Maternidade mais tardia muda o jogo para mulheres no mercado de trabalho
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 8 de maio de 2026
Com filhos chegando em fases mais avançadas da carreira, empresas enfrentam um novo desafio de adaptação
O momento em que as mulheres se tornam mães mudou e isso está redesenhando a dinâmica dentro das empresas. A maternidade, que antes costumava ocorrer no início da vida profissional, hoje acontece em fases mais estratégicas da carreira. Entre mães e gestantes ouvidas pelo Infojobs, 48% têm 35 anos ou mais, sendo 28% com 45 anos ou mais e 20% entre 35 e 44 anos. Esse movimento traz novas complexidades. Mulheres chegam à maternidade já inseridas em projetos relevantes, ocupando posições de liderança intermediária e com trajetórias em consolidação.
Dados do Infojobs indicam que esse novo perfil exige respostas mais sofisticadas das organizações, que ainda operam, em grande parte, com modelos pensados para trajetórias lineares. Ao mesmo tempo, os dados mostram fragilidades estruturais: 36% das mães e gestantes estão desempregadas e apenas 2% ocupam cargos de liderança sênior ou diretoria.
Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o impacto dessa mudança é direto. “A maternidade passou a acontecer em momentos diferentes da carreira e isso exige que as empresas revejam não apenas políticas internas, mas a forma como enxergam desenvolvimento, permanência e crescimento profissional ao longo da vida”, afirma.
Na prática, o desafio vai além do retorno ao trabalho. Envolve continuidade de projetos, manutenção de protagonismo e acesso a novas oportunidades. Hoje, 25% afirmam que já deixaram de se candidatar a vagas de maior responsabilidade por entenderem que a empresa não oferecia suporte para equilibrar carreira e família.
Ao mesmo tempo, essas mulheres tendem a ter maior clareza sobre seus limites e prioridades, o que cria um tensionamento com modelos rígidos de trabalho. Não por acaso, 54% apontam políticas reais de flexibilidade e apoio corporativo como fator essencial para conciliar maternidade e ascensão profissional, enquanto 53% destacam a importância de lideranças inclusivas.
Há também um impacto simbólico relevante. Mulheres que conseguem avançar após a maternidade tornam-se referência. As que desaceleram reforçam um padrão já conhecido. Entre as respondentes, 13% dizem ter optado por se estabilizar na função atual para conseguir conciliar prioridades.
O mercado ainda reage de forma lenta a essa transformação. Políticas continuam sendo desenhadas para um perfil que já não representa a maioria. Prova disso é que 42% dizem não se sentir à vontade para priorizar demandas dos filhos sem receio de prejudicar o crescimento profissional, enquanto 30% relatam aumento de questionamentos sobre horários e dedicação após a maternidade.
O resultado é um desalinhamento entre realidade e estrutura, que recai, mais uma vez, sobre a mulher. “Quando maternidade e carreira são tratadas como caminhos incompatíveis, todos perdem. A profissional, que vê seu potencial limitado, e a empresa, que desperdiça talento. O avanço real passa por criar estruturas de apoio para que nenhuma mulher precise escolher entre crescer no trabalho e estar presente na família”, conclui Ana Paula Prado.
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