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Especialista do setor, Odair José Mannrich, analisa o gargalo na triagem de resíduos que trava a economia circular
Por SAFTEC DIGITAL

Especialista do setor, Odair José Mannrich, analisa o gargalo na triagem de resíduos que trava a economia circular

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 10 de agosto de 2026

Entenda como a separação incorreta de resíduos na origem compromete toda a cadeia de reciclagem antes mesmo de o material chegar às indústrias.

A triagem de resíduos é o ponto de partida que decide se um material terá uma segunda vida ou se vai parar em algum aterro sem qualquer reaproveitamento. Conforme frisa Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, a separação incorreta na origem compromete etapas inteiras da cadeia antes mesmo de o resíduo chegar a uma unidade de reciclagem.

Todavia, o problema não está na tecnologia disponível, e sim no gargalo formado logo na primeira etapa do processo. Nos próximos parágrafos, detalharemos a função de filtro da triagem, quais falhas mais aparecem nessa fase e o que muda na prática quando a separação é feita com critério.

Por que a separação inicial decide o destino de toda a cadeia?

A lógica é simples, mas pouco discutida: um resíduo mal separado carrega contaminação para as etapas seguintes, e essa contaminação se multiplica a cada novo processo. Um plástico misturado a papel úmido, por exemplo, reduz o valor comercial de ambos os materiais e ainda aumenta o custo de reprocessamento. De acordo com Odair José Mannrich, a separação correta na origem funciona como uma triagem de risco, principalmente em vista de que ela define quais materiais chegarão íntegros o suficiente para serem reaproveitados e quais serão descartados por inviabilidade técnica.

Esse efeito em cadeia explica por que investir apenas em maquinário de reciclagem não resolve o problema. Sem uma triagem de resíduos consistente na entrada, a indústria recebe lotes heterogêneos, que exigem mais tempo, mais mão de obra e mais energia para serem processados. No final, o resultado é um sistema caro e ineficiente, mesmo quando a tecnologia empregada é avançada.

Quais falhas mais comprometem a triagem de resíduos?

Algumas falhas se repetem em diferentes contextos, da coleta doméstica à industrial, e explicam boa parte da baixa eficiência observada no setor. Tendo isso em vista, entre as mais recorrentes estão:

-Mistura de materiais recicláveis com resíduos orgânicos, o que inviabiliza boa parte do lote;

-Ausência de padronização na separação entre municípios, o que dificulta a logística reversa;

-Falta de capacitação de quem realiza a triagem manual nas centrais;

-Infraestrutura insuficiente para separar materiais por tipo e qualidade.

Esses pontos mostram que o gargalo não é apenas técnico, mas também educativo e organizacional. Corrigir cada um exige investimento contínuo, não apenas equipamentos pontuais e isolados.

O que muda quando a separação funciona bem?

Cidades e empresas que estruturam a triagem de resíduos com critério conseguem elevar o volume de material reaproveitado, reduzindo perdas e custos logísticos ao longo de toda a operação. A diferença aparece tanto na quantidade quanto na qualidade do que chega às indústrias recicladoras, o que fortalece toda a cadeia seguinte.

Inclusive, esse ganho não depende de grandes investimentos isolados, mas de processos bem desenhados: pontos de coleta claros, orientação constante à população e centrais equipadas para separar materiais por categoria. Como enfatiza Odair José Mannrich,sendo engenheiro ambiental, trata-se de um trabalho contínuo, que precisa ser mantido e revisado à medida que o volume de resíduos cresce.

Uma triagem bem feita como a base real da economia circular

Por fim, o caminho para uma economia circular funcional passa, antes de tudo, pela reorganização da triagem de resíduos. Sem essa base, qualquer avanço tecnológico na reciclagem perde efeito, porque o material que chega às indústrias segue contaminado ou incompleto. Assim sendo, resolver esse gargalo exige olhar para o início do processo, não apenas para as etapas finais de transformação. Afinal, é nessa correção inicial que a economia circular deixa de ser um conceito e se torna prática viável.

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