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Crise da saúde mental infantojuvenil: números revelam problema que afeta as famílias

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de julho de 2026

Criadora do Método Aprofundar, especialista Juliana Zorzi defende que punir o comportamento sem compreender a emoção de base é ineficaz

Crise da saúde mental infantojuvenil. Foto: Adobe Stock
Crise da saúde mental infantojuvenil. Foto: Adobe Stock

Enquanto muitos pais ainda recorrem a castigos e broncas na tentativa frustrada para conter birras, explosões e isolamento dos filhos, uma pergunta continua sem resposta: o que a criança ou adolescente está tentando dizer com o comportamento? 

Criadora do Método Aprofundar, a terapeuta Juliana Zorzi defende que olhar apenas para a reação visível sem compreender a emoção que a origina é o principal motivo pelo fracasso das intervenções e, consequentemente, o desgaste da relação familiar. 

Publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) este ano, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) constatou que 18,5% dos adolescentes de 13 a 17 anos ouvidos em 2024 em 4.167 escolas públicas e privadas do país já pensaram que a vida não vale a pena ser vivida. O mesmo estudo revelou que 42,9% dos entrevistados disseram sentir-se irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa.

Este cenário não se limita aos adolescentes. Levantamento do Governo do Estado de São Paulo identificou alta de 50% nos atendimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS) por questões de saúde mental entre crianças de 5 a 9 anos entre 2023 e 2025. 

É preciso olhar a causa

Os números refletem um padrão observado diariamente na clínica por Juliana Zorzi. “Muitos pais falam que tentaram tudo, mas nada funcionou”, relata. Muitas vezes, o problema não está na forma de pensar dos pais. Segundo a especialista, a falha está em apenas olhar para o comportamento, ignorando a causa que motivou determinada atitude.  

A terapeuta explica que birras repetidas, explosões repentinas e o isolamento de adolescentes não são “manhas” nem “mau comportamento”, mas formas de comunicação. “A criança que explode de repente está dizendo: estou sobrecarregada. A que faz birra repetidas vezes está tentando dizer: é muito estímulo, eu não sei lidar com essa emoção. Por sua vez, o adolescente que se fecha no quarto escuro está dizendo: não me sinto compreendido, sinto-me invisível“, afirma.

Essa leitura encontra respaldo na ciência. Estudos constataram que comportamentos considerados “disruptivos” são, com frequência, respostas a uma sobrecarga que a criança ou o adolescente ainda não consegue processar e verbalizar. 

Foi justamente dessa lacuna entre o comportamento observado e a emoção não compreendida que nasceu o Método Aprofundar, desenvolvido por Juliana Zorzi a partir da união entre sua trajetória pessoal e uma base clínica que integra psicopedagogia, arteterapia, TCC, psicoeducação parental e estudos em desenvolvimento emocional e comportamento humano. “Quando a gente compreende a origem, podemos agir de forma muito mais assertiva“, diz.

A metodologia também auxilia profissionais da saúde que buscam ferramentas para atender uma demanda que só cresce. Sancionada em maio de 2026, a Lei 15.413 alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para garantir o acesso dos menores a programas de saúde mental no SUS, incluindo a formação específica de profissionais. 

A legislação reconhece institucionalmente o que especialistas como Juliana Zorzi vivem na prática: mais do que diagnósticos, o Brasil precisa de metodologias que consigam traduzir o conhecimento científico em acolhimento real no dia a dia das famílias.

Para a terapeuta, a diferença entre estar disposto e estar disponível é o ponto de partida. “Estar disponível é diferente de estar disposto“, afirma. “Enquanto olhamos apenas o comportamento, a raiz do problema continua lá“. 

A proposta do Método Aprofundar é justamente oferecer às famílias e aos profissionais um caminho para ir além da superfície e, quem sabe, começar a mudar os números que hoje ligam um sinal de alerta em todo o país.

Para isso, a especialista Juliana Zorzi explica que é indispensável criar formas para traduzir emoções complexas em linguagem acessível, prática e aplicável, garantindo que todos os envolvidos consigam compreender padrões, reorganizar relações e desenvolver consciência emocional, mas sem perder a humanidade no processo.

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