Senado inclui agenda das energias renováveis nos debates durante o esforço concentrado
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 11 de agosto de 2026
Em sessão no Plenário, com apoio da Global Renewables Alliance (GRA), setor de renováveis defendeu prioridade para propostas legislativas sobre redes elétricas, armazenamento, eletrificação e expansão das fontes limpas que recebam tratamento prioritário, com o objetivo de fortalecer a competitividade internacional do Brasil. Registros da sessão serão encaminhados às comissões da Casa.
Brasília, 11 de agosto de 2026 – Em plena semana de esforço concentrado do Congresso, o Senado realizou sessão especial no plenário para discutir o avanço das energias renováveis no país. O encontro reuniu lideranças do setor de energias renováveis, tendo à frente a Global Renewables Alliance (GRA), apoiadora institucional da Sessão de Debates Temáticos. O setor defendeu maior celeridade na análise das propostas legislativas necessárias à expansão das fontes limpas e à aceleração da transição energética brasileira. Proposto pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), o encontro reuniu parlamentares, representantes do governo federal, entidades setoriais, empresas e especialistas.
Entre as prioridades apresentadas aos senadores estão as propostas legislativas voltadas a expandir e a modernizar as redes elétricas, a ampliar a infraestrutura de transmissão, o armazenamento de energia, a eletrificação dos usos finais, a redução do custo da eletricidade e o aperfeiçoamento do ambiente regulatório. Os participantes manifestaram que essas medidas contribuirão para atrair investimentos de longo prazo, fortalecer a segurança energética e ampliar a competitividade da economia brasileira.
O setor de renováveis reconhece que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal já votaram diversas matérias relacionadas à geração solar fotovoltaica, à eólica terrestre e offshore, ao hidrogênio verde, à hídrica, aos sistemas de armazenamento e a outras modalidades renováveis. E, agora, é preciso imprimir um ritmo mais acelerado sobre a tramitação das propostas nas duas Casas. Para isso, as lideranças empresariais apresentaram informações técnicas e econômicas destinadas a contribuir para a tomada de decisão por parte dos parlamentares.
Os registros do encontro deste dia 11 serão sintetizados e encaminhados às comissões do Senado responsáveis pela análise de matérias relacionadas às energias renováveis. O material servirá para qualificar o debate legislativo e apoiar a avaliação de propostas que tratam das redes elétricas, da regulação e das condições necessárias à expansão das fontes limpas.
A Global Renewables Alliance, que reúne as demais organizações e empresas de renováveis convidadas para a sessão no plenário do Senado, sustenta que o crescimento da geração renovável precisa ser acompanhado por políticas públicas capazes de preparar o sistema elétrico e o ambiente regulatório para um novo ciclo de investimentos.
Pesquisa encomendada por organizações do setor, entre elas a GRA, ouviu 1.994 executivos de 18 países e identificou que 75% dos brasileiros entrevistados consideram as mudanças frequentes nas políticas governamentais determinantes para suas decisões de investimento. Leia mais em: https://powering-up-business-poll.com/.
O levantamento também mostrou que, para 79% dos executivos brasileiros, as empresas avançam na eletrificação em ritmo superior à capacidade de preparação das instituições e da infraestrutura do país. Outros 52% afirmaram que barreiras de mercado e incertezas regulatórias provocam o adiamento ou o cancelamento de projetos nessa área.
Natália Oliveira, Head of Policy and Advocacy for Latin America da Global Renewables Alliance, afirmou que a agenda a ser apresentada no Senado busca aproximar as necessidades do setor das decisões legislativas capazes de criar condições para expandir as energias renováveis.
“A transição energética é mais do que uma agenda ambiental porque se constitui em uma estratégia de competitividade para o Brasil. O debate no Senado é uma oportunidade para aproximar as necessidades do setor das decisões legislativas que permitirão expandir as energias renováveis, modernizar a infraestrutura elétrica e criar as condições para um novo ciclo de investimentos e crescimento econômico”, disse.
Carta aos candidatos orienta prioridades do setor
O debate teve como referência a Carta aos Candidatos à Presidência da República de 2026, apresentada em maio, em Brasília, pelo movimento Eletrifica Brasil, articulado pelo setor privado. O documento propõe que as prioridades das energias renováveis integrem as plataformas de governo dos candidatos à Presidência e estabelece frentes relacionadas ao custo da energia, ao financiamento, à infraestrutura e ao ambiente regulatório.
