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Reforma tributária redesenha o tabuleiro estratégico do setor de telecomunicações no Brasil
Por PressWorks

Reforma tributária redesenha o tabuleiro estratégico do setor de telecomunicações no Brasil

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de junho de 2026

Para consultoria estratégica, a mudança vai além do ajuste fiscal: exige revisão de modelos de negócio, precificação, estrutura societária e teses de aquisição

A reforma tributária brasileira, em implementação gradual desde o início de 2026, está redefinindo as regras do jogo para o setor de telecomunicações de uma maneira que vai muito além do impacto contábil. Para a ADVISIA OC&C, consultoria estratégica global com 35 anos de atuação e presença em 15 países, o setor de telecom enfrenta uma das transições mais complexas entre todos os segmentos da economia brasileira, e quem tratar a reforma como um problema tributário, e não como uma questão estratégica, já começou a perder.

A carga tributária sobre serviços de telecomunicações, que pode superar 30% quando somados tributos e taxas setoriais, tem tudo para ser ainda mais pressionada com a consolidação do novo regime. Com a aprovação da Lei Complementar 214/2025, os cinco tributos que incidem sobre o setor (ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI) serão substituídos pelo IVA Dual, composto pela CBS federal e pelo IBS estadual/municipal. A transição ocorre de forma escalonada até 2032, mas seus efeitos estratégicos já estão se manifestando agora.

“A reforma tributária não é um exercício de simplificação. É uma mudança de tabuleiro. O setor de telecom, que já opera em um ambiente de alta complexidade regulatória e compressão de margens, vai se deparar com uma reconfiguração profunda dos seus modelos de negócio. Quem entender essa mudança antes, tem vantagem competitiva real. Quem esperar o impacto aparecer no balanço, vai correr atrás”, afirma Daniel Wada, sócio da ADVISIA OC&C com mais de 25 anos de experiência em estratégia para o setor de Telecomunicações.

Ganhadores, perdedores e a lógica da transição

O impacto da reforma não será homogêneo dentro do próprio setor. Para operadoras de telefonia e TV por assinatura, que já enfrentavam ICMS superior a 25% e PIS/ Cofins cumulativos, a expectativa é de estabilização ou leve redução da carga efetiva, desde que o aproveitamento de créditos seja bem estruturado. Para provedores de internet, a situação é mais delicada: a extinção da Norma 4/1995 da Anatel, que requalificará os serviços de acesso à internet como SCM a partir de 2027, amplia o escopo de tributação e exige revisão de modelos de precificação.

Os Serviços de Valor Adicionado ( SVAs ) representam outro ponto de atenção. No curto prazo, durante a transição, os SVAs ainda operam com tributação mais favorável (9,25% de PIS/ Cofins e 5% de ISS). A partir de 2032, essa proteção desaparece: todo o portfólio de SVAs passará a ser tributado pela alíquota cheia do IVA. Segundo Wada, esse é um dos pontos críticos que a maioria das empresas do setor ainda não incorporou ao planejamento estratégico.

“Os próximos seis anos são uma janela. Operadoras que souberem curar o portfólio de SVAs, identificar quais serviços têm margem sustentável no novo regime e quais precisam ser reprecificados ou descontinuados, vão sair da transição com uma operação mais enxuta e rentável. Quem não fizer essa leitura agora vai chegar em 2032 com passivos estratégicos que não consegue resolver de última hora,”destaca o sócio da ADVISIA OC&C.

Reforma como vetor de M&A e consolidação

Para a ADVISIA OC&C, a reforma tributária também está acelerando um ciclo de fusões, aquisições e parcerias estratégicas no setor. A mudança na lógica de créditos tributários, a reconfiguração das margens operacionais e a pressão sobre empresas de menor porte criam um ambiente propício para movimentos de consolidação. Provedores regionais com menor capacidade de adaptação à nova complexidade fiscal podem se tornar alvos de aquisição por grupos mais estruturados.

No Brasil, analistas projetam crescimento em torno de 10% no valor das transações de M&A em 2026, com o volume financeiro do mercado podendo atingir cerca de US$ 55 bilhões. No setor de telecomunicações especificamente, estratégias de joint-ventures e fusões surgem como ferramentas de otimização da carga tributária e de reposicionamento competitivo.

Do ponto de vista das operações de M&A, a reforma exige atenção redobrada nas due diligences. Empresas que hoje acumulam créditos tributários sob o regime atual podem se tornar alvos estratégicos valiosos. Ao mesmo tempo, ativos com passivos fiscais mal mapeados ou com dependência de benefícios que serão extintos na transição podem apresentar riscos que ainda não estão precificados corretamente.

“A reforma tributária está criando um momento muito específico para o mercado de M&A em telecomunicações. A mudança na lógica de créditos, a pressão sobre margens e a necessidade de reinvestimento em sistemas estão forçando empresas a reverem seu posicionamento estratégico. Isso gera tanto alvos de aquisição quanto oportunidades para quem tem capital e clareza sobre onde quer chegar,”

avalia André Alves, sócio da ADVISIA Investimentos com especialização em M&A no setor de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações.

“A reforma já está alterando o valuation de empresas no setor. Créditos tributários não aproveitáveis, exposição a SVAs com tributação crescente e a necessidade de reinvestimento em sistemas fiscais mudam o EBITDA projetado e, consequentemente, o preço de qualquer transação. Quem não incorporar essa análise à due diligence hoje está trabalhando com um mapa desatualizado,” ressalta Daniel Wada, sócio da ADVISIA OC&C.

Por que as decisões de agora são irreversíveis

O próximo marco da transição é 2027, quando o PIS/ Cofins será extinto e a CBS passa a vigorar de forma plena. Para o setor de telecomunicações, esse é o primeiro grande ponto de ruptura: a lógica de apuração de créditos muda estruturalmente, e empresas que não tiverem revisado contratos, sistemas e estratégia de precificação até lá entrarão no novo regime sem planejamento. O prazo é menor do que parece.

A ADVISIA OC&C aponta que as decisões tomadas agora, sobre estrutura societária, portfólio de serviços, estratégia de precificação e movimentos de M&A, serão determinantes para a posição competitiva que cada empresa vai ocupar quando o novo regime estiver plenamente vigente em 2033. O setor de telecom, que já é intensivo em capital e opera com ciclos longos de investimento em infraestrutura, não tem margem para adiar essa adaptação.

“A conversa sobre reforma tributária em telecom não pode ficar restrita ao departamento fiscal. Ela precisa chegar ao board. As escolhas que as empresas fazem hoje sobre estrutura de capital, portfólio e crescimento inorgânico vão definir quem lidera o setor daqui a cinco anos. E 2027 está mais perto do que parece”, concluí Daniel Wada.

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