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Os bastidores técnicos de uma grande obra de saneamento, revelados pelo engenheiro Márcio André Savi
Por SAFTEC DIGITAL

Os bastidores técnicos de uma grande obra de saneamento, revelados pelo engenheiro Márcio André Savi

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de junho de 2026

Do estudo de viabilidade à operação, o processo que transforma um projeto de infraestrutura em realidade é mais complexo, mais longo e mais decisivo do que qualquer inauguração sugere.

Toda grande obra de infraestrutura começa muito antes da primeira escavação. Começa em pranchetas, em laudos geotécnicos, em reuniões com órgãos ambientais, em modelos hidráulicos e em estudos de viabilidade que levam meses para ser concluídos. O que o público vê, quando a máquina finalmente entra em campo, é a parte mais visível de um processo que já consome recursos, decisões e riscos técnicos há muito tempo.

Márcio André Savi, engenheiro com experiência em obras de saneamento básico e sistemas de abastecimento hídrico, acompanhou esse processo em diferentes escalas e contextos. Para ele, compreender o que acontece antes e depois da escavação é essencial para entender por que tantos projetos atrasam, encarecem ou entregam menos do que prometem. E também por que os que funcionam são resultado de decisões tomadas muito antes de qualquer notícia de licitação.

Da concepção ao projeto executivo: onde tudo se define

A primeira fase de qualquer obra de infraestrutura sanitária é a concepção do sistema. Nessa etapa, engenheiros definem a lógica do projeto: qual a demanda a ser atendida, qual a topografia da área, quais são as fontes de água disponíveis, qual a capacidade de tratamento necessária e qual o traçado mais eficiente para as redes de adução e distribuição. Decisões tomadas aqui afetam o custo, a eficiência e a durabilidade da obra por décadas.

Erros de concepção são os mais caros de corrigir, como bem sabe Márcio André Savi. Uma adutora subdimensionada, um sistema de tratamento projetado para uma demanda que não reflete o crescimento real da região ou um traçado que ignora interferências com outras redes enterradas são problemas que só aparecem depois que o concreto secou. E que custam muito mais para resolver do que teriam custado para evitar.

Licenciamento ambiental: o filtro que pode parar tudo

Entre o projeto e a obra, há um processo que frequentemente define o cronograma real de qualquer grande intervenção de infraestrutura: o licenciamento ambiental. Obras de saneamento que afetam corpos d’água, áreas de proteção permanente ou zonas de recarga de aquífero precisam de estudos de impacto ambiental detalhados, consultas públicas e aprovação de órgãos estaduais e federais antes que qualquer máquina entre em campo.

O licenciamento não é um obstáculo burocrático, mas um processo técnico legítimo que protege recursos ambientais de alto valor. Savi aponta, no entanto, que a maioria dos projetos chega a essa fase com documentação incompleta ou com estudos que não antecipam os questionamentos dos órgãos ambientais. O resultado são rodadas de complementação que atrasam meses ou anos o início das obras e encarecem o projeto como um todo, prejudicando contratos, investidores e, sobretudo, as populações que aguardam o serviço.

Execução: onde o planejamento encontra a realidade

A fase de execução é onde o projeto sai do papel e encontra o terreno real, com toda a sua imprevisibilidade. Solos com comportamento diferente do previsto nos estudos geotécnicos, interferências com redes de energia e telecomunicações não mapeadas, condições climáticas adversas: são variáveis que qualquer obra de grande porte precisa absorver sem perder o controle de prazo e custo.

É nessa fase, segundo Márcio André Savi, que a experiência da equipe de engenharia faz mais diferença. O controle rigoroso de cronograma, a gestão de subcontratados, o monitoramento geotécnico em tempo real e a capacidade de tomar decisões técnicas rápidas diante de imprevistos separam projetos que entregam o que prometem dos que se perdem em aditivos contratuais intermináveis. Improviso, nesse contexto, tem custo alto e consequências que se arrastam até o encerramento do contrato.

Operação: a fase que decide se a obra valeu a pena

Uma obra de saneamento não termina na inauguração. Termina quando o sistema opera de forma eficiente, sustentável e dentro dos parâmetros técnicos previstos em projeto. Estações de tratamento funcionando abaixo da capacidade, redes que acumulam entupimentos por falta de manutenção e sistemas de bombeamento que quebram com frequência por ausência de plano preventivo são sinais de que o projeto não foi concluído. Apenas iniciado.

Projetos de infraestrutura sanitária precisam ser concebidos, desde o início, com um modelo operacional claro, equipe capacitada e recursos garantidos para manutenção de longo prazo. Como pontua Márcio André Savi, a operação é a fase que decide se o investimento realizado na obra vai se traduzir em benefício real para a população atendida. Sem ela bem estruturada, a obra existe. Mas o saneamento, não.

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