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Recuperações judiciais no agro batem recorde, e secretário de Agricultura de SP culpa país que “gasta mais do que arrecada
Por Associação Comercial de SP

Recuperações judiciais no agro batem recorde, e secretário de Agricultura de SP culpa país que “gasta mais do que arrecada

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de setembro de 2026

Em palestra na ACSP, Geraldo Melo Filho detalhou os R$ 657,6 bilhões do agro paulista e contrastou o investimento do Estado com o recuo do governo federal em crédito e seguro rural

Participantes da reunião | Foto: Kiko F. / DC

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro somaram 1.990 em 2025, alta de 56,4% e recorde da série histórica, segundo a Serasa Experian. No primeiro trimestre de 2026, o volume já era 21,9% maior que no mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o crédito rural em situação problemática (atraso, inadimplência, prorrogação ou renegociação) atingiu R$ 207,4 bilhões em julho, 23,5% de uma carteira nacional de R$ 881,6 bilhões, conforme levantamento do BTG Pactual com base em dados do Banco Central.

Foi nesse cenário que o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, discursou na reunião do Conselho do Agronegócio (AC/Agro) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), nesta segunda-feira (28).

Para o secretário, a produtividade do campo não caiu: o que mudou foi o custo do crédito. “O juro que o produtor paga não se decide na lavoura. É o preço de um país que gasta mais do que arrecada e que cobra essa conta de quem está tentando produzir”, disse.

Geraldo Melo Filho | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Geraldo Melo Filho | Foto: Edu Guimarães / ACSP

O agro paulista foi apresentado como contraponto a esse cenário nacional. O setor teve PIB de R$ 657,6 bilhões em 2024, cifra que colocaria o agronegócio de São Paulo, isoladamente, entre a quarta e a quinta maior economia do país, segundo o secretário. O montante representa 18,9% do PIB do Estado, 24% do PIB do agro brasileiro e 40% de tudo que São Paulo exporta.

Diversificação como estratégia para liderar

São Paulo ocupa hoje a segunda posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro, atrás apenas do Mato Grosso, com US$ 17,79 bilhões vendidos ao exterior entre janeiro e agosto de 2026.

A distância diminui, no entanto, quando se compara o valor de produção: o valor bruto da produção agropecuária de Mato Grosso é projetado em cerca de R$ 199 bilhões para 2026, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária ( Imea ), ante os R$ 174,6 bilhões que São Paulo já havia registrado em 2025, conforme o Instituto de Economia Agrícola (IEA/APTA).

Entram nessa conta as mais de 20 cadeias do agro paulista que movimentam acima de R$ 1 bilhão por ano cada, entre elas cana (R$ 55,2 bi), carne bovina (R$ 22,7 bi), laranja (R$ 19,7 bi), frango (R$ 13,7 bi), café (R$ 9,6 bi) e soja (R$ 8,9 bi).

Ariel Antonio Mendes, Marcos Nascimento e Geraldo Melo Filho | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Ariel Antonio Mendes, Marcos Nascimento e Geraldo Melo Filho | Foto: Edu Guimarães / ACSP

“Essa diversificação é o seguro do Estado: quando uma cadeia entra em crise, São Paulo não para. Conseguimos operar com mais resiliência diante de pressões setoriais”, disse Melo Filho, lembrando que o Estado concentra 32,7% de toda a agroindústria brasileira, mesmo sem ser o maior produtor primário do país.

O que o governo federal cortou, São Paulo manteve

Melo Filho contrastou a atuação dos dois governos na política agrícola. Segundo ele, a União deixou de repassar boa parte do dinheiro já reservado para ajudar a pagar o seguro rural, e passou a cobrar mais impostos sobre insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos.

São Paulo manteve os próprios programas, segundo o secretário: R$ 1,4 bilhão aplicados no agro paulista até 2025, sendo R$ 1,2 bilhão via Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP, cerca de 33 mil produtores atendidos), R$ 390 milhões em subvenção ao seguro rural (52.641 apólices) e R$ 180 milhões pelo programa Pró-Trator. O Estado também reduziu a carga tributária de 17 cadeias do agro, na contramão do que Melo Filho classificou como recuo federal em subvenções já previstas no orçamento.

Por fim, o secretário também citou a Medida Provisória que trata da renegociação de dívidas rurais como um caso em que os critérios federais (baseados em problema climático ou de preço) não se ajustam à realidade paulista: “ o endividamento da citricultura no Estado está mais ligado a um problema sanitário, o greening, do que a fatores climáticos cobertos pela norma ”.

Sobre a ACSP

Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.

A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.

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