Márcio Velho da Silva detalha tendências que impulsionam a modernização do saneamento
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 6 de outubro de 2026
Metas de universalização até 2033 aceleram concessões e cobram das operadoras eficiência baseada em dados, controle de perdas e disciplina de capital.
Com a entrada de capital privado no setor, Márcio Velho da Silva, gestor e consultor técnico, chama atenção para uma conta que antes ficava diluída em balanços públicos e ganhou peso decisivo: a água tratada que se perde antes do hidrômetro não gera receita, mas consome captação, tratamento e energia de bombeamento do mesmo jeito. É a partir desse ponto que ele situa a modernização do saneamento, destacando que a expansão da rede sem o devido controle operacional pode resultar em perdas ainda mais expressivas.
O cenário regulatório é o pano de fundo. A Lei 14.026/2020 estabeleceu metas para 2033, incluindo a universalização do acesso à água potável e a implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgoto para 90% da população. Os contratos passaram a incluir tais metas. A comprovação de capacidade financeira dos prestadores, regulamentada pelo Decreto 10.710/2021, tornou-se um critério para a continuidade das operações. Quem não comprova capacidade perde espaço para novos arranjos.
Controle de perdas passa a definir a margem das operadoras
As perdas podem ser divididas em dois grupos. Os vazamentos em adutoras, redes e ramais são casos de vazamentos reais. As aparentes irregularidades são causadas por hidrômetros imprecisos, fraudes e falhas de cadastro, resultando em água consumida sem o devido faturamento. A distinção é relevante, pois cada grupo possui necessidades específicas e prazos de retorno distintos.
Em sua explicação, o consultor Márcio Velho da Silva associa o ganho mais rápido à setorização da rede. A divisão do sistema em distritos de medição e controle permite a comparação do volume que entra com o que é faturado em cada área. Vazamentos passam a ser localizados por setor, e a mesma lógica vale para ligações irregulares e medidores parados.
Além disso, o pacote inclui gestão de pressão, telemetria em reservatórios e substituição planejada de hidrômetros. Trata-se de intervenções com retorno mensurável em prazo curto, o que facilita a aprovação do investimento por acionistas e reguladores. Em sistemas sujeitos a pressão elevada, a redução noturna diminui a frequência de rompimentos e prolonga a vida útil da tubulação.
Indicadores de desempenho entram no preço do capital
O aumento da presença de operadores privados e de fundos de infraestrutura se deve a parcerias público-privadas. Para esse investidor, a modernização do saneamento se mede pela qualidade da informação operacional e pela tarifa. Indicadores de cobertura, perdas e qualidade do efluente sustentam revisões tarifárias. Bancos e agências acompanham esses indicadores antes de precificar dívida de longo prazo.
Visando reduzir as disparidades entre as agências reguladoras locais, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico passou a editar normas de referência. A adesão a tais normas é condição para o acesso a recursos federais, o que amplia o incentivo ao alinhamento. A padronização, de seu modo, só produz efeito quando a operadora dispõe de dados confiáveis para reportar. Na ausência de um cadastro técnico atualizado, o indicador se torna uma estimativa, e tal estimativa não resiste à fiscalização.
A regionalização prevista no marco legal adiciona outra camada: os sistemas comerciais e operacionais dos municípios de menor porte precisam ser unificados para os contratos regionais. Em geral, tal integração é percebida como um custo significativo logo após a assinatura do contrato, antes mesmo do início das obras de expansão. A existência de discrepâncias de tarifa entre municípios que pertencem ao mesmo bloco exige uma transição que deve ser negociada com o regulador.
Gestão de ativos orienta o investimento em infraestrutura
Parte da rede brasileira foi instalada há décadas e segue sem inventário. A gestão de ativos organiza esse passivo, registrando idade, material e histórico de falhas. Dessa forma, a decisão entre reparar e substituir deixa de ser reativa. Na ausência de tal registro, trechos frágeis somente são notados após o rompimento, ocasião em que o custo inclui reparo emergencial e desabastecimento.
Ao longo da próxima fase da modernização do saneamento, Márcio Velho da Silva projeta que as decisões serão tomadas nesse nível. A modelagem hidráulica, os sensores de vazão e pressão, bem como a integração entre sistemas de campo e escritório, permitem priorizar obras pelo risco. A urgência não define o cronograma. Esse critério também documenta a escolha técnica, o que sustenta pedidos de reequilíbrio.
A energia elétrica figura entre os maiores custos de operação do setor. O uso de bombas adequadamente dimensionadas, a automação de estações elevatórias e a contratação de serviços no mercado livre são medidas que contribuem para a redução do peso, sem a necessidade de expansão da rede. Nesse caso, o gargalo é menos tecnológico e mais relacionado à capacidade da equipe de operar e interpretar os sistemas.
A meta estipulada para 2033 mantém o foco do mercado na expansão física, porém a sustentação dos contratos depende da operação. A tendência, descrita por Márcio Velho da Silva, abrange três frentes simultâneas: perda sob controle, informação auditável e investimento priorizado por risco. Operadoras que avançarem nessas frentes terão acesso mais barato a capital e margem para cumprir as metas sem pressionar a tarifa.
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