A sessão no Senado representou uma nova etapa dessa mobilização do Eletrifica Brasil ao colocar as propostas na pauta de debates parlamentares e ampliar a interlocução com formuladores de políticas públicas. O encontro também marcou a apresentação no Brasil da campanha global Electrify Now, lançada pela GRA durante a London Climate Action Week, em junho último.
A iniciativa defende a eletrificação como instrumento para fortalecer a competitividade econômica, a segurança energética e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, essa agenda é desenvolvida por meio do Eletrifica Brasil, movimento que busca ampliar a discussão sobre o papel da eletrificação no desenvolvimento econômico nacional.
A presidente do Comitê de Mobilização do Setor Privado da Global Renewables Alliance e presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Elbia Gannoum, disse no plenário do Senado que “o Brasil, diferente do resto do mundo, precisa gerenciar a abundância de recursos energéticos, principalmente os recursos renováveis. Enquanto o mundo discute como vai prover a oferta de energias renováveis para, então, promover a necessária transição energética, o Brasil precisa discutir como vai gerenciar essa riqueza”.
Élbia Ganoum reconheceu que o Congresso Nacional agiu positivamente nesse sentido, em especial nos últimos dois anos, já que aprovou uma série de leis relacionadas à questão da transição energética e do uso das energias renováveis. São leis que estão no Poder Executivo em processo de regulamentação, “que será fundamental para o desenvolvimento das energias, principalmente a energia renovável, quando estamos falando de mudanças climáticas e da tão necessária transição energética”.
Expansão pode gerar ganhos sociais, econômicos e energéticos
Durante a sessão, representantes do setor destacaram os benefícios associados ao crescimento das fontes renováveis. O primeiro é o bônus social, proporcionado pelo acesso de 97% da população à energia renovável por meio do Sistema Interligado Nacional.
O segundo é o bônus verde, relacionado à possibilidade de o Brasil ampliar a produção de bens e serviços de baixo carbono e maior valor agregado, como data centers sustentáveis, hidrogênio verde e processos industriais eletrificados. O terceiro é o bônus de segurança energética, decorrente da menor exposição do país à volatilidade da oferta e dos preços dos combustíveis fósseis diante das tensões geopolíticas globais.
O presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Lopes Sauaia, falou aos parlamentares sobre a contribuição da geração solar para a expansão da oferta de eletricidade renovável e para a eletrificação da economia. Disse também que “de fato, há muitas decisões importantes que são tomadas tanto no Senado quanto na Câmara sobre o setor de renováveis. Mas é importante que o Poder Executivo também, independentemente de quem seja o vencedor do processo eleitoral deste ano, tenha a transição energética como um eixo central do desenvolvimento do nosso país”.
O embaixador do Chile no Brasil, Issa Farid Kort Garriga, disse que as energias renováveis significam oportunidade para reforçar a integração entre países da América Latina. Brasil e Chile, disse, já mantêm uma comissão permanente para promover cooperação na área energética e mineração. O desafio é “como transformar as vantagens naturais em capacidade produtiva para gerar energia renovável e esta é uma oportunidade para promover a integração energética entre nossos países para o desenvolvimento das energias renováveis”, disse no plenário do Senado.
A sessão no Senado foi importante para o setor de renováveis, na opinião de Glauco Freitas, Head of South LATAM and Country Managing Director, Brazil, Hitachi Energy. “Esse momento é ideal porque a gente vai conseguir trazer à tona os temas que podem estar travando esse avanço das renováveis. A questão do armazenamento de energia é algo necessário para um sistema que precisa ser robusto, como é a necessidade do sistema brasileiro”, pontuou.
Sobre o segmento de armazenamento de energia, Rodrigo Sauaia, da Absolar, disse que este é encarado como elemento de segurança energética para vários países. Ele ressaltou que a carga tributária precisa ser revista. “A carga é de 80% para as baterias”.
Também participaram da sessão Roberta Cox, Coalizão Eólica Marinha’ (CEM) e Global Wind Energy Council (GWEC); Fernanda Delgado, da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV); Camila Fernandes da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (ABRAGE); Lieven Cooreman, da Atlas Agro Brasil; Angela Livino, International Hydropower Association (Associação Internacional de Hidreletricidade (IHA); Rosana Santos, Energia +.
O encontro reuniu ainda parlamentares, representantes do governo federal, empresas, entidades setoriais e especialistas, como João Daniel Cascalho, do Ministério de Minas e Energia; Thiago Ivanoski, Empresa de Pesquisa Energética (EPE); senadora Teresa Cristina; deputado Danilo Forte; ex-deputado José Carlos Aleluia.
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