Poder dos passaportes dobra em meio ao recuo da paz global
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de julho de 2026
Os resultados são um forte contraste em relação à edição mais recente do Global Peace Index, que também chega à sua 20ª publicação e apresenta o cenário mais sombrio de sua história. Segundo o Institute for Economics & Peace, o mundo registra o maior número de conflitos com participação de Estados desde a Segunda Guerra Mundial, enquanto o nível de paz global recua pelo 12º ano consecutivo. Hoje, 119 países são menos pacíficos do que em 2008, e 103 se envolveram em conflitos externos nos últimos cinco anos — quase o dobro do número registrado quando o índice foi criado.
Enquanto milhões de viajantes se preparam para cruzar fronteiras durante a alta temporada de férias de verão no Hemisfério Norte, a edição de julho de 2026 do Henley Passport Index — baseada em dados exclusivos da Timatic, da International Air Transport Association (IATA) — mostra que a mobilidade internacional continua a evoluir, apesar de um cenário geopolítico cada vez mais marcado por conflitos.
Singapura mantém o posto de passaporte mais poderoso do mundo, com acesso sem visto a 192 destinos. Os Emirados Árabes Unidos registraram o maior avanço desde janeiro: subiram três posições e agora dividem o 2º lugar com Japão e Coreia do Sul, com acesso a 188 destinos.
O Reino Unido subiu para a 6ª posição após obter acesso sem visto à China e ao Malawi, enquanto o Canadá avançou para 7º. Os Estados Unidos permanecem na 10ª posição e agora estão entre os poucos países mais bem colocados no ranking cujos cidadãos ainda precisam de visto para entrar na China.
O Dr. Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners e criador do Henley Passport Index, afirma que “duas décadas de dados mostram que o poder de um passaporte é uma das expressões mais claras do capital geopolítico de um país. Ele reflete muito mais do que apenas paz ou prosperidade. Os passaportes mais poderosos do mundo pertencem a países que outras nações desejam ter como parceiros — seja no comércio, nos investimentos, na segurança ou na cooperação.”
Vencedores, perdedores e um abismo cada vez maior
Nas últimas duas décadas, a liberdade de viajar pelo mundo se ampliou de forma expressiva. Em 2006, Estados Unidos, Dinamarca e Finlândia lideravam o índice, com acesso sem visto a 130 destinos. Hoje, Singapura lidera, com acesso sem visto a 192 destinos. Ainda assim, a desigualdade global de mobilidade aumentou: passou de 118 destinos para o recorde de 170, com o Afeganistão ainda na última posição.
Os Emirados Árabes Unidos registraram o maior avanço, com a inclusão de 153 destinos sem exigência de visto. Já o passaporte boliviano foi o único do mundo a sofrer uma perda líquida em duas décadas, com seis destinos a menos.
O poder de mobilidade deixou de se concentrar nos tradicionais líderes dos dois lados do Atlântico. Embora a Europa continue a dominar as primeiras posições, os Estados Unidos caíram do 1º para o 10º lugar desde 2006, e o Reino Unido, do 3º para o 6º. Hoje, 38 passaportes dividem posições entre os dez primeiros, ante 26 em 2006.
Quando a paz indica o poder de um passaporte
Uma nova análise da Henley & Partners, que compara o Henley Passport Index (HPI) ao Global Peace Index (GPI) nas últimas duas décadas, aponta uma forte relação positiva entre o nível de paz e o poder dos passaportes (correlação de postos de Spearman: ? = 0,65; p < 0,001). As exceções são ainda mais reveladoras.
Entre os países cujos passaportes têm desempenho muito superior ao que sua posição no ranking de paz indicaria estão Israel (159º no GPI e 18º no HPI), Estados Unidos (134º no GPI e 10º no HPI), França (99ª no GPI e 4ª no HPI), Ucrânia (160ª no GPI e 31ª no HPI), Emirados Árabes Unidos (73º no GPI e 2º no HPI), Coreia do Sul (57ª no GPI e 2ª no HPI), Brasil (124º no GPI e 16º no HPI) e Rússia (163ª no GPI e 47ª no HPI).
Estados Unidos e Israel são os casos mais discrepantes. Embora os Estados Unidos estejam entre os 20% menos pacíficos no Global Peace Index e Israel figure entre os cinco países menos pacíficos do mundo, ambos mantêm passaportes excepcionalmente poderosos. Em meio às tensões com o Irã e à instabilidade no Oriente Médio, que voltam a dominar o noticiário, os dois casos mostram que o poder de um passaporte reflete muito mais do que o grau de paz de um país.
Para muitos países do Sul Global, a paz, por si só, não se traduziu em maior mobilidade. O menor poder de barganha diplomática, a escassez de acordos recíprocos de isenção de visto e um sistema global que privilegia países mais ricos e influentes continuam a limitar o poder desses passaportes. Como afirma o professor Mehari Taddele Maru, do European University Institute, em estudo recente publicado pela Henley & Partners sobre as reformas da política de vistos da União Europeia, aspectos das atuais regras podem reforçar vieses estruturais contra viajantes africanos, o que levanta questões importantes sobre justiça e igualdade na mobilidade global.
Os resultados servem de pano de fundo para o próximo Safe Haven Forum, promovido pela Henley & Partners, que reunirá especialistas em geopolítica, investidores, formuladores de políticas públicas e consultores patrimoniais para discutir estratégias de resiliência por meio da diversificação de residência, cidadania e patrimônio em um mundo cada vez mais fragmentado.
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FONTE Henley & Partners

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