Nosso potencial de destravar valor está no que já temos”, diz CEO da Vale
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de setembro de 2026
Gustavo Pimenta afirmou que a companhia pretende ampliar a produção de cobre e vê espaço para crescimento no minério de ferro, com foco em projetos de menor risco e retorno sobre o capital
Gustavo Pimenta. Foto: Itaú BBA / Reprodução.
O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o principal potencial de geração de valor da companhia está no desenvolvimento de ativos que já integram seu portfólio, especialmente os projetos de cobre em Carajás, no Pará. Segundo o executivo, a empresa pretende avançar simultaneamente no crescimento do minério de ferro e na expansão dos metais de transição.
“Eu acho que hoje, o nosso potencial de destravamento de valor está no investimento daquilo que a gente já tem escala, tem projeto e consegue alocar capital relevante”, disse Pimenta durante o Leader Talks, do Itaú BBA.
Cobre concentra potencial de expansão
Pimenta destacou o cobre como uma das principais oportunidades de crescimento da Vale nos próximos anos. Segundo ele, a companhia pode chegar a 700 mil toneladas anuais de cobre.
“Se a gente conseguir levar a companhia a 700 mil toneladas de cobre, você vai ter um Ebitda bastante relevante”, afirmou. O executivo ressaltou que os projetos em Carajás apresentam vantagens por estarem em uma região onde a Vale possui infraestrutura e experiência operacional.
Para Pimenta, o desenvolvimento orgânico também reduz riscos em relação a aquisições. Ele afirmou que projetos de cobre podem apresentar taxas de retorno de 20% ou mais e que a companhia prefere utilizar seu próprio capital em ativos nos quais já possui conhecimento e infraestrutura.
Licenciamento é principal desafio
O executivo apontou o licenciamento ambiental como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento de novos projetos de mineração. Segundo Pimenta, a dificuldade é global e os processos têm levado mais tempo, enquanto novos projetos de cobre exigem mais de dez anos entre exploração e entrada em operação.
“Se eu tivesse que listar um que não é um tema só de Brasil, é global, é o licenciamento”, disse. Para ele, projetos com bons padrões ambientais e sociais devem ser tratados como aliados da preservação e da manutenção da licença para operar.
Pimenta também destacou a infraestrutura já existente da Vale como uma vantagem competitiva. Segundo o CEO, a presença de ferrovias, portos e outras estruturas reduz a intensidade de capital necessária para desenvolver novos projetos.
Vale mantém perspectiva positiva para minério de ferro
Pimenta afirmou que a Vale continua otimista com o minério de ferro, apesar da perspectiva de estabilização e eventual redução gradual da demanda chinesa e da entrada de novos concorrentes globais, como a mina de Simandou, na Guiné. Segundo o executivo, novos mercados, como a Índia, além do Sudeste Asiático e da Europa, podem contribuir para sustentar a demanda. Ele citou o crescimento populacional, a descarbonização e a regionalização das cadeias produtivas como fatores que devem manter o mercado global aquecido.
A empresa estima crescimento anual da demanda por minério de ferro entre 1% e 2%, enquanto o executivo chamou atenção para o envelhecimento da base de ativos da indústria e para a perda de qualidade dos minérios. Nesse cenário, produtos de maior teor podem receber prêmios maiores.
“Então, a gente segue otimista e construtivo no médio e longo prazo, porque achamos que o nosso produto vai ser cada vez mais demandado”, afirmou.
Crescimento com disciplina de capital
Pimenta também destacou a estratégia de combinar investimentos em crescimento com remuneração aos acionistas. Segundo ele, a Vale trabalha atualmente com um capex anual de cerca de US$ 6 bilhões e mantém distribuição de caixa por meio de dividendos e recompra de ações.
Para o executivo, a baixa intensidade de capital da companhia permite financiar novos projetos sem abandonar a geração de retorno aos acionistas. “Conseguimos entregar crescimento ao mesmo tempo que entregamos retorno para o acionista”, disse.
Ao resumir a estratégia da companhia, Pimenta apontou três frentes prioritárias: portfólio, cultura e reputação. Na avaliação do CEO, a retomada do protagonismo da Vale passa pela expansão dos negócios, pela evolução da cultura corporativa e pelo fortalecimento da reputação da empresa e da indústria de mineração.
Assista a entrevista completa abaixo:
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