Cardiologista transforma episódio de esgotamento em negócio e já capacitou mais de 400 médicos
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de agosto de 2026
Após perceber os sinais de desgaste na própria rotina, Carlos Neto criou a Empreendedoc, empresa de educação médica voltada a gestão, liderança e construção de carreiras mais sustentáveis
A rotina médica costuma ser associada à excelência técnica, mas nem sempre a formação prepara o profissional para os desafios que vêm depois da graduação. Gestão financeira, liderança, organização de equipes, administração de consultórios e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho estão entre as questões que podem determinar a sustentabilidade de uma carreira. Foi a partir dessa realidade, vivida na própria pele, que o cardiologista Carlos Neto decidiu mudar a forma como exercia a profissão.
Em 2018, depois de anos conciliando consultório, plantões e atuação em hospitais de referência, um episódio aparentemente banal chamou sua atenção. Ao saber que o último paciente do dia havia cancelado a consulta, sua reação foi imediata: “Graças a Deus”. O comentário fez o médico perceber que o desgaste havia ultrapassado um limite.
“Percebi que não era normal um médico comemorar a ausência de um paciente. Aquilo foi um sinal claro de que eu precisava mudar a forma como estava vivendo a profissão”, relembra.
Formado em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP, Neto começou a buscar ferramentas que pudessem ajudá-lo a reorganizar a própria trajetória profissional. O caminho passou por estudos em gestão, empreendedorismo e liderança, conhecimentos que inicialmente foram aplicados no consultório que mantém ao lado da esposa, a dermatologista Dra. Thaís Berti.
A experiência despertou o interesse de outros médicos, que passaram a procurar o cardiologista em busca de orientação sobre os desafios administrativos e estratégicos da carreira. A demanda deu origem à Empreendedoc, empresa de educação médica que hoje reúne mais de 400 alunos e, segundo a companhia, movimenta cerca de R$ 50 milhões em faturamento.

Gestão também faz parte da formação médica
A experiência de Neto reflete uma lacuna que acompanha muitos profissionais desde a formação. A faculdade de Medicina prioriza a preparação clínica e técnica, enquanto temas como gestão financeira, posicionamento profissional, liderança e administração de negócios costumam ficar fora da grade tradicional.
Na prática, porém, médicos que decidem abrir consultórios ou clínicas passam a lidar com contratação de funcionários, custos, processos, marketing, atendimento, planejamento financeiro e gestão de equipes.
Foi nesse espaço que a Empreendedoc estruturou seus programas, voltados a médicos de diferentes especialidades e com foco em gestão de consultórios e clínicas, estratégia, liderança e desenvolvimento profissional.
A proposta não é afastar o médico da assistência, mas oferecer ferramentas para que ele consiga estruturar o negócio sem perder de vista a atividade principal.
Quando a carreira deixa de ser sustentável
O episódio vivido por Neto também colocou em evidência uma discussão cada vez mais presente na área da saúde: como construir uma carreira médica sustentável sem transformar a profissão em uma sequência de jornadas exaustivas?
A questão envolve não apenas remuneração, mas também organização da agenda, quantidade de vínculos profissionais, capacidade de delegar tarefas, gestão de equipes e definição de prioridades.
“A medicina precisa continuar sendo uma profissão de cuidado. Mas o médico também precisa aprender a cuidar da própria carreira, da própria saúde e da sustentabilidade do seu trabalho”, afirma.
Para o cardiologista, reconhecer os próprios limites não significa abrir mão da medicina ou reduzir a qualidade do atendimento. Ao contrário, uma estrutura profissional mais organizada pode permitir que o médico tenha mais tempo e energia para se dedicar ao paciente.

Empreendedorismo ganha espaço na medicina
O crescimento de negócios voltados à educação médica acompanha uma mudança no perfil do profissional de saúde. Além da atuação clínica, muitos médicos passaram a buscar conhecimento em empreendedorismo, gestão e liderança para estruturar consultórios, clínicas e outros projetos na área.
Nesse cenário, a experiência pessoal de Carlos Neto acabou se transformando em um modelo de negócio. O que começou com uma inquietação sobre a própria rotina profissional tornou-se uma empresa que pretende ajudar outros médicos a enfrentar desafios semelhantes.
Ao colocar gestão, empreendedorismo e qualidade de vida no centro da discussão sobre carreira, o cardiologista defende uma mudança de perspectiva: a excelência médica não precisa estar associada à exaustão.
A trajetória que começou com o alerta provocado por um simples cancelamento de consulta hoje se tornou parte de uma discussão maior sobre o futuro da profissão. Para Neto, o desafio está em encontrar um modelo no qual o médico consiga cuidar dos pacientes sem deixar de cuidar da própria carreira.