Infraestrutura e crédito ganham espaço com juros elevados, diz CEO do Patria
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 18 de agosto de 2026
Os juros devem permanecer elevados por mais tempo e manter o interesse dos investidores por infraestrutura e crédito nos próximos anos. A avaliação é de Alexandre Saigh, cofundador e CEO do Patria, que, em entrevista ao Estadão, detalhou a estratégia de expansão internacional da gestora e apontou a segurança regulatória e o baixo risco geopolítico da América Latina como atrativos para investimentos estrangeiros de longo prazo.
Uma das maiores gestoras de ativos do Hemisfério Sul, o Patria administra atualmente US$ 62 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 317 bilhões. Em 2024, esse volume era de US$ 40 bilhões, e a meta é alcançar US$ 70 bilhões até o fim de 2027. Segundo Saigh, tal crescimento acompanhou o avanço da internacionalização, que ganhou papel central na estratégia da companhia após a abertura de capital, em 2021.
O movimento começou na América do Sul, inicialmente pelo Chile, e avançou para Colômbia e Peru. O México é apontado pelo executivo como o último mercado estratégico da expansão regional. A entrada no país teve início com a aquisição de uma operação voltada a fundos imobiliários listados, com foco em ativos logísticos.
Fora da América Latina, o Patria adquiriu, em 2023, uma operação da Abrdn, assumida no início de 2024, e passou a atuar a partir de escritórios em Londres e Edimburgo. A gestora também comprou a WP Global Partners, nos Estados Unidos. Enquanto na América Latina o Patria investe diretamente em empresas, infraestrutura e ativos imobiliários, no Reino Unido e na Europa a atuação inclui fundos que aplicam recursos em outros fundos.
Nesse segmento, a gestora concentra sua atuação no middle market. De um universo de aproximadamente 8 mil gestores, seleciona cerca de 70, menos de 1% do total. De acordo com Saigh, esses gestores administram fundos com patrimônio entre US$ 1 bilhão e US$ 5 bilhões. O mercado global de ativos alternativos, área na qual o Patria atua, movimenta cerca de US$ 25 trilhões, segundo o executivo.
A internacionalização também aparece na distribuição dos clientes e dos ativos da companhia. Atualmente, 15% dos clientes do Patria estão no Brasil, 25% no restante da América Latina e 60% em outras regiões. Em relação aos investimentos, 30% estão no Brasil, 30% nos demais países latino-americanos e 40% fora da região.
Saigh afirmou que o interesse dos investidores se modificou desde a pandemia, com aumento da demanda por infraestrutura e crédito e redução da procura por private equity. A mudança está relacionada ao ambiente de juros elevados, que reduz a atratividade dos investimentos em renda variável. Como o Patria já havia desenvolvido essas áreas anteriormente, a gestora estava posicionada para atender à nova demanda.
Na avaliação do CEO, os juros devem permanecer altos nos próximos anos, e uma queda mais expressiva deve ocorrer apenas no longo prazo. Ele relaciona essa perspectiva não apenas a questões brasileiras, mas também aos conflitos internacionais, às tarifas comerciais e às transformações em curso no comércio global. Diante desse ambiente, Saigh aponta a diversificação entre crédito estruturado, mercado imobiliário, infraestrutura e renda variável como uma forma de proteção diante das mudanças no cenário econômico.
O executivo também destacou diferenças entre os investidores brasileiros e estrangeiros. Enquanto o investidor local tende a buscar liquidez diária e rentabilidade elevada, tendo o CDI como referência, o internacional procura ativos de maior duração. Para aplicar recursos na América Latina, esse investidor observa principalmente a estabilidade do arcabouço regulatório e a continuidade dos contratos ao longo de diferentes governos.
Segundo Saigh, o Brasil preservou e aprimorou as regras de setores como saneamento, gás e energia elétrica. O executivo citou ainda Chile e Colômbia entre os países que mantiveram a estabilidade institucional necessária aos projetos de longo prazo. Outro aspecto favorável à região, em sua avaliação, é o baixo risco geopolítico, que ganhou relevância diante dos conflitos na Europa e no Oriente Médio e das mudanças políticas nos Estados Unidos.
No Brasil, o saneamento está entre as áreas que despertam maior interesse do Patria. A gestora venceu uma concessão em Pernambuco e está estruturando a Vita Sertão, empresa que atuará na ampliação dos serviços de água e esgoto. Para Saigh, o marco regulatório e a manutenção de suas regras são fundamentais para viabilizar os aportes privados necessários ao setor.
Outro foco é o mercado de data centers. O Patria fechou um contrato para a construção de um data center destinado à ByteDance em Pecém, no Ceará, em um projeto desenvolvido com a Omnia. O empreendimento prevê R$ 12 bilhões em investimentos e capacidade total de 1 GW. A primeira fase corresponderá a 20% do projeto, com 200 MW.
De acordo com Saigh, a disponibilidade de energia renovável a custo relativamente baixo oferece ao Brasil uma vantagem competitiva para o processamento de dados. Na avaliação do executivo, os data centers permitem transformar a energia produzida no País em um produto de maior valor agregado. “Em vez de exportar a energia diretamente, você exporta dados”, afirmou.
Leia a íntegra da entrevista no site do Estadão.
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