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Investidor prefere entrar antes de a empresa estar pronta

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 1 de setembro de 2026

Para Carlos Santana, avaliar equipe e propósito vale mais do que analisar números quando o negócio ainda está em formação

Carlos Santana analisa oportunidades de investimento em empresas em formação. Foto: Divulgação

Quanto mais madura uma empresa está, mais informações ela oferece ao investidor e menor tende a ser a parcela de incerteza sobre o negócio. Para Carlos Santana, porém, é justamente antes de muitas dessas respostas existirem que uma oportunidade pode se tornar mais interessante.

Depois de vender o controle da empresa que construiu e deixar a presidência, ele passou a ocupar o outro lado da mesa. Hoje, por meio da CS Invest, concentra sua atuação em investimentos e na estruturação de projetos ligados principalmente a trânsito, mobilidade e tecnologia.

O que vem antes dos números

Entrar em um negócio em estágio inicial significa conviver com perguntas ainda sem resposta. Se há menos números para analisar, outros critérios ganham relevância: o problema que a empresa pretende resolver, a existência de mercado para a solução e a capacidade de execução de quem está à frente.

Essa lógica encontra respaldo em pesquisas sobre investimentos em estágio inicial. Um estudo publicado em 2025 pelo National Bureau of Economic Research, a partir da análise de mais de 8 mil oportunidades, identificou a avaliação da equipe como o critério que melhor indicava quais empresas em estágio inicial conseguiriam captar pelo menos US$ 1 milhão. À medida que os negócios avançavam, mercado e produto passavam a ganhar maior relevância.

É uma dinâmica próxima à que Carlos Santana diz considerar ao analisar uma oportunidade. “Eu olho muito para as pessoas. Uma ideia pode ser excelente, a tecnologia pode ser excelente, mas alguém vai precisar fazer aquilo acontecer. Quero entender quem está liderando, se conhece profundamente o ecossistema, se sabe ouvir e se tem capacidade de execução”, afirma.

Risco dimensionado, não eliminado

Quanto mais cedo se entra em um negócio, mais hipóteses ainda precisam ser testadas. O risco, nessa equação, não é algo a ser eliminado, e sim dimensionado. Para o investidor, é nesse ponto que o repertório acumulado ao longo da trajetória profissional se torna determinante.

“A curva de aprendizagem de qualquer novo negócio é sempre mais suscetível a erros. Quando você atua naquilo em que já possui um capital intelectual acumulado, consegue minimizar esse risco. Isso não significa que o erro deixe de existir. Ele existe. A diferença é que o conhecimento permite reconhecê-lo e corrigi-lo mais rapidamente”, diz.

Capital sem ocupar o lugar do empreendedor

Ainda assim, conhecimento prévio não elimina a possibilidade de uma decisão equivocada. Para Carlos Santana, a capacidade de recalcular a rota depende de uma característica menos quantificável: a escuta. “Nada se faz sozinho. Se você sabe ouvir, sempre tem a oportunidade de dar um ou dois passos atrás, corrigir o caminho e seguir adiante na direção certa.”

O papel do investidor, na sua visão, também não termina quando o recurso chega ao caixa. Estratégia, governança, gestão de risco e capital relacional fazem parte do que pode ser acrescentado a um negócio em formação. Há, no entanto, uma fronteira que considera importante preservar. “Não entro em um negócio achando que preciso decidir tudo porque já vivi mais ou porque já construí outras empresas. Posso fazer perguntas, contribuir com a minha perspectiva, abrir portas e ajudar a enxergar riscos. Não posso querer ocupar o lugar do empreendedor.”

Construir de outro lugar

Após a mudança de controle da companhia, Carlos Santana ouviu reiteradamente que poderia interromper a rotina de trabalho ou tirar um período sabático. A perspectiva não o atrai. “Não é isso que me move. Eu fui criado para transformar, para trabalhar com gente. Então, eu não consigo parar, pelo menos por enquanto.”

Em vez de concentrar esforços em uma única companhia, o empresário procura identificar empreendedores e projetos nos quais capital, repertório e relacionamento possam acelerar o desenvolvimento de uma ideia, sem substituir quem está à frente dela. É nesse estágio, quando ainda há mais perguntas do que respostas, que Carlos Santana prefere estar.

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