O cardiologista e a vacinação: uma parceria pela saúde do coração
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 7 de agosto de 2026
* Fábio Argenta, cardiologista e diretor médico da Saúde Livre Vacinas
No mês em que é celebrado o Dia do Cardiologista, vale destacar uma mudança importante na forma de cuidar da saúde do coração. Se a prevenção sempre fez parte da rotina desses especialistas, com orientações sobre alimentação, atividade física, controle da pressão arterial, colesterol e diabetes, hoje ela ganhou um novo aliado: a vacinação. Cada vez mais respaldada por evidências científicas, a imunização passou a ser reconhecida como uma estratégia capaz de reduzir o risco de complicações cardiovasculares desencadeadas por infecções, ampliando o papel do cardiologista na promoção da saúde.
Isso acontece porque infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e pneumonia, provocam uma resposta inflamatória intensa no organismo. Em pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores de risco, esse processo pode aumentar a sobrecarga do coração e favorecer eventos graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), descompensação da insuficiência cardíaca e arritmias. Nesse cenário, o cardiologista assume um papel que vai além do tratamento das doenças já instaladas: orientar e incentivar a vacinação também passou a fazer parte da prevenção cardiovascular.
Não por acaso, esse entendimento já ganhou respaldo internacional. Em 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou um consenso reconhecendo a vacinação de rotina como quarto pilar da prevenção clínica cardiovascular, junto de medicamentos anti-hipertensivos, hipolipemiantes e antidiabéticos. A recomendação foi motivada por evidências de que as principais infecções transmissíveis, como as por influenza, pneumococos e SARS-CoV-2, podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
As evidências são consistentes. Estudos mostram que a vacinação contra influenza e Covid-19 pode reduzir em até seis vezes o risco de infarto e AVC em determinados grupos de pacientes. Já a vacina contra herpes-zóster está associada à redução de até 40% no risco de infarto e de 30% no risco de AVC. As vacinas pneumocócicas também apresentam benefícios importantes ao diminuir complicações decorrentes de infecções respiratórias que frequentemente levam à descompensação dessas condições.
Os estudos continuam avançando. Em junho deste ano, uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina atualizada contra a Covid-19 reduziu em 38% o risco de AVC, insuficiência cardíaca e óbito cardiovascular em idosos. Entre pessoas com mais de 75 anos, essa redução chegou a 50,7%, especialmente entre aquelas que já conviviam com doenças cardiovasculares, diabetes, doença renal crônica, doença pulmonar e outras condições que aumentam o risco de complicações.
Segundo os pesquisadores, para cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves relacionados à Covid-19 deixaram de ocorrer. Considerando todos os eventos cardiovasculares avaliados, foram evitados 24 casos a cada 10 mil vacinados. Em uma população de um milhão de pessoas, isso representa cerca de 1.580 óbitos e 2.370 eventos cardiovasculares prevenidos em apenas oito meses, destacam os cientistas.
A medicina evolui à medida que novas evidências científicas surgem, e a cardiologia acompanha esse movimento. Hoje, cuidar do coração significa olhar além dos exames, dos medicamentos e do controle da pressão arterial. Significa também prevenir infecções capazes de desencadear complicações graves. Nesse cenário, o cardiologista assume um papel cada vez mais estratégico ao orientar seus pacientes sobre a importância da vacinação. Afinal, proteger o coração também é evitar que doenças preveníveis comprometam a saúde da população.
* Dr. Fábio Argenta, sócio-fundador e diretor médico da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização que oferece o que há de mais moderno nos cuidados com a prevenção. Graduado em Medicina pela Universidade de Passo Fundo (1999), tem experiência na área médica, sendo especialista em Clínica Médica, Medicina de Urgência, Cardiologia e Hipertensão Arterial. Speaker de Cardiologia e Imunização a nível nacional. É membro do Comitê de Qualidade Assistencial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Comissão Eleitoral e de Ética Profissional da SBC, Comissão de Vacinas da SBC e Diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC.