Hedge cambial para importadores: por que o contrato a termo não é mais suficiente
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 15 de abril de 2026
O contrato a termo, conhecido como NDF, foi por décadas a principal ferramenta de proteção cambial de importadores brasileiros. Sua lógica é simples: travar uma taxa de câmbio para uma data futura e eliminar a incerteza. Funcionou bem enquanto a volatilidade era previsível. O problema é que 2026 não é previsível.
Segundo dados do Banco Central, o volume de operações de hedge cambial no Brasil cresceu 23% em 2025, impulsionado pela instabilidade macroeconômica e pela expansão do comércio exterior. A grande maioria dessas operações, no entanto, ainda se concentra no NDF clássico. E é aí que mora o risco.
O NDF cumpriu seu papel. O mercado mudou.
O NDF faz uma coisa bem: trava a taxa. Mas ao travar a taxa, ele também trava a oportunidade. Se o dólar cai abaixo da taxa contratada, a empresa paga mais do que pagaria no mercado à vista. Em cenários de alta volatilidade, esse custo de oportunidade pode representar milhões em margem perdida ao longo do ano.
Um importador que travou dólar a R$5,80 e viu a moeda cair para R$5,45 perdeu R$0,35 por dólar. Em operações de US$1 milhão por mês, isso significa R$350 mil evaporados em um único mês. E não há como reverter.
“O NDF é como um seguro de preço fixo: você paga o custo inteiro mesmo quando não precisa usar. Para importadores que operam acima de R$1 milhão por mês, essa rigidez ficou inaceitável”, afirma Vinícius Teixeira, fundador da GX Capital.
Opções cambiais: proteção com flexibilidade
A alternativa que ganha espaço entre tesourarias mais sofisticadas é o uso de opções cambiais, combinadas ou não com NDFs, em estruturas de câmbio estruturado. A diferença central: opções permitem que a empresa se proteja contra a alta do dólar sem abrir mão de capturar ganhos em caso de queda.
Na prática, isso se traduz em estruturas como collars (proteção com teto e piso), seagulls (proteção a custo zero) e estratégias de fence, que a GX Capital monta frequentemente para importadores dos setores de eletrônicos, autopeças e farmacêutico.
“Um importador que fatura R$5 milhões por mês em compras internacionais pode economizar entre 2% e 4% do custo cambial anual usando estruturação inteligente em vez de NDF puro. É a diferença entre proteger e otimizar”, explica Teixeira.
A PTAX é a nova realidade do câmbio
A PTAX encerrou 2025 com volatilidade acumulada de 14% em relação a 2024. Para empresas que dependem de insumos importados, essa volatilidade transforma o câmbio de despesa previsível em variável capaz de definir o resultado do trimestre.
O que mudou nos últimos dois anos foi a acessibilidade. Se antes apenas grandes corporações tinham acesso a mesas de operação sofisticadas, hoje boutiques como a GX Capital levam câmbio estruturado para o middle market.
“Nosso cliente típico fatura entre R$1 milhão e R$50 milhões por mês em operações internacionais. São empresas grandes o suficiente para precisar de sofisticação, mas que não encontram esse serviço nos grandes bancos”, aponta Teixeira.
Câmbio estruturado como vantagem competitiva
O câmbio estruturado vai além da proteção pontual. Ele combina instrumentos financeiros (NDFs, opções, swaps, linhas de crédito em moeda) em uma estratégia integrada que leva em conta o fluxo de caixa da empresa, seus ciclos de pagamento e suas metas de margem.
Com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro e tendo vendido uma operação para o líder do setor, Teixeira defende que o câmbio estruturado é a evolução natural para importadores que já superaram a fase do NDF básico.
Para os próximos meses, a tendência é de migração acelerada do hedge simples para estruturas inteligentes, especialmente com o Banco Central sinalizando novos ajustes na política monetária e o cenário internacional sem sinais de estabilização.
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