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Estudo redefine mineração de ouro em Paracatu
Foto: ADIMB / Divulgação

Estudo redefine mineração de ouro em Paracatu

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 2 de junho de 2026

Trabalho da geóloga Isabella Gontijo mostra como análises petrográficas e estruturais ajudam a identificar corredores mais favoráveis à mineralização no depósito Morro do Ouro, em Minas Gerais

Rochas mais porosas favorecem a circulação dos fluidos auriferos, revela o estudo

A compreensão detalhada das rochas hospedeiras do depósito Morro do Ouro, em Paracatu (MG), tem permitido à Kinross Gold refinar seus modelos de exploração mineral e ampliar o potencial de descoberta de novas áreas auríferas na região. Os resultados foram apresentados durante o SIMEXMIN 2026 pela geóloga de exploração Isabella Gontijo Souza Soares, que detalhou novos avanços na interpretação geológica do maior complexo aurífero em operação no Brasil.

Segundo a pesquisadora, o principal desafio atual da exploração é expandir a vida útil da mina, que já produziu cerca de 12 milhões de onças de ouro desde o início das operações. “Nosso objetivo é transformar esse número e ampliar a longevidade da mina”, afirmou durante a apresentação.

O depósito de Paracatu é caracterizado por um modelo de ouro disseminado de baixo teor, com média aproximada de 0,4 grama de ouro por tonelada de rocha. A mineralização está associada principalmente a sulfetos disseminados em filitos carbonosos da Formação Paracatu. De acordo com Isabella, embora o pacote rochoso pareça homogêneo à primeira vista, estudos petrográficos mais detalhados revelaram diferenças importantes entre os tipos de filitos presentes na mineralização.

A equipe