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Por que grandes investidores voltaram os olhos para ativos reais
Por Fabio Soares

Por que grandes investidores voltaram os olhos para ativos reais

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 24 de agosto de 2026

Em um mundo tão incerto, as maiores gestoras de recursos, fundos de pensão e investidores institucionais do planeta migram suas estratégias para algo, literalmente, concreto.

Rodovias, linhas de transmissão de energia, portos e redes de saneamento são alguns dos chamados ativos reais, que atraem capital de forma cada vez mais consistente.

Diferentemente dos ativos puramente financeiros, como ações negociadas em bolsa ou títulos de dívida sem lastro físico, os ativos reais representam bens tangíveis de valor intrínseco e essencial para o funcionamento da sociedade. O conceito engloba empreendimentos de infraestrutura, galpões logísticos, edifícios comerciais, terras agrícolas e até data centers.

A busca por ativos desse tipo, tanto no Brasil quanto no exterior, se dá por conta da instabilidade econômica global. De forma geral, investir em ativos reais significa mais estabilidade e proteção patrimonial, além de uma forma de diversificar portfólio para além de produtos de renda fixa.

A proteção contra a inflação e a previsibilidade de caixa

O principal motor que impulsionou a alocação em ativos reais foi a busca por proteção do poder de compra. Por estarem diretamente conectados à economia física, esses bens possuem uma capacidade natural de repassar a variação dos preços ao longo do tempo.

Na infraestrutura e no setor imobiliário corporativo, por exemplo, a ampla maioria dos contratos de concessão ou de locação de longo prazo conta com cláusulas de reajuste anual atreladas automaticamente a índices oficiais de inflação, como o IPCA ou o IGP-M.

Essa característica garante aos investidores uma previsibilidade de geração de caixa rara em outros segmentos do mercado.

Enquanto ativos tradicionais de renda fixa ou variável podem ter suas margens corroídas pela alta dos custos operacionais em períodos inflacionários, os ativos reais entregam um fluxo de caixa constante e com taxa de retorno real garantida.

Para fundos de previdência e investidores que possuem passivos de longo prazo a honrar, essa combinação de resiliência e previsibilidade é o cenário ideal.

Outro ponto que conta a favor desses ativos é o benefício da diversificação patrimonial e redução de volatilidade.

Os ativos reais apresentam baixa correlação com os altos e baixos das bolsas de valores. O valor de um porto marítimo, de uma floresta de eucaliptos ou de uma linha de transmissão elétrica não oscila de acordo com o humor diário do mercado financeiro ou de especulações de curto prazo.

Isso porque seu retorno está ancorado na utilização efetiva e na demanda contínua da sociedade por serviços essenciais.

Bom lembrar também que, mesmo em momentos de incerteza econômica global, ter água tratada, energia elétrica, transporte de grãos pelas rodovias e conexões de internet continuam sendo essenciais.

Essa demanda inelástica confere aos ativos reais um caráter defensivo que funciona como uma espécie de âncora de estabilidade para as carteiras em momentos de estresse macroeconômico.

Amadurecimento do mercado brasileiro

No Brasil, a evolução do ambiente regulatório e o amadurecimento do mercado de capitais contribuíram para o aumento da tendência.

Antigamente o investimento em grandes obras de infraestrutura no Brasil ficava restrito a gigantes do setor da construção ou dependia exclusivamente de financiamentos do Tesouro e de bancos públicos, coisa que já não acontece mais, graças à entrada do investimento privado no setor.

A promulgação de novos marcos legais, como o do Saneamento Básico e da Infraestrutura, combinada com a consolidação de produtos financeiros na bolsa de valores, como os Fundos Imobiliários (FIIs), democratizou o acesso a essa classe de ativos.

Hoje, investidores de perfis diversos conseguem comprar cotas de empreendimentos estratégicos com liquidez diária e isenção fiscal nos proventos mensais.

Um cenário que impulsiona o mercado nessa direção: dados recentes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e da B3 mostram que fundos e papéis atrelados a ativos tangíveis alcançaram patamares inéditos no País.

As emissões de debêntures incentivadas de infraestrutura somaram R$ 62,5 bilhões em 2025, o equivalente a 46,3% de todo o montante captado em 2024 — ano que já havia estabelecido um recorde histórico.

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