NAvegue pelos canais

Como funciona o curso de comissário de bordo a distância, da teoria online à imersão na selva
Por PulseBrand

Como funciona o curso de comissário de bordo a distância, da teoria online à imersão na selva

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 8 de outubro de 2026

Quem pesquisa o curso de comissário de bordo a distância costuma chegar com uma dúvida que vem antes do preço e da duração: como se aprende uma profissão de segurança, que exige agir com o corpo, estudando pela tela? A pergunta ganhou peso com as companhias aéreas contratando. A LATAM, que contratou mais de 700 comissários e pilotos no Brasil em 2025, abriu no fim do ano passado um processo seletivo de tripulantes com contratações previstas ao longo de 2026, e a Gol mantém inscrições abertas para um banco de talentos de comissários de voo.

No CEAB, Centro Educacional de Aviação do Brasil, escola de aviação civil com 27 anos de mercado, a resposta está na forma como o curso é dividido. A modalidade a distância segue a mesma régua de saída da turma presencial, que funciona em São Paulo: mesmo conteúdo, mesmas práticas de emergência e o mesmo mercado avaliando quem se forma. O que muda é o caminho. A parte teórica é feita pela internet, de qualquer cidade, e a parte prática fica concentrada numa etapa presencial.

A teoria, de qualquer cidade

A teoria é cursada numa plataforma online, em cerca de cinco meses, com apoio de realidade virtual 360° e simuladores. O aluno organiza o estudo no próprio ritmo, o que permite conciliar o curso com o trabalho ou com outros compromissos. Segundo a escola, o conteúdo inclui serviço de bordo, postura e etiqueta, maquiagem, uso de simulador e antiterrorismo, além da sobrevivência na selva. Os primeiros socorros são um módulo que atravessa todo o curso.

“No ensino a distância, o aluno é dono do próprio horário, e isso também faz parte da formação. Quem organiza cinco meses de estudo por conta própria chega à seleção com a disciplina que a escala de voo vai cobrar”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.

A prática, numa imersão na selva

A parte que não cabe na tela é feita presencialmente, numa imersão na selva: em um dia, no centro de treinamento próprio da escola, a cerca de 74 quilômetros da capital paulista (com o ponto de origem sendo a unidade da Consolação), a turma passa pelos treinamentos práticos de combate ao fogo, marinharia e sobrevivência, com instrutores vindos do mercado aéreo. É desse momento que sai o certificado de treinamento prático.

Cada bloco treina uma situação que o comissário pode enfrentar numa emergência. No combate ao fogo, o aluno pratica a extinção de princípios de incêndio. Na marinharia, aprende a se comportar na água com os equipamentos da aeronave. Na sobrevivência, aprende a fazer fogo e abrigo, a usar a bússola e a preparar armadilhas, técnicas pensadas para manter o grupo vivo e organizado até a ajuda chegar. O treinamento de selva da escola foi registrado em vídeo.

“O aluno a distância estuda sozinho, mas não pratica sozinho. Na imersão, ele precisa decidir em grupo, dividir tarefas e confiar em quem está do lado, que é exatamente o que uma tripulação faz”, afirma Salmeron.

O apoio fora da tela

Entre uma etapa e outra, o aluno a distância conta com apoio presencial. A unidade de Curitiba funciona como ponto de suporte para a modalidade, com laboratório para atividades e cursos complementares. E os alunos em curso, do ensino a distância ao presencial, têm acesso a um aplicativo de saúde da VoxCare, empresa parceira da escola, com teleconsulta médica e apoio psicológico, um cuidado que pesa numa formação que cobra preparo físico e equilíbrio emocional.

O que a seleção confere

No fim da formação, conta o que pode ser comprovado. As companhias deixam claro que o curso faz parte da inscrição: no processo da LATAM, os requisitos incluem ter 18 anos ou mais, ensino médio completo e curso profissionalizante de comissário de voo; no banco de talentos da Gol, a inscrição pede curso completo de comissário de voo. Processos seletivos recentes também têm solicitado documentos como o CCT, Certificado de Conhecimentos Teóricos, e o certificado de treinamento prático.

O que não aparece no papel também é avaliado. A formação em escola de aviação prepara para além do conteúdo técnico: o aluno desenvolve familiaridade com segurança, procedimentos, atendimento, trabalho em equipe, postura profissional e situações práticas da atividade, competências que pesam nas etapas em que o candidato é observado de perto. Depois da aprovação, o preparo continua dentro da companhia. Na Emirates, que recruta tripulantes para voar a partir de Dubai, quem é aprovado passa por sete semanas e meia de treinamento antes de voar.

O que fica por conta do aluno

Parte da lista não depende da escola, e os meses de curso são o momento de organizá-la. O Certificado Médico Aeronáutico (CMA) é um exemplo: a Gol pede CMA de segunda classe válido no momento da inscrição, e a LATAM, CMA com pelo menos um ano de validade. O passaporte precisa estar válido no processo da LATAM e valer por no mínimo seis meses na Gol. A vacina contra febre amarela está entre os requisitos da LATAM; na Gol, o certificado internacional de vacinação pode ser entregue até o primeiro dia de treinamento.

O idioma é o item que mais muda de uma companhia para outra. Na LATAM, inglês ou espanhol no nível 4 da escala da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) conta como diferencial. Na Gol, inglês ou espanhol em nível de conversação é condição para a inscrição. Na Emirates, o inglês fluente, escrito e falado, é obrigatório. Para quem estuda a distância, o horário flexível ajuda a encaixar o idioma ao longo dos meses de teoria.

“A escola cuida da formação. Exame médico, passaporte e idioma ficam com o aluno, e quem deixa essa lista para depois da formatura chega atrasado à primeira seleção que abrir”, diz o diretor.

O ensino a distância mudou a logística da formação de comissários, não a exigência. A teoria passou a caber na rotina de quem mora longe; a prática continua pedindo presença, grupo e instrutor; e a seleção continua conferindo tudo isso. Para quem começa agora, a pergunta útil deixa de ser se dá para estudar de casa e passa a ser como usar os meses de curso para chegar pronto à inscrição.

A OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da PulseBrand

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe