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Empresas ainda falham ao mapear riscos psicossociais e expõem lacuna na gestão exigida pela NR-1
Por PressWorks

Empresas ainda falham ao mapear riscos psicossociais e expõem lacuna na gestão exigida pela NR-1

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 22 de maio de 2026

Levantamento do Pandapé revela que o desafio está menos no orçamento e mais na capacidade de transformar saúde mental em gestão contínua

A exigência de mapear riscos psicossociais no ambiente de trabalho, reforçada pela revisão da NR-1, trouxe para o centro da gestão de pessoas uma atividade que muitas empresas ainda não dominam: identificar, medir e acompanhar fatores que impactam a saúde mental dos colaboradores.

Pesquisa recente do Pandapé, software de recrutamento e seleção mais usado na América Latina, indica que apenas 40,51% das empresas realizam o mapeamento de riscos psicossociais de forma estruturada. Outros 40,84% fazem isso apenas parcialmente, enquanto 18,65% não realizam nenhum tipo de mapeamento.

Na prática, o dado revela que mais da metade das organizações ainda não possui um processo robusto para atender uma das principais exigências da norma.

A dificuldade, segundo o levantamento, não está concentrada em orçamento. Entre os principais entraves apontados pelos profissionais de RH estão a falta de conhecimento técnico e a ausência de metodologia clara para conduzir o processo.

O levantamento também mostra que a dificuldade não está concentrada em orçamento. Entre os principais entraves apontados pelos profissionais de RH estão a falta de conhecimento técnico e a ausência de metodologia clara para conduzir o processo. O cenário indica uma lacuna menos relacionada à capacidade de investir e mais à capacidade de estruturar operações, interpretar dados e transformar informação em gestão contínua.

Para Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, um dos principais erros das empresas é tratar o mapeamento como uma ação isolada, e não como parte permanente da estratégia organizacional.

“As empresas aprenderam a medir produtividade, turnover e performance ao longo dos anos, mas poucas desenvolveram maturidade para medir desgaste emocional e risco psicossocial de forma estruturada. Para gerenciar o tema, é necessário monitorar para prevenir”, afirma.

Segundo a executiva, muitas organizações ainda operam em uma lógica reativa, baseada em percepções e/ ou iniciativas desconectadas, sem um sistema consistente de acompanhamento.

“Existe uma diferença importante entre escutar colaboradores e gerir risco psicossocial. A gestão do tema requer método para atuar sobre questões estruturais”, explica Patricia Suzuki.

Outro ponto crítico está na qualidade dos dados utilizados. Sem indicadores consistentes e leitura integrada das informações, as empresas acabam reagindo apenas aos sintomas mais visíveis, sem identificar os fatores que sustentam o problema no dia a dia da operação.

“O risco psicossocial é dinâmico. Ele muda com o modelo de liderança, com a pressão por resultado, com a forma como as relações se estabelecem dentro da empresa e até com o momento de negócio. Quando não existe acompanhamento contínuo, a organização perde capacidade de antecipação e passa a atuar apenas de forma reativa, quando já são registrados casos de afastamento, queda de performance ou ruptura cultural”, diz.

O impacto dessa lacuna vai além do cumprimento da norma. A ausência de um mapeamento consistente dificulta a priorização de ações, reduz a efetividade das iniciativas de saúde mental e aumenta a exposição a riscos trabalhistas e problemas de retenção.

Mesmo entre as empresas que já iniciaram esse processo, a execução ainda é heterogênea. Parte delas realiza levantamentos pontuais, sem integração com outras áreas ou sem transformar os dados em decisões práticas de gestão.

Para Patricia Suzuki, a revisão da NR-1 tende a acelerar a profissionalização dessa agenda, mas também evidencia fragilidades que já existiam dentro das organizações.

“A NR-1 desafia as organizações a transformar gestão psicossocial como pauta prioritária, com método, indicadores e acompanhamento contínuo. Sem isso, o mapeamento vira apenas um requisito formal, mas não produz mudança concreta no ambiente de trabalho”, finaliza.

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