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Do voto distrital ao teto do Simples, associativismo propõe agenda ao próximo presidente
Por Associação Comercial de SP

Do voto distrital ao teto do Simples, associativismo propõe agenda ao próximo presidente

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de outubro de 2026

Do voto distrital ao teto do Simples, associativismo propõe agenda ao próximo presidente

Divulgação 2
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Plano também defende o fim da reeleição, idade mínima de 60 anos para o Supremo e os tribunais de contas, além de revisão de gastos públicos

Foto: Kiko. F / DC

O candidato Flávio Bolsonaro recebeu nesta terça-feira (13) o Projeto Brasil de Amanhã, documento com propostas para o próximo governo elaborado pela Fundação Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O documento contou com a colaboração da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), de economistas, de empresários e de especialistas, a partir de encontros realizados ao longo de 2026. A entrega ocorreu no Grande Encontro do Associativismo, no Clube Monte Líbano, em São Paulo, que reuniu mais de 2.200 pessoas. O documento também será encaminhado ao candidato e presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao lado de Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha, Flávio expôs à plateia suas diretrizes para a economia, o ambiente de negócios, a segurança pública e o fim da reeleição. “Eu vou precisar muito de várias federações aqui representadas. Porque o centro do meu governo vai ser o cidadão e a cidadã brasileira”, afirmou.

Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB e da ACSP, afirmou que o encontro atendeu a um chamamento do associativismo para ouvir os candidatos à Presidência da República e que o Projeto Brasil de Amanhã é o programa que a rede de associações elaborou para o país.

Quatro décadas de perda de dinamismo

O ponto de partida do documento é a erosão do peso econômico do país. No início dos anos 1980, o Brasil respondia por 4% do PIB mundial, à frente de Índia e China. Em 2025, sua fatia havia recuado para 2,4%, enquanto a dos dois asiáticos alcançava 8,5% e 19,6%, respectivamente, segundo o Fundo Monetário Internacional. A indústria acumula retração de 3% entre 2013 e 2025, e o ranking de competitividade do International Institute for Management Development (IMD) situou o país, neste ano, na 65ª posição entre 70 economias, a pior de sua série histórica.

As contas públicas completam o quadro. A carga tributária chegou a 32,4% do PIB em 2025 e garantiu arrecadação recorde de R$ 4,1 trilhões, insuficiente, porém, para evitar um déficit nominal de R$ 1,1 trilhão, de acordo com o Banco Central. A dívida pública saltou de 71,7% do PIB em 2022 para 82,5% em julho deste ano. Na leitura dos economistas que elaboraram o projeto, a rigidez orçamentária deixou de ser uma questão contábil e passou a restringir a capacidade do Estado de planejar e investir.

Voto distrital misto: representação com endereço

Das quatro propostas centrais do Projeto Brasil do Amanhã, a primeira fala sobre a representação política. O plano propõe a adoção do voto distrital, no qual parte da Câmara seria eleita em distritos, com um mecanismo de compensação capaz de manter a proporcionalidade entre votos e cadeiras.

A premissa é que campanhas dispersas pelo território diluem o vínculo entre eleitor e parlamentar e enfraquecem a prestação de contas.

A transição obedeceria a salvaguardas. Os distritos seriam delimitados por critérios técnicos, com equilíbrio populacional e revisões periódicas, de modo a impedir desenhos de conveniência partidária. O cronograma de implantação seria pactuado com o Congresso e a Justiça Eleitoral.

Fim da reeleição e políticas que sobrevivam aos governos

A segunda frente é o fim da reeleição. A medida dialoga com uma inquietação recorrente ao longo do estudo: a interrupção de políticas públicas a cada troca de comando. Como contrapeso, os signatários sugerem instituir o Conselho da República para a Prosperidade Nacional, presidido pelo chefe do Executivo e integrado por representantes do Congresso, do Judiciário, dos órgãos de controle, dos Estados e dos Municípios. Caberia ao colegiado pactuar metas de longo prazo em responsabilidade fiscal, produtividade, educação, saúde, segurança e infraestrutura, acompanhadas por um painel público de indicadores.

Supremo e tribunais de contas a partir dos 60 anos

No Judiciário, a agenda propõe elevar de 35 para 60 anos a idade mínima de ingresso no Supremo Tribunal Federal e nos tribunais de contas. Para o STF, a mudança viria acompanhada de exigências adicionais: divulgação do currículo, da produção jurídica e da trajetória do indicado, escrutínio da vida pregressa e de potenciais conflitos de interesse e uma sabatina no Senado com prazo compatível com a análise.

O pacote institui ainda mandato único, sem recondução, com regra de transição que evite a troca simultânea de vários ministros, além de quarentena para quem deixar a Corte, com restrições à advocacia em situações de conflito e à disputa de cargos eletivos. O objetivo, segundo os autores, é conferir maior legitimidade às nomeações e assegurar a renovação periódica do tribunal.

Simples Nacional: devolver ao regime o alcance que a inflação levou

A quarta proposta dirige-se aos pequenos negócios. Os tetos de faturamento do Simples Nacional, de R$ 4,8 milhões anuais, e do Microempreendedor Individual, de R$ 81 mil, estão congelados desde 2018. Com valores nominais fixos, a inflação estreita o alcance do regime e pode excluir uma empresa apenas porque os preços subiram, sem que suas vendas tenham crescido em termos reais.

A recomendação é recompor os limites do MEI, das microempresas e das empresas de pequeno porte pela inflação acumulada desde a última revisão, estender a correção às faixas de tributação e instituir reajuste periódico por índice oficial, com calendário conhecido. Para quem ultrapassar o teto, prevê-se uma passagem gradual ao regime seguinte, a fim de que o limite não funcione como freio à expansão. Os autores sugerem ainda medir o efeito sobre as receitas da União, dos Estados e dos Municípios e acompanhar os resultados em formalização e emprego.

Ajuste fiscal e um Estado mais enxuto

Sugere-se medidas de ajustes focadas na contenção de gastos, tais como o corte de emendas parlamentares, contenção de gastos discricionários e regulamentação do teto remuneratório do funcionalismo (combate aos supersalários). Completam o desenho um Marco Fiscal de Médio Prazo, com projeções quinquenais e gatilhos de correção, e a meta de conduzir a dívida bruta a 50% do PIB em aproximadamente 25 anos.

Na máquina pública, o plano prevê menos ministérios, uma pasta exclusiva para a Segurança Pública, a revisão do portfólio de estatais e o uso de inteligência artificial na administração federal, com metas de redução de prazos, erros e custos por serviço.

Infraestrutura, tributos e comércio exterior

Para a infraestrutura, a meta é elevar o investimento a 4% do PIB, entre R$ 508 bilhões e R$ 546 bilhões por ano, com prioridade para os corredores ferroviários FICO e FIOL, a extensão da Norte-Sul até Barcarena (PA) e uma ligação bioceânica até o porto de Chancay, no Peru. Na tributação do consumo, o estudo endossa a simplificação federal prevista na Emenda Constitucional 132, mas defende preservar o ICMS e o ISS, com até cinco alíquotas nacionais para o imposto estadual e cobrança na origem.

Cotait disse que o associativismo é uma rede presente em todo o país e que tem a responsabilidade de apresentar sugestões que favoreçam o empreendedorismo e o crescimento econômico.

Presenças

Participaram do encontro o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo ( F IESP), Paulo Skaf; o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo ( FAESP ), Tirso Meirelles; o presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços ( UNECS ), Leonardo Severin i; o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química ( ABIQUIM), André Passos Cordeiro; o presidente do Sindicato da Habitação e das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais (SECOVI-SP), Jorge Cury Neto e senadores e deputados.

Sobre ACSP

Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.

A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.

Informações para a imprensa

Associação Comercial de São Paulo | imprensa@acsp.com.br

Elizabeth Matias | elizabeth.matias.ext@acsp.com.br | (11) 99656-4582

Diógenes Menon | diogenes.menon.ext@acsp.com.br | (11) 99619-8141

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