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Game design chega às empresas, e Murilo Moura Alencar diferencia engajamento de distração
Por SAFTEC DIGITAL

Game design chega às empresas, e Murilo Moura Alencar diferencia engajamento de distração

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de setembro de 2026

A aplicação de mecânicas de jogos em treinamentos, produtos digitais e rotinas de trabalho amadureceu, e os resultados dependem menos de recompensas visíveis e mais de como a experiência é desenhada.

O interesse crescente por mecânicas de games fora do entretenimento encontra em Murilo Moura Alencar, Tech, People & Game Strategist, uma leitura que separa modismo de estratégia. Aplicativos de educação, plataformas de treinamento corporativo, programas de fidelidade e ferramentas de gestão passaram a incorporar elementos típicos dos jogos, como fases, metas e placares. A promessa é sedutora, porque parece oferecer um atalho para o engajamento de clientes e colaboradores em um ambiente saturado de estímulos. Não obstante, o game design é uma disciplina com fundamentos próprios, e transportá-lo para outros contextos exige muito mais do que um verniz lúdico aplicado sobre processos antigos.

Da onda da gamificação à maturidade do conceito

O termo gamificação ganhou popularidade no início da década de 2010, quando empresas de diferentes setores passaram a enxergar em pontos, medalhas e rankings uma forma rápida de estimular comportamentos. A euforia inicial esbarrou rapidamente em resultados irregulares. Em 2012, a consultoria Gartner projetou que, até 2014, cerca de 80% das aplicações gamificadas então existentes não atingiriam seus objetivos de negócio, sobretudo por falhas de design. A previsão ajudou a mostrar que copiar a superfície dos jogos não bastava para reproduzir o efeito que eles provocam em quem joga.

Tendo em vista esse histórico, o conceito passou por uma revisão silenciosa nos anos seguintes. Empresas que insistiram no caminho aprenderam a olhar menos para o placar e mais para a jornada do usuário. No panorama traçado por Murilo Moura Alencar, a maturidade chegou quando o foco se deslocou das recompensas para a qualidade da experiência, algo que qualquer game developer reconhece como o núcleo do próprio ofício. Plataformas de ensino de idiomas tornaram-se referência justamente ao combinar metas curtas, retorno imediato e progressão clara.

Por que pontos e medalhas não bastam?

Pontos, medalhas e rankings, enfatiza Murilo Moura Alencar, são apenas a camada visível de um sistema muito mais complexo. Um bom jogo funciona porque oferece desafios ajustados à habilidade de quem joga, retorno claro sobre cada ação e a sensação de que o esforço conduz a algum lugar. Quando uma empresa distribui recompensas sem esse desenho por trás, o efeito tende a durar pouco, e o engajamento se converte em obrigação disfarçada. Em ambientes de trabalho, o risco é ainda maior, já que rankings mal calibrados podem estimular competição excessiva e desmotivar quem fica sistematicamente nas últimas posições.

Quando se analisa em detalhe, a diferença entre engajar e distrair está na relação entre a mecânica e o objetivo real. Um treinamento de segurança que premia a leitura rápida de conteúdos incentiva a pressa, e não o aprendizado. Por conseguinte, o desenho precisa partir do comportamento que se deseja desenvolver e só depois escolher os elementos lúdicos capazes de apoiá-lo. Murilo Moura Alencar ilustra a distinção ao contrapor sistemas que recompensam a repetição mecânica àqueles que valorizam a evolução de competências, estes sim capazes de sustentar o interesse por mais tempo.

Game design como ferramenta de transformação digital

A transformação digital ampliou o espaço para essa abordagem, porque colocou colaboradores e clientes diante de sistemas cada vez mais numerosos e complexos. Adotar uma nova ferramenta interna, aprender um fluxo de trabalho diferente ou migrar para um aplicativo recém-lançado envolve uma curva de aprendizado semelhante à de um jogo desconhecido. Em complemento, princípios do game design, como tutoriais integrados à própria tarefa e retorno imediato sobre cada acerto, reduzem a resistência natural a mudanças. Softwares corporativos que adotam essa lógica tendem a exigir menos treinamento formal, já que ensinam enquanto são usados.

Para os próximos anos, Murilo Moura Alencar antecipa uma aproximação maior entre profissionais de games e equipes de produto, recursos humanos e educação corporativa. Designers acostumados a pensar em motivação, ritmo e progressão trazem um repertório que falta a muitas áreas tradicionalmente dedicadas a processos e indicadores. Reforça esse quadro o fato de que novas gerações chegam ao mercado de trabalho familiarizadas com a linguagem dos jogos e exigentes em relação à qualidade das experiências digitais. Empresas capazes de traduzir esse repertório com critério tendem a transformar ferramentas obrigatórias em experiências que as pessoas escolhem usar.

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