo em um mercado que segue crescendo de forma estrutural, sustentado por uma curva demográfica que não dá sinais de reversão no horizonte previsível.
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