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Avaliar crédito não é só sobre número, e Márcio Alaor de Araújo aprendeu isso ao longo de mais de quatro décadas no mercado financeiro
Por SAFTEC DIGITAL

Avaliar crédito não é só sobre número, e Márcio Alaor de Araújo aprendeu isso ao longo de mais de quatro décadas no mercado financeiro

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 27 de julho de 2026

O executivo, referência em avaliação de crédito e resultado, viu a própria forma de analisar risco se transformar ao longo da carreira, e essa mudança ainda molda o setor hoje.

No início de qualquer carreira dedicada à análise de crédito, a lógica costuma ser puramente numérica: renda declarada, histórico de pagamento, capacidade teórica de honrar um compromisso. Márcio Alaor de Araújo começou exatamente assim, décadas atrás, seguindo modelos de avaliação que tratavam cada solicitação como um conjunto de números a serem processados. Com o tempo, essa forma de enxergar o crédito se transformou em algo mais amplo, que passou a considerar também o contexto por trás de cada número.

Essa transformação não aconteceu de uma vez, nem por causa de um único episódio marcante. Foi um processo gradual, construído ao longo de anos, observando diferentes clientes, diferentes setores e diferentes momentos econômicos, até que o padrão ficasse claro: o número sozinho conta apenas parte da história.

“No começo da carreira, um número bom era um número bom, ponto final. Depois de muitos anos avaliando pessoas e empresas, aprendi que o mesmo número pode significar coisas completamente diferentes, dependendo do contexto de quem está pedindo o crédito”, explica o executivo.

O que os números não contam sozinhos

Dois clientes podem apresentar exatamente o mesmo histórico financeiro no papel e, ainda assim, representar níveis de risco bem diferentes na prática. Um deles pode estar passando por uma dificuldade temporária e pontual, enquanto o outro carrega um padrão recorrente de instabilidade que o número isolado não revela. Perceber essa diferença exige mais do que rodar uma planilha: exige experiência acumulada observando como diferentes histórias se desenrolam ao longo do tempo.

Márcio Alaor de Araújo viu essa lição se confirmar repetidas vezes ao longo da carreira, em ciclos econômicos distintos e em perfis de cliente muito variados. Cada ciclo de crise ou expansão testava, de um jeito novo, se a leitura de um número realmente capturava o risco por trás dele, ou se estava apenas descrevendo uma fotografia incompleta da situação real.

A diferença entre avaliar risco e entender contexto

Incorporar contexto a uma análise de crédito não significa abandonar rigor técnico. Significa somar uma camada de julgamento que nenhum modelo estatístico sozinho consegue captar por completo. Um exemplo simples ilustra bem essa diferença: dois clientes com o mesmo atraso registrado podem representar riscos completamente opostos, um prestes a repetir o problema, outro já plenamente recuperado, e só a análise de contexto revela qual dos dois cenários está realmente diante do analista.

Essa camada de julgamento, na experiência de Márcio Alaor de Araújo, é o que separa uma análise de crédito puramente mecânica de uma análise que realmente entende quem está do outro lado da mesa. Modelos automatizados ajudam a processar volume e padronizar critérios, mas o julgamento humano continua sendo necessário para os casos que fogem do padrão esperado pelo modelo.

Como essa mudança de olhar molda decisões até hoje

Essa evolução de perspectiva não ficou apenas no campo pessoal. Ao longo da carreira, à medida que assumiu posições de liderança sobre times inteiros de análise, Márcio Alaor de Araújo passou a treinar outros profissionais para incorporar esse mesmo tipo de julgamento contextual às próprias decisões, em vez de depender só de critérios numéricos fixos.

Formar analistas capazes de enxergar além do número, sem abrir mão do rigor técnico que sustenta qualquer decisão de crédito responsável, tornou-se parte central da forma como ele estrutura equipes até hoje. É um equilíbrio delicado: analistas rigorosos demais tratam toda exceção como risco, enquanto analistas flexíveis demais perdem a disciplina que protege tanto quem empresta quanto quem toma o crédito.

O que fica de reflexão sobre décadas avaliando crédito

O mercado de crédito no Brasil amadureceu nas últimas décadas, incorporando tecnologia, automação e modelos cada vez mais sofisticados de análise de risco. Para Márcio Alaor de Araújo, esse avanço tecnológico é bem-vindo e necessário, mas não substitui a camada de julgamento humano que permite decisões mais justas em casos que fogem do padrão esperado por qualquer modelo automatizado.

Essa combinação entre rigor técnico e leitura de contexto, amadurecida ao longo de mais de quatro décadas de carreira, segue sendo, para ele, o que diferencia uma análise de crédito verdadeiramente sólida de uma que apenas processa números sem entender a história por trás deles.

No fim, a lição que atravessa toda essa trajetória é simples de enunciar, mas difícil de praticar: números são ferramentas indispensáveis, mas nunca substituem por completo a capacidade de enxergar a pessoa, ou a empresa, que está por trás de cada solicitação de crédito analisada.

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