Diego Borges discute como a administração do planejamento técnico e a governança de grandes obras são fundamentais para o êxito dos projetos de infraestrutura
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de maio de 2026
Em um país com histórico de obras paralisadas e custos extrapolados, a qualidade da gestão técnica e institucional é o fator que mais diferencia projetos bem-sucedidos dos que se tornam passivos públicos.
Poucas áreas da administração pública expõem com tanta clareza as consequências de falhas de planejamento quanto as obras de infraestrutura de grande porte. Diego Borges, profissional de engenharia com experiência em obras de grande escala e sistemas de saneamento básico, observa que o padrão recorrente de atrasos, extrapolações orçamentárias e paralisações que marca o histórico de projetos públicos no Brasil não é resultado exclusivo de corrupção ou escassez de recursos, mas frequentemente de deficiências estruturais na forma como esses empreendimentos são planejados, licitados e geridos ao longo de sua execução.
Planejamento técnico como condição de viabilidade
A fase de planejamento é, em muitos casos, a mais determinante para o resultado final de uma grande obra. Diego Borges reconhece que projetos executivos elaborados com insuficiência de dados de campo, estudos geotécnicos superficiais ou subestimação de interferências com infraestrutura existente criam passivos que se manifestam, inevitavelmente, durante a execução. Aditivos contratuais motivados por falhas de projeto representam um dos principais vetores de extrapolação orçamentária em obras públicas, e sua recorrência aponta para um problema sistêmico que começa muito antes do primeiro canteiro ser instalado.
Em razão disso, investir em projetos básicos e executivos de qualidade, com levantamentos topográficos detalhados, sondagens adequadas e análise rigorosa de interferências, representa uma decisão econômica racional, ainda que o custo da fase de projeto seja percebido, de forma equivocada, como uma despesa a ser minimizada. As obras com projetos executivos bem desenvolvidos apresentam, de forma consistente, menor incidência de aditivos e maior aderência aos cronogramas originalmente estabelecidos.
Governança contratual e fiscalização técnica
A qualidade da fiscalização durante a execução de uma obra é tão determinante quanto a qualidade do projeto. Diego Borges destaca que a presença de equipes técnicas habilitadas no acompanhamento diário das obras, com capacidade para identificar desvios de especificação, validar medições e registrar ocorrências de forma sistemática, é um fator frequentemente subestimado nos modelos de gestão adotados por contratantes públicos. A ausência de fiscalização técnica qualificada cria condições para que desvios de qualidade passem despercebidos e para que medições sejam aprovadas sem a devida verificação de conformidade.
Sob essa perspectiva, a governança contratual em grandes obras precisa contemplar não apenas os mecanismos formais de controle, como relatórios periódicos e reuniões de acompanhamento, mas também a capacidade efetiva de resposta a desvios identificados. Contratos bem estruturados definem com clareza as responsabilidades de cada parte, os critérios de aceitação de serviços e os procedimentos para tratamento de não conformidades, reduzindo a margem de interpretação que, em muitos casos, alimenta disputas e arbitragens que se arrastam por anos após a conclusão das obras.
O papel das tecnologias de gestão na modernização dos canteiros
A incorporação de tecnologias de gestão e monitoramento em canteiros de obras de grande porte transformou de forma significativa a capacidade de controle dos empreendimentos nas últimas décadas. Diego Borges acompanha como ferramentas de modelagem da informação da construção, monitoramento por sensores e gestão integrada de cronograma e custos permitem que gestores de obra tenham uma visão em tempo real do avanço físico e financeiro dos projetos, identificando desvios com antecedência suficiente para adotar ações corretivas antes que os impactos se tornem irreversíveis.
Além disso, a rastreabilidade proporcionada por sistemas digitais de gestão fortalece a transparência e facilita o trabalho de fiscalização por parte dos órgãos de controle. Diego Borges reconhece que a resistência à adoção dessas ferramentas, ainda presente em parte do setor, tende a ceder à medida que contratos de concessão e parcerias público-privadas passam a exigir formalmente padrões mais elevados de gestão e prestação de contas, criando incentivos concretos para a modernização das práticas de gerenciamento de obras.
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