Os custos invisíveis que atrapalham a operação das empresas
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 5 de agosto de 2026
* Por Leandro Hiebl, CEO de AgilFix
Existem alguns custos que são, praticamente, culturais. Tão normalizados que quase sempre aparecem nas planilhas como necessidade e nunca como gastos. No entanto, além do prejuízo financeiro, esses “fantasmas do orçamento” podem esconder uma ameaça muito mais perigosa para os empresários: a dificuldade de questionar antigos protocolos e inovar. Afinal, quando um processo deixa de ser revisado apenas porque “sempre foi assim”, a empresa perde oportunidades de reduzir custos, ganhar eficiência e se adaptar às mudanças do mercado.
Um exemplo deste fenômeno que perpassa a maioria das empresas pode ser observado mais nitidamente no setor logístico. Até o início do ano, o plástico de uso único utilizado apenas para prender a carga aos pallets de transporte era tratado como um insumo indispensável, raramente questionado sob a ótica dos custos ou da eficiência. No entanto, a alta no preço dos derivados de petróleo, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, alterou esse cenário. O filme stretch registrou aumento superior a 60% no preço, fazendo com que muitos gestores questionassem se este insumo era mesmo a melhor opção.
E a resposta foi não. O plástico stretch já não representava a melhor escolha sob a perspectiva financeira, operacional e, naturalmente, ambiental. A alta dos preços apenas acelerou um questionamento que deveria ter acontecido antes. Desde então, muitos centros de distribuição passaram a adotar uma solução que já estava disponível no mercado: as cintas reutilizáveis para amarração de cargas. Em vez de arcar com uma despesa recorrente na compra de plástico, as empresas fazem um único investimento em um produto que será reutilizado por cerca de 5 anos sem custos adicionais.
Na ponta do lápis, a mudança representa um retorno sobre o investimento (ROI) bastante expressivo. Em uma conta simples, imagine um centro de distribuição que movimenta 100 pallets por dia e que cada um utilize cerca de 300 gramas de stretch. Em 5 anos, seriam mais R$ 732 mil investidos em plástico descartável e 82.125 Kg de CO2 jogados na atmosfera. Em contraponto, com as cintas, no mesmo período, haveria apenas o investimento inicial, reduzindo despesas operacionais e tornando a operação mais previsível. É um exemplo de como analisar apenas o preço de compra, e não o custo total de utilização, pode levar empresas a manterem processos menos eficientes e mais caros no longo prazo.
Outro ponto que torna essa equação ainda mais interessante, é o ganho de produtividade. O plástico stretch exige que o colaborador percorra todo o pallet para envolver e fixar as cargas, o que pode demandar várias voltas até garantir a estabilização, mas o processo das cintas reutilizáveis dispensa esse trabalho, o que torna o processo até 3 vezes mais rápido. Sem contar no impacto no meio ambiente, sem as toneladas de plástico descartados diariamente. Ainda assim, essa situação não é apenas sobre a logística. É urgente que as empresas olhem com atenção às inovações que estão do lado de fora, esperando que alguém questione os processos que “sempre foram assim”, mas que não precisam mais ser. O custo de não mudar pode parecer invisível, mas, no fim do dia, é bastante real.
*Leandro Hiebl é graduado em Engenharia de Produção e possui especialização em Design de Produto. O executivo foi o criador do protótipo das cintas de amarração de carga reutilizáveis e há 10 anos está à frente da AgilFix, pioneira na fabricação da solução que já impediu o uso de mais de 12 mil toneladas de plástico na logística em uma década.