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Diohn do Prado avalia o que a retomada da construção civil reserva para a cadeia de acabamentos
Por SAFTEC DIGITAL

Diohn do Prado avalia o que a retomada da construção civil reserva para a cadeia de acabamentos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 3 de julho de 2026

A construção projeta crescimento de 2% em 2026, o terceiro ano seguido de expansão, puxada por crédito habitacional e por um programa bilionário de reformas. Para o diretor administrativo da Agiliza Marmoraria, a ponta final da cadeia, a dos acabamentos, lê esse ciclo com outra lente: a da defasagem.

A construção civil brasileira entrou em 2026 com projeção de aceleração. A CBIC, entidade que representa a indústria do setor, estima crescimento de 2% no PIB da construção neste ano, acima do avanço de 1,3% registrado em 2025, o que configura o terceiro ano consecutivo de expansão. A conta combina o início do ciclo de corte da Selic, orçamento recorde do FGTS para habitação, mudanças no financiamento imobiliário e um reforço inédito no segmento de reformas. Mas o setor é uma cadeia longa, e cada elo sente o ciclo em um tempo diferente. No segmento final, o dos acabamentos, o calendário é outro.

Diohn do Prado, diretor administrativo da Agiliza Marmoraria, no Paraná, acompanha esses números do fim da cadeia. O segmento de rochas ornamentais, como o de esquadrias, metais e revestimentos, entra na obra quando quase tudo já aconteceu. “O lançamento de hoje é a bancada de daqui a dois anos. Quem trabalha com acabamento vive olhando o futuro do canteiro e o presente da reforma”, compara. A leitura dele ajuda a entender por que os números do setor chegam em tempos diferentes a cada elo da cadeia, e o que cada um deles sinaliza para quem opera no fim dela.

Os números que abrem o ano do setor

O quadro de 2025 explica o otimismo moderado. A construção cresceu, mas em ritmo contido, pressionada pelos juros mais altos em quase duas décadas. Os financiamentos com recursos da poupança recuaram 13% no ano, para R$ 156 bilhões, refletindo o aperto sobre o crédito à classe média. O custo do setor, medido pelo INCC, subiu 5,92%, acima da inflação oficial, com uma composição que preocupa: materiais avançaram cerca de 3,75%, enquanto a mão de obra encareceu 8,98%, reflexo do mercado de trabalho no pleno emprego e da escassez de profissionais qualificados, mais aguda justamente nos serviços de acabamento.

Para 2026, os vetores mudam de sinal. As novas regras do financiamento habitacional elevaram o teto do imóvel financiável para R$ 2,25 milhões, e o Banco Central projeta cerca de R$ 40 bilhões adicionais na oferta de crédito pela poupança, embora a adesão dos bancos privados ainda seja uma incógnita. O FGTS opera com orçamento recorde para habitação. E a carga tributária assumiu o posto de principal preocupação do empresário do setor, com a primeira fase da reforma tributária em vigor desde janeiro, que exige revisão de preços, contratos e controles.

A defasagem que separa o canteiro do balcão

Por que o acabamento sente o ciclo da construção por último? Porque o pedido dele nasce no fim da obra. Entre o lançamento de um empreendimento e a instalação de bancadas, pisos e revestimentos, há o intervalo de construção, que costuma consumir de dois a três anos. Na prática, o segmento de acabamento de 2026 colhe os lançamentos de 2023 e 2024, e os lançamentos de agora só chegarão ao balcão das marmorarias e revendas na virada da década. É uma defasagem estrutural que transforma os indicadores de lançamento em sinal antecipado para toda a cadeia final.

O outro motor do segmento tem ciclo mais curto: a reforma. As famílias respondem por mais de 30% do valor adicionado da construção, segundo o setor, e foram elas que seguraram a atividade em 2024 e a desaceleraram em 2025, quando o juro alto e o endividamento adiaram obras domésticas. O comércio de materiais de construção sentiu o freio: depois de crescer 4,8% em 2024, as vendas fecharam 2025 praticamente estáveis. “Quando o juro aperta, a família não cancela a casa. Ela adia a bancada. E quando o ciclo alivia, o acabamento é a primeira compra represada que volta”, observa Diohn Prado.

O programa bilionário que mira o ciclo curto

É justamente sobre essa demanda represada que atua a principal novidade do ano. O programa Reforma Casa Brasil prevê recursos da ordem de R$ 40 bilhões, com juros abaixo do mercado, destinados a reformas e melhorias de residências já existentes. Trata-se do primeiro estímulo federal dessa escala voltado ao segmento que o setor chama de formiguinha: a soma de milhões de pequenas obras domésticas que, juntas, movimentam a cadeia de materiais e serviços de acabamento com velocidade que os grandes lançamentos não têm.

Para a cadeia de rochas, revestimentos e afins, o desenho do programa importa tanto quanto o valor. Reforma de residência existente tem tíquete menor e giro maior que obra nova, e chega ao balcão em semanas, não em anos. Analistas do setor apontam o programa, ao lado da recuperação gradual da renda das famílias com o alívio dos juros, como o vetor com maior chance de reativar as despesas domésticas com obras ainda neste ano. Se confirmado, o movimento inverte a lógica recente do segmento: o ciclo curto da reforma puxando a atividade enquanto o ciclo longo dos lançamentos amadurece.

Os sinais que merecem acompanhamento no ano

Três sinais merecem acompanhamento em 2026. O primeiro é a adesão efetiva dos bancos ao novo modelo de crédito imobiliário, que definirá se os R$ 40 bilhões projetados pelo Banco Central saem do papel e sustentam lançamentos, o pedido futuro do acabamento. O segundo é a trajetória do custo de mão de obra dentro do INCC, que pressiona as margens de toda a cadeia e não dá sinal de alívio no pleno emprego. O terceiro é a execução do Reforma Casa Brasil e a resposta das vendas de material de construção, o termômetro mais rápido da disposição das famílias.

Na leitura de quem recebe o pedido por último, o ano começa com uma assimetria favorável. O pedido de hoje vem das obras contratadas no aperto de 2023 e 2024, uma base fraca. O pedido de amanhã se forma agora, num ambiente de crédito em expansão e reforma incentivada. Para Diohn do Prado, a defasagem que costuma castigar o segmento na virada de ciclos ruins joga a favor na virada dos bons: o acabamento entra em 2026 com a reforma reagindo no presente e uma fila de lançamentos crescendo no horizonte. Entre um tempo e outro, o desafio segue sendo o mesmo da construção inteira: encontrar e pagar a mão de obra que transforma projeto em entrega.

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