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O papel da bioenergia na transição energética global e a liderança do Brasil
Por Fabio Soares

O papel da bioenergia na transição energética global e a liderança do Brasil

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 24 de setembro de 2026

Enquanto a tecnologia avança a passos largos, a busca global por uma geração de energia sustentável que dê conta de atender à demanda crescente é inevitável e urgente. E é neste cenário que a bioenergia emerge como um dos pilares estratégicos para a matriz energética moderna. 

Muito além da substituição de combustíveis fósseis, a bioenergia abrange a geração de eletricidade, calor e biocombustíveis a partir de resíduos e matérias-primas orgânicas, como cana-de-açúcar, milho, biomassa florestal, resíduos agrícolas e efluentes agropecuários. Sua importância está na capacidade de oferecer energia limpa, renovável e com baixa emissão de gases de efeito estufa.

Diferentemente de fontes como a solar e a eólica, que dependem diretamente das condições climáticas, a bioenergia oferece geração contínua ao sistema elétrico e contribui para a descarbonização de outros setores estratégicos, como o transporte de cargas pesadas e a indústria. 

Origem e expansão do setor 

A história da bioenergia comercial no Brasil começa na década de 1970, com a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), formulado em resposta às crises internacionais do petróleo. O País foi o primeiro a criar uma cadeia em escala industrial focada no etanol de cana-de-açúcar. Com o passar das décadas, o setor foi se consolidando com a chegada dos veículos flex e a cogeração de energia elétrica a partir da queima do bagaço da cana. 

Nos últimos 20 anos, o mercado expandiu as fronteiras com a obrigatoriedade da mistura do biodiesel e a ascensão do etanol de milho no Centro-Oeste, além do uso de biomassa florestal de eucalipto para celulose e energia. Esses avanços ampliaram a relevância do mercado brasileiro no setor. 

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA) e o Balanço Energético Nacional, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a biomassa responde hoje por mais de 18% da matriz energética brasileira, número bem superior à média global, de cerca de 6%. Um cenário que coloca o Brasil entre os maiores produtores globais de biocombustíveis e o torna referência na produção de etanol e biodiesel. 

Na geração de eletricidade, a biomassa representa cerca de 8% da capacidade instalada da matriz elétrica nacional, responsável por injetar energia na rede justamente no período de seca das hidrelétricas. 

O avanço desse tipo de energia ocorre no mundo todo. Na Europa e na Ásia, a adoção do biogás e da biomassa é impulsionada pela busca por independência energética e também pelas metas do Acordo de Paris, tratado internacional feito com o objetivo de limitar o aquecimento global.

Desafios e o futuro do setor

Apesar do seu histórico de sucesso e do potencial de crescimento, a expansão da bioenergia enfrenta desafios logísticos, tecnológicos e regulatórios relevantes. O primeiro deles é o gargalo de infraestrutura de transporte e distribuição, que exige altos investimentos em ferrovias, dutos e redes de transmissão elétrica. Isso porque a produção de biomassa e biocombustíveis se dá em regiões agrícolas distantes dos grandes centros consumidores e dos portos de exportação. 

Outro desafio é o de consolidar novas tecnologias de escala, como o etanol de segunda geração e a purificação do biogás para biometano. As tecnologias exigem elevado investimento inicial e previsibilidade regulatória para amortização no longo prazo, dois pontos que precisam coexistir.

As perspectivas para os próximos anos, no entanto, são altamente promissoras, impulsionadas pelo avanço das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro e do programa RenovaBio. Trata-se da Política Nacional de Biocombustíveis do Brasil, que visa reduzir a emissão de gases de efeito estufa no setor de transportes, cumprir o Acordo de Paris e dar previsibilidade ao mercado de combustíveis por meio de metas de descarbonização e dos Créditos de Descarbonização, chamados CBios. 

A bioenergia brasileira também se prepara para liderar a produção global de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e de diesel verde (HVO), insumos relevantes para a descarbonização da aviação e de diferentes segmentos do transporte global. A urgência está no fato de a aviação comercial hoje ser responsável por cerca de 2,5% das emissões globais de gás carbônico, sendo que a eletrificação e o uso de hidrogênio ainda enfrentam limitações de peso e autonomia para aplicação em larga escala na aviação comercial no curto e médio prazo.

Frente a esse desafio, o SAF se apresenta como uma solução viável e imediata, já que esse tipo de combustível poderia ser misturado diretamente ao querosene de aviação fóssil sem que os motores ou a infraestrutura dos aeroportos precisassem ser modificados.

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