Correspondentes bancários deixaram de ser canal de venda e viraram infraestrutura do crédito brasileiro, avalia Márcio Alaor de Araújo
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 27 de julho de 2026
Referência em avaliação de crédito no mercado financeiro, o executivo defende que o modelo de Corban amadureceu além do papel original de simples intermediário entre banco e cliente.
O correspondente bancário nasceu como uma solução prática: levar serviços financeiros a regiões onde agências físicas não chegavam, funcionando como ponte entre instituições financeiras e clientes. Ao longo dos últimos anos, esse modelo mudou de escala e de função. Márcio Alaor de Araújo, referência em avaliação de crédito no mercado financeiro, observa que o setor deixou de operar apenas como canal de distribuição e passou a estruturar operações próprias de crédito, com processos, tecnologia e capacidade analítica cada vez mais sofisticados.
Essa transformação não aconteceu de forma uniforme em todo o setor. Convivem hoje, lado a lado, correspondentes que ainda operam de forma tradicional, apenas repassando produtos prontos de uma instituição financeira, e correspondentes que já desenvolveram estrutura própria de análise, tecnologia e gestão de risco. Essa distância entre os dois perfis tende a crescer nos próximos anos, à medida que a competição por qualidade se intensifica.
“O correspondente bancário de hoje não é mais só quem intermedeia uma venda entre banco e cliente. Muitos já desenvolvem tecnologia própria, constroem modelos de análise de crédito próprios e assumem parte do risco da operação. Isso é uma mudança estrutural, não um ajuste cosmético”, afirma o executivo.
Um setor que cresceu em volume e também em complexidade
O número de correspondentes bancários ativos no país cresceu de forma expressiva na última década, acompanhando a expansão do crédito consignado e de outras modalidades distribuídas por esse canal. Esse crescimento em volume veio acompanhado de um salto de complexidade operacional: tecnologia de originação, sistemas próprios de prevenção a fraude e times dedicados de compliance passaram a fazer parte da estrutura de correspondentes que antes operavam de forma mais simples.
Márcio Alaor de Araújo destaca que essa maturidade cria um efeito em cadeia positivo para todo o sistema financeiro. Correspondentes mais estruturados tendem a originar operações de melhor qualidade, o que reduz custo de risco tanto para eles quanto para as instituições financeiras que fecham parceria com esses canais.
Quando distribuição vira também estruturação de produto
A diferença entre um correspondente que apenas distribui um produto pronto e um que participa da estruturação da operação está na capacidade de adaptar condições ao perfil real de cada cliente, em vez de aplicar uma régua única para toda a base. Correspondentes que desenvolveram essa capacidade analítica própria conseguem competir por qualidade de originação, não apenas por volume de vendas.
Essa evolução, na leitura do executivo, aproxima o papel do correspondente bancário do papel tradicionalmente reservado a instituições financeiras de maior porte, ainda que em escala e regulação diferentes. É um movimento que reconfigura a cadeia de valor do crédito no Brasil, distribuindo capacidade analítica por um número maior de players do que há uma década.
Esse tipo de reconfiguração costuma passar despercebido por quem olha apenas os números agregados do setor de crédito, sem descer ao nível de cada correspondente individual. Para Márcio Alaor de Araújo, é justamente nesse nível de detalhe que aparecem as diferenças mais relevantes entre operações de qualidade e operações que ainda dependem inteiramente da instituição financeira parceira para qualquer decisão analítica.
O que essa mudança significa para quem avalia risco no setor?
Analistas que acompanham crédito consignado e modalidades distribuídas por correspondentes precisam, cada vez mais, avaliar não apenas a instituição financeira por trás da operação, mas a qualidade do próprio correspondente que originou aquele crédito. A capacidade analítica e tecnológica do correspondente virou variável relevante para entender a qualidade da carteira final.
Márcio Alaor de Araújo recomenda que essa avaliação inclua critérios como maturidade tecnológica do correspondente, histórico de qualidade de originação e estrutura interna de compliance, elementos que até poucos anos atrás eram irrelevantes para esse tipo de análise, mas que hoje ajudam a diferenciar correspondentes sólidos de operações menos estruturadas.
O que fica de leitura sobre o futuro desse mercado?
O modelo de correspondente bancário tende a se profissionalizar à medida que a competição por qualidade de originação se intensifica entre diferentes players do setor. Márcio Alaor de Araújo acredita que essa profissionalização beneficia o sistema financeiro como um todo, ampliando acesso a crédito sem abrir mão da qualidade da análise que sustenta cada operação.
A expectativa do executivo é que o setor continue caminhando na direção de maior sofisticação técnica, reduzindo a distância que hoje separa os correspondentes mais avançados dos que ainda operam de forma mais artesanal.
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