Especialistas internacionais defendem revisão do debate sobre nicotina em simpósio inédito no Brasil
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 14 de abril de 2026
Evento organizado por médicos, com apoio da SPDM, reuniu médicos e pesquisadores para discutir evidências científicas, redução de danos e os desafios das políticas públicas no país
SÃO PAULO, 14 de abril de 2026 /PRNewswire/ — O simpósio Nicotina em Foco: Molécula, Evidências e Oportunidades em Pesquisa, reuniu, na última sexta-feira (10), especialistas internacionais e médicos brasileiros para discutir um tema que vem ganhando novos contornos no cenário global: o papel da nicotina na saúde pública e a necessidade de atualizar o debate à luz de evidências científicas mais recentes. Organizado por uma articulação de médicos e pesquisadores, com apoio da SPDM Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e da Longevidade, o simpósio buscou aproximar ciência, prática clínica e políticas públicas.
Com foco em uma abordagem mais ampla e baseada em ciência, o encontro trouxe ao centro da discussão a importância de diferenciar a nicotina dos danos associados ao cigarro convencional especialmente aqueles causados pela combustão do tabaco.
Participaram do simpósio o farmacologista austríaco Bernhard Michael Mayer, o cardiologista e pesquisador grego Konstantinos Farsalinos e o médico indiano Rohan Sequeira. Em comum, os especialistas destacaram que a maior parte das doenças relacionadas ao tabagismo está ligada às substâncias tóxicas liberadas na queima do cigarro e não à nicotina isoladamente.
“A nicotina está associada ao tabagismo porque historicamente foi consumida por meio do cigarro. Mas isso não significa que ela seja a principal responsável pelas doenças”, foi um dos pontos centrais discutidos durante o encontro.
Um dos temas que chamou atenção foi a distância entre o que mostram os estudos científicos e a percepção geral, inclusive entre profissionais de saúde. Dados apresentados indicam que uma parcela significativa de médicos ainda associa a nicotina diretamente ao câncer e a doenças cardiovasculares, o que, segundo os especialistas, não é sustentado pelas evidências mais recentes.
A explicação, segundo os palestrantes, está na forma como o tema foi estudado ao longo das últimas décadas. Como o consumo de nicotina esteve historicamente ligado ao cigarro, os efeitos do fumo acabaram sendo atribuídos à substância, sem considerar o papel da combustão.
O simpósio também abordou o conceito de redução de danos, já adotado em alguns países como estratégia complementar no controle do tabagismo. A ideia é reconhecer que nem todos os fumantes conseguem parar completamente e, por isso, alternativas com menor exposição a substâncias tóxicas podem ter um papel na saúde pública.
Segundo os especialistas, produtos sem combustão tendem a reduzir significativamente a exposição a compostos nocivos, embora não sejam isentos de risco. O desafio, nesse cenário, é equilibrar informação, regulação e proteção à saúde.
O debate ganha relevância em um momento de mudança no padrão de consumo no país. Apesar da queda expressiva no número de fumantes nas últimas décadas, milhões de brasileiros ainda fumam, e o uso de novas formas de consumo de nicotina, especialmente entre jovens, já é uma realidade — mesmo com restrições regulatórias.
Para os participantes, esse cenário exige uma atualização do debate público, com base em evidências e foco em estratégias eficazes de saúde. A principal mensagem do encontro foi clara: o debate internacional sobre nicotina está evoluindo e acompanhar essa transformação é fundamental para decisões mais informadas no campo da saúde pública.
Foto – https://mma.prnewswire.com/media/2956209/Nicotina_em_Foco.jpg
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FONTE SPDM

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