Cartas de Pokémon chegam a quase R$ 60 mil no Brasil: veja como acompanhar a valorização
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 5 de outubro de 2026
Levantamento em 159 coleções mostra que as cartas mais caras do país foram lançadas há cerca de 20 anos, enquanto lançamentos recentes chegam a perder metade do valor em poucas semanas
O que começou como brincadeira de recreio virou um mercado com cifras de gente grande. No Brasil, uma única carta de Pokémon pode custar quase R$ 60 mil, mais do que muitos carros usados. Em 2026, ano em que a franquia completa 30 anos, as cartas colecionáveis, conhecidas pela sigla TCG (do inglês trading card game), voltaram ao centro das conversas entre fãs, lojistas e até curiosos em busca de uma alternativa de investimento.
Junto com o interesse veio a dúvida de quem guardou uma pasta de cartas na gaveta: quanto vale a minha coleção? A resposta depende de detalhes que passam despercebidos para quem está de fora, como a coleção de origem, o número impresso na carta, o idioma e o estado de conservação. E muda com frequência: o preço de uma mesma carta pode dobrar ou cair pela metade em poucas semanas.
As cartas de Pokémon mais caras do Brasil hoje
Um levantamento feito em 5 de outubro de 2026 pelo Deck Certo, plataforma que monitora o mercado de TCG no Brasil, com o menor preço anunciado em 159 coleções de Pokémon, mostra que o topo da lista é dominado por cartas lançadas entre 2004 e 2007. São as chamadas Gold Star, versões especiais com uma estrela dourada ao lado do nome, raríssimas nos pacotes da época. As cinco primeiras colocadas são:
• Rayquaza Star (107/107), da coleção EX Deoxys, de 2005: R$ 59.999,99
• Espeon Star (16/17), da coleção POP Series 5, de 2007: R$ 40.000,00
• Latias Star (105/107), da coleção EX Deoxys, de 2005: R$ 29.999,95
• Charizard Star (100/101), da coleção EX Dragon Frontiers, de 2006: R$ 29.949,89
• Pikachu Star (104/110), da coleção EX Holon Phantoms, de 2006: R$ 23.999,00
Os valores são do exemplar mais barato anunciado de cada carta. Nesse patamar, o estado de conservação faz o preço variar muito: a mesma carta, com um risco ou uma borda gasta, pode valer bem menos do que um exemplar em perfeitas condições.
Para entrar na lista das 50 cartas mais caras do país, é preciso valer hoje cerca de R$ 4 mil. A exceção recente vem da própria comemoração dos 30 anos: a Celebração de 30 Anos, coleção lançada em 16 de setembro de 2026, trouxe versões especiais de Mew que, menos de três semanas depois, já aparecem entre as dez cartas mais caras do Brasil, anunciadas por R$ 19.000 e R$ 19.500.
Valorização não é garantia
O mesmo lançamento mostra o outro lado do mercado. Em 21 de setembro, cinco dias depois da estreia da coleção, o Charizard 4/102 da Coleção Clássica, que revisita a carta mais famosa da primeira coleção do jogo, tinha menor preço de R$ 2.200. Em 5 de outubro, estava em R$ 999,99, menos da metade.
Não é um caso isolado. Entre o fim de setembro e 4 de outubro, o Mew ex e o Pikachu ex da mesma coleção caíram 28% e 27%, respectivamente. O Rayquaza & Deoxys LEGEND, da coleção Destemido, recuou 55%, de R$ 5.600 para R$ 2.499,90. No sentido contrário, o Arceus LV.X da coleção Arceus, de 2009, saltou de R$ 399,50 para R$ 900, alta de 125%.
Os números ajudam a desfazer uma ideia comum, a de que toda carta de Pokémon só sobe. Lançamentos costumam abrir com preços inflados pela euforia e pela pouca oferta, e se acomodam quando mais caixas chegam ao mercado. Cartas antigas, por outro lado, têm oferta cada vez menor, mas também menos compradores dispostos a pagar o preço pedido.
O que faz uma carta de Pokémon valer mais
• Estado de conservação: nas cartas mais caras, é o que mais pesa. Uma carta de dezenas de milhares de reais precisa estar em condição praticamente perfeita para chegar a esse valor, e qualquer dano, por menor que seja, derruba o preço. Por isso, cartas avaliadas e lacradas por empresas de certificação, as chamadas cartas graduadas, costumam valer mais.
• Raridade e tiragem: versões especiais, como as Gold Star, as Shining e as ilustrações alternativas das coleções atuais, saem em menor quantidade e concentram os preços mais altos.
• Pokémon estampado: Charizard, Pikachu, Rayquaza, Mew e a família do Eevee têm procura constante e puxam o preço para cima.
• Idioma e edição: a mesma carta pode ter preços bem diferentes em português, inglês ou japonês, e o número impresso (como 107/107) diferencia versões que parecem iguais.
• Liquidez: preço anunciado não é preço de venda. Quanto mais cara a carta, menor o número de compradores, e a negociação pode levar meses.
Onde acompanhar o preço das cartas
Foi para responder a essas perguntas com dados que surgiu o Deck Certo. Criado em 2025, o site reúne os preços de mais de 45 mil cartas de Pokémon, além de Magic: The Gathering, Yu-Gi-Oh!, One Piece e Disney Lorcana, atualizados todos os dias e em reais.
Na prática, o colecionador consegue buscar o valor de uma carta específica, ver o ranking das mais caras das principais coleções, conferir as maiores altas e quedas da semana e acompanhar o histórico de preço em gráfico. O Deck Certo também mantém uma comunidade no WhatsApp com mais de mil colecionadores, onde circulam novidades de lançamentos e promoções.
“Muita gente descobre que tem uma carta valiosa guardada há vinte anos, e muita gente paga caro demais no calor de um lançamento. O nosso trabalho é mostrar o preço real do mercado brasileiro, todos os dias, para que o colecionador decida com informação, e não no impulso”, afirma Giovanni Grabski, fundador e editor-chefe do Deck Certo.
Cuidados antes de comprar ou vender
Para quem pensa em comprar uma carta cara, ou em vender a coleção guardada, alguns cuidados evitam prejuízo:
• Confira coleção e número: o mesmo Pokémon tem dezenas de cartas diferentes, e só o número impresso no canto garante que a comparação é com a carta certa.
• Acompanhe por algumas semanas: em lançamentos, esperar os preços se acomodarem costuma sair mais barato.
• Peça fotos e desconfie de pechinchas: cartas falsificadas circulam, principalmente entre as mais procuradas.
• Encare como hobby: cartas colecionáveis não têm a liquidez nem as garantias de um investimento regulado. A valorização existe, mas não é garantida.
Trinta anos depois do lançamento do primeiro jogo, as cartas de Pokémon seguem atravessando gerações. Para quem coleciona, saber quanto cada uma vale deixou de ser palpite: hoje é possível acompanhar o mercado brasileiro carta por carta, todos os dias.
A OESP não é responsável por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da Daiane de Souza Edição e Conteúdo Ltda.