Diego Borges dimensiona os impactos econômicos dos investimentos em saneamento
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 23 de outubro de 2026
Meta de universalização até 2033 exige cerca de R$ 45 bilhões por ano, segundo o Instituto Trata Brasil.
Diego Borges, atuante da área de engenharia, dimensiona o que o volume de investimentos em saneamento representa para a economia e para a execução das obras. O Novo Marco Legal do Saneamento Básico, a Lei 14.026, em vigor desde julho de 2020, fixa metas para que 99% da população tenha acesso a água potável e 90% conte com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Segundo o Instituto Trata Brasil, restam R$ 454,1 bilhões a investir para cumprir esse objetivo.
O tamanho da conta
O Plano Nacional de Saneamento Básico estima a necessidade de cerca de R$ 511 bilhões, a preços de dezembro de 2021, para atingir a universalização. Descontado o que já foi investido e atualizado o valor para 2023, o Instituto Trata Brasil calcula que faltam R$ 454,1 bilhões. Isso equivale a R$ 45,1 bilhões por ano entre 2024 e 2033.
O mesmo estudo indica que o país precisaria de um investimento médio superior a R$ 223,82 por habitante para cumprir as metas. Para Diego Borges, a leitura mais útil desses números é a escala: o saneamento exige um fluxo contínuo de obras de rede, estações de tratamento e ligações domiciliares, e não um conjunto isolado de grandes projetos.
A distribuição dessa conta também importa. Municípios menores têm menos escala para sustentar investimentos sozinhos, e é por isso que a regionalização, que reúne cidades em blocos, tende a ser parte da solução. Ela dilui custos fixos, facilita a contratação conjunta e torna os contratos mais atraentes para quem financia. O desafio técnico está em desenhar blocos com demanda equilibrada, de modo que áreas mais rentáveis e áreas mais carentes sustentem juntas o mesmo plano de obras, com metas e prazos compatíveis com a realidade de cada região.
Regras que organizam o capital
O novo marco alterou a estrutura econômica do setor. Os contratos de programa, firmados diretamente com companhias estaduais, deram lugar à exigência de licitação, e os prestadores precisam comprovar capacidade econômico-financeira para cumprir as metas. A lei também incentivou a regionalização, que agrupa municípios para ganhar escala e atrair investimento.
Para o investidor, esse desenho traz um critério objetivo de entrada e de permanência no setor. Para a engenharia, traz a necessidade de projetos que caibam em contratos de longo prazo, com metas de atendimento, prazos de implantação e indicadores de desempenho claros.
Ritmo e previsibilidade
Cinco anos depois da vigência do marco, o estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil 2025”, do Trata Brasil, aponta que não houve evolução significativa dos indicadores. O tratamento de esgoto teve a melhor evolução, mas segue como o indicador mais distante da meta. Já o atendimento total de água registrou pequena redução.
O dado mostra que a previsibilidade regulatória e a capacidade de execução precisam avançar juntas. Há expectativa de crescimento: a CNI projeta saneamento básico e transportes entre os setores com maior aumento de investimento em 2025. Transformar essa expectativa em obra concluída depende de licenciamento ágil, financiamento compatível com o prazo de retorno e equipes técnicas capacitadas.
Eficiência como parte do retorno
O impacto econômico do saneamento não se limita à construção. Cada obra de rede mobiliza projetistas, fornecedores de materiais, empresas de execução e mão de obra local. Depois de entregue, o sistema precisa ser operado com eficiência, o que inclui controle de perdas, manutenção preventiva e medição adequada do consumo.
É nesse ponto que Diego Borges vê o investimento ganhar densidade econômica. Um sistema bem projetado e bem operado aproveita melhor a água já produzida, adia ampliações desnecessárias e sustenta a receita que remunera o capital aplicado.
Um setor medido em resultados
A universalização até 2033 é uma meta de médio prazo que se alcança com etapas intermediárias verificáveis: novas ligações, volume de esgoto tratado e redução de perdas. Quanto mais transparentes forem esses indicadores, mais fácil será para investidores, reguladores e prestadores acompanhar o avanço e corrigir a rota quando necessário.
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