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Marcação a mercado: por que o preço do seu título muda quando os juros sobem ou caem
Por Fabio Soares

Marcação a mercado: por que o preço do seu título muda quando os juros sobem ou caem

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de outubro de 2026

  • Quando as taxas de mercado caem, os títulos prefixados e atrelados à inflação tendem a se valorizar; quando sobem, ocorre o contrário
  • Títulos com maior sensibilidade aos juros podem apresentar oscilações mais acentuadas antes do vencimento
  • Prazo, liquidez e condições de resgate precisam estar alinhados à data em que o dinheiro será necessário

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, em 16 de setembro. Movimentos como esse ajudam a colocar em evidência uma característica da renda fixa: o preço de um título pode mudar antes do vencimento, mesmo quando sua regra de remuneração permanece a mesma.

Essa variação acompanha as taxas de juros de mercado, que incorporam expectativas sobre inflação, decisões do Banco Central e condições da economia. Por isso, elas podem se movimentar antes de uma mudança na Selic e não necessariamente seguem a taxa básica na mesma proporção.

O mecanismo que atualiza o preço dos títulos se chama marcação a mercado. Ele explica por que alguns investimentos podem apresentar valorização ou desvalorização no extrato antes de o investidor vender qualquer ativo.

O que é marcação a mercado

Marcação a mercado é a atualização do preço de um ativo pelo valor que ele teria se fosse negociado naquele momento. Esse preço pode ser diferente daquele pago pelo investidor na compra. Uma comparação é a de um imóvel: se o bairro se valoriza ou perde valor, a avaliação do apartamento muda, ainda que o proprietário não tenha vendido nada.

Na renda fixa, a lógica é parecida. Um título prefixado adquirido com rentabilidade de 14% ao ano até 2029 mantém as condições contratadas. Se o investidor quiser vendê-lo antes do vencimento, porém, o preço da negociação será compatível com as taxas que o mercado oferece naquele momento para títulos de características semelhantes. A marcação a mercado atualiza o valor do papel para refletir essas condições.

Por que juros e prazo importam tanto

Nos títulos prefixados e atrelados à inflação, a relação entre taxa de mercado e preço é inversa: quando a taxa sobe, o preço cai; quando ela recua, o preço sobe.

Imagine que você comprou um título prefixado com rentabilidade de 12% ao ano. Meses depois, títulos com prazo restante e características semelhantes passam a oferecer 14%. Para que o seu papel seja competitivo, seu preço precisa cair, permitindo que quem o compre obtenha uma rentabilidade compatível com a nova taxa de mercado.

No caminho oposto, se a taxa passa a ser de 10%, o título adquirido a 12% se valoriza. Por isso, a queda das taxas de mercado pode elevar o saldo de quem possui títulos prefixados ou atrelados à inflação.

Nem todo título, porém, reage da mesma forma. O prazo até o vencimento e a distribuição dos pagamentos ao longo do tempo influenciam a intensidade das oscilações. Um indicador usado para estimar a sensibilidade do preço às mudanças nas taxas de juros é a duration modificada.

Como aproximação, um título com duration modificada de 8 pode apresentar queda de cerca de 8% no preço se sua taxa de mercado subir 1 ponto percentual, ou de cerca de 4% se a alta for de 0,5 ponto. A variação efetiva pode ser diferente, pois a relação entre preço e taxa não é linear.

Em geral, títulos com vencimentos mais distantes apresentam maior sensibilidade aos juros quando comparados a papéis com características semelhantes. Os pagamentos intermediários, como os juros semestrais, também influenciam essa sensibilidade.

No Tesouro Prefixado e no Tesouro IPCA+, manter o título até o vencimento assegura a rentabilidade bruta contratada na compra, conforme as regras de cada produto: a taxa prefixada ou a variação da inflação acrescida da taxa combinada. A oscilação do preço no meio do caminho não altera essas condições.

Na venda antecipada, o resultado depende do preço de mercado naquele momento e do rendimento acumulado desde a compra. Uma alta das taxas pode reduzir o retorno ou até fazer o investidor receber menos do que aplicou, mas não significa necessariamente perda de parte do valor inicial.

O efeito da marcação a mercado nos investimentos

Um erro comum de quem começa a aplicar em renda fixa é comprar um título longo sem considerar que o dinheiro poderá ser necessário antes do vencimento. Se a venda ocorrer em um momento desfavorável, o valor recebido pode ficar abaixo do esperado ou do montante aplicado.

Por isso, a regra prática é combinar o prazo do título com o objetivo financeiro. Para recursos que poderão ser necessários em um ano, convém avaliar alternativas com menor oscilação e liquidez compatível com esse período. Ser pós-fixado, por si só, não garante que o dinheiro estará disponível: é preciso conferir as condições de resgate.

Nos fundos de renda fixa, os preços de mercado dos ativos também influenciam o valor das cotas. Assim, um fundo com exposição a títulos mais sensíveis aos juros pode apresentar queda na cota mesmo que os emissores continuem cumprindo seus pagamentos.

Há uma diferença em relação à compra direta de um título: o fundo reúne uma carteira de ativos, que pode mudar ao longo do tempo. Por isso, a lógica de manter um papel até o vencimento para receber a rentabilidade contratada não se aplica automaticamente à cota do fundo.

Antes de aplicar, vale consultar a composição da carteira, sua exposição às oscilações dos juros e os prazos de conversão das cotas e pagamento do resgate. Essas informações ajudam a avaliar se o produto combina com o objetivo e com a necessidade de acesso ao dinheiro.

Gestoras como o Patria selecionam e acompanham os ativos conforme a estratégia e as regras de cada fundo. Ao investidor cabe avaliar se essa estratégia, os prazos de resgate e as oscilações possíveis são compatíveis com seus objetivos.

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