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Deep Tech em Biotecnologia Industrial leva a ciência da universidade à indústria no Brasil

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 7 de outubro de 2026

 Licenciamento de levedura desenvolvida na Unicamp para a BIOINFOOD ilustra como parcerias entre cientistas, empresas e instituições de pesquisa transformam descobertas em produtos inovadores escaláveis.

Planejamento estratégico no SUS baseado em dados. Imagem: Divulgação

Uma descoberta científica só vira solução real quando deixa o laboratório e chega à linha de produção. No Brasil, o caminho percorrido pela biotecnologia não nasce do acaso. Ele é alavancado por uma engrenagem que une universidades, empresas e instituições de ciência e tecnologia (ICTs). Com a combinação desses elementos, é possível tirar do papel inovações capazes de ganhar escala e, com isso, superar os desafios reais das indústrias.

Um exemplo recente desse movimento vem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que licenciou para a BIOINFOOD uma levedura geneticamente modificada com potencial para tornar a produção de etanol de milho mais eficiente. Neste tema, a empresa brasileira de biotecnologia industrial (deep tech) conquistou o financiamento de R$ 3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) que acelerará o projeto.

“Reconhecer e valorizar o trabalho da universidade acelera a inovação. Foram anos de pesquisa para identificar enzimas e desenvolver essa levedura. Nosso papel é partir desse conhecimento e levá-lo à escala industrial. Com o licenciamento encurtamos um caminho que, feito isoladamente, levaria muito mais tempo e custaria muito mais”, explica Gleidson Teixeira, geneticista, cofundador e diretor Científico e Comercial da BIOINFOOD.

Nesse contexto, a biotecnologia se revela a ponte entre o conhecimento acumulado nas instituições acadêmicas e as exigências reais da produção. Ao converter descobertas acadêmicas em processos mais eficientes, sustentáveis e rentáveis, ela coloca o País em condições de igualdade para disputar um lugar entre os protagonistas em mercados estratégicos e que movimentam cifras bilionárias, como o setor energético.

Segundo maior produtor de etanol, o Brasil responde por cerca de 27% da produção global do biocombustível. Durante décadas, a cana-de-açúcar foi a matéria-prima utilizada para sustentar esse posto. Agora, o milho ganha espaço a cada safra, respondendo atualmente por quase 25% do biocombustível produzido nacionalmente, um salto que só se tornou realidade com o avanço da biotecnologia.

O avanço rápido do setor, porém, esbarrou em um gargalo: a fermentação do cereal ainda deixava parte do amido sem aproveitar. Para solucionar essa equação, pesquisadores do Laboratório de Genômica e bioEnergia do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recorreram à bioinformática e à análise computacional. Ao identificarem enzimas que a indústria ainda não havia explorado, eles desenvolveram uma levedura geneticamente modificada capaz de aumentar a eficiência da fermentação do milho.

Em testes de bancada, a nova linhagem dispensou a adição externa de glucoamilase e passou a quebrar parte do amido residual que se perdia no processo tradicional. Em outras palavras, mais etanol produzido com a mesma quantidade de milho e menos custo com insumos.

O caminho do laboratório ao mercado

Do laboratório à indústria, o caminho é longo e exige mais do que uma boa descoberta. Para ganhar escala, uma tecnologia precisa ser protegida, financiada e entregue a quem tenha estrutura para transformá-la em produto.

Para essa nova etapa, a descoberta foi licenciada para a BIOINFOOD. A negociação foi conduzida pela Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp), com interveniência da Fundação de Desenvolvimento da universidade (Funcamp).

A iniciativa parte de um modelo que o País levou anos para estruturar. Em conjunto com a Lei de Inovação (nº 10.973/2004), o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016) criou o ambiente ideal para que universidades protejam e licenciem tecnologias, promovam parcerias com quem produz e até gerem empresas-filhas a partir de suas próprias pesquisas.

Antes desse arcabouço, o caminho entre a ciência e a indústria dependia quase que exclusivamente de esforços isolados. Ao fixar regras claras, o marco aproximou laboratórios e empresas e trouxe mais previsibilidade aos processos. Na prática, a mudança permitiu que inovações saíssem da bancada, ganhassem escala e se traduzissem em resultados reais para o setor produtivo.

O licenciamento não é um caso isolado. Desde a sua fundação, a BIOINFOOD construiu um histórico de captação que atravessa as principais agências de fomento do País: foram R$ 16 milhões obtidos em editais do CNPq, da Fapesp, da Finep e da Embrapii, além de recursos de fundos ligados à Amazônia e do Senai-SP.

“Bem estruturado, o fomento público permite que uma empresa de base científica atravesse o “vale da morte”, a fase em que a tecnologia já funciona em laboratório, mas ainda não tem escala nem receita para atrair capital privado; risco que o mercado sozinho não assume. Para a BIOINFOOD, isso significou transformar pesquisa em portfólio. Hoje temos linhagens e bioprocessos próprios, mais de 20 projetos em 8 países e atuação em Alimentos & Bebidas, Biocombustíveis e Agro. Cada projeto também constrói competências e formam pessoas que passam a atuar na indústria e gera propriedade intelectual no Brasil. É um ciclo virtuoso, pelo qual o investimento público se converte em empresas, empregos qualificados e competitividade para setores estratégicos”, diz Teixeira.

O tripé para levar a inovação das universidades para as indústrias também depende de instituições que ofereçam estrutura física e científica para as empresas nascerem e crescerem. Desde 2020, a BIOINFOOD está instalada no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, onde desenvolve microrganismos para alimentos e bebidas.

A empresa também tem o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) como parceiro, que opera o acelerador de partículas Sirius. Esta parceria é escopo do PACE, programa de aceleração de deep techs do CNPEM.

Mais do que o desfecho de um projeto, o caso retrata o que o País precisa repetir.

Quando universidade, empresa e instituição de pesquisa atuam em conjunto, a

ciência deixa de ser promessa de laboratório e se transforma em resposta

concreta para a indústria.

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