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Design de interiores e identidade: Daugliesi Giacomasi Souza, da DGDecor, destaca por que o espaço em que você vive é um retrato de quem você é
Por SAFTEC DIGITAL

Design de interiores e identidade: Daugliesi Giacomasi Souza, da DGDecor, destaca por que o espaço em que você vive é um retrato de quem você é

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 1 de julho de 2026

Fundadora da DGDecor e designer de interiores com trajetória em projetos residenciais e gerenciamento de obras, ela explica por que os ambientes mais marcantes não são os mais caros, mas os mais honestos com quem os habita.

Existe uma diferença fundamental entre um apartamento decorado e um apartamento habitado. O primeiro é visualmente coerente, tecnicamente executado e esteticamente impecável nas fotos. O segundo tem uma qualidade mais difícil de nomear: parece que foi feito para a pessoa que vive ali, não para quem vai fotografar. Essa diferença não é uma questão de orçamento nem de estilo. É uma questão de escuta, e é onde o projeto de design de interiores começa muito antes de qualquer decisão sobre cor, material ou mobiliário.

O arquiteto Alexandre Salles define esse movimento como “lar com identidade”: diante de um mundo caótico, as pessoas buscam um lar mais biográfico, com alma, com memória e objetos que contam histórias. Para a DGDecor, esse não é um conceito novo. É o ponto de partida de qualquer projeto. “Antes de falar em paleta de cores ou escolha de revestimento, preciso entender quem é a pessoa que vai viver naquele espaço. Como ela acorda, como ela descansa, o que a acalma, o que a incomoda. Só depois de ter essa leitura é que as decisões técnicas começam a fazer sentido”, afirma Daugliesi Giacomasi Souza.

Por que o espaço revela mais do que parece?

A psicologia ambiental estuda há décadas a relação entre o ambiente construído e o comportamento humano, e uma de suas conclusões mais consistentes é que as escolhas que fazemos para o espaço em que vivemos não são neutras. Desde cor, iluminação, materiais, texturas, layout até os objetos ao redor e o estilo de decoração que escolhemos, estas não são meras decisões estéticas, são parte de nossa identidade, e naturalmente nos inclinamos a optar por espaços nos quais nos sentimos pertencidos ou familiarizados.

Esse princípio tem uma implicação prática direta para o projeto de design de interiores: um ambiente que não dialoga com a identidade de quem o habita cria uma tensão sutil, mas contínua. A pessoa não se sente completamente em casa, mesmo que tudo esteja tecnicamente correto. Já um ambiente que reflete quem ela é, que tem as referências certas, os ritmos certos, os elementos que ativam memória e pertencimento, produz o oposto: uma sensação de descanso que vai além do conforto físico.

A escuta como método de projeto

Na prática da DGDecor, a etapa mais longa de qualquer projeto não é a execução. É a conversa que acontece antes dela. Daugliesi Giacomasi Souza descreve um processo que começa muito antes da planta e dos materiais: entender como o cliente se move dentro de casa, em que momentos do dia cada ambiente é mais usado, o que o incomoda no espaço atual e o que ele jamais abriria mão de ter.

A proposta que ganha força no design contemporâneo abandona o conceito de “ambiente de vitrine” e aposta em projetos que despertam emoções por meio de texturas, luz e memória, valorizando a narrativa visual, quando cada material, objeto ou acabamento tem propósito e significado dentro do espaço. Essa abordagem exige do designer uma habilidade que vai além do repertório técnico: a capacidade de ouvir o que o cliente não sabe dizer com palavras, mas que está presente em tudo que ele escolhe, nos lugares onde se sente bem, nos ambientes que o incomodam, nas fotos que salva e nas que descarta.

“O cliente raramente chega com clareza sobre o que quer no nível mais profundo. Ele tem referências visuais, tem preferências declaradas, mas o que realmente vai fazer aquele espaço funcionar para ele está nas entrelinhas. É lá que o projeto começa”, explica a fundadora da DGDecor. Esse trabalho de escuta ativa é o que diferencia um projeto que parece bonito de um projeto que parece certo, e é uma distinção que o próprio cliente reconhece no momento em que entra no espaço pronto pela primeira vez.

Quando o ambiente não combina com quem mora

O contrário também acontece, e com mais frequência do que se imagina. Ambientes projetados por tendência, por moda ou pela referência do que estava em alta num determinado momento podem ser esteticamente impecáveis e, ao mesmo tempo, completamente desconectados de quem vive ali. Em 2026, observa-se uma ruptura com os ambientes impessoais e uma busca por espaços que contam histórias, despertam emoções e celebram a identidade de quem vive ali, com casas e apartamentos passando a ser vistos não apenas como ativos, mas como extensões da personalidade e do estilo de vida de quem mora.

Essa desconexão tem um custo que vai além do desconforto estético. Um espaço que não representa quem o habita tende a ser constantemente redecorado, com compras impulsivas de objetos que tentam preencher uma lacuna que não é de decoração, mas de identidade. O ciclo é caro e raramente resolve o problema real. “Já atendi clientes que tinham reformado o apartamento duas vezes em cinco anos e continuavam insatisfeitos. Quando a gente chegou e fez as perguntas certas, ficou claro que nunca tinham sido perguntados sobre quem eram, só sobre o que queriam comprar”, conta Daugliesi Giacomasi Souza.

O que o projeto revela que o cliente não sabia sobre si mesmo?

Uma das dimensões mais surpreendentes do processo de design de interiores baseado em identidade é que ele frequentemente revela ao próprio cliente aspectos de si mesmo que ele não havia articulado conscientemente. As escolhas que faz diante de materiais, cores e objetos, quando conduzidas por um profissional que sabe o que está observando, formam um mapa do que aquela pessoa valoriza, do ritmo em que vive e do ambiente em que consegue ser ela mesma.

Os interiores contemporâneos deixam de ser meros espaços funcionais para se tornarem extensões da personalidade de quem vive ali, incorporando narrativas culturais, histórias pessoais e materiais que convidam ao toque e ao olhar prolongado. Para a DGDecor, essa é a parte mais gratificante do trabalho: o momento em que o cliente entra no espaço pronto e reconhece algo que não sabia nomear antes, mas que sente imediatamente como seu. “Quando isso acontece, o projeto cumpriu o que se propôs. Não entregou um ambiente bonito. Entregou um lugar que pertence àquela pessoa”, afirma Daugliesi Giacomasi Souza.

Em um mercado saturado de referências visuais e tendências que se renovam a cada temporada, a pergunta mais importante que um projeto de design de interiores pode responder não é o que está em alta. É quem você é, e como o espaço em que você vive pode ser um reflexo honesto disso.

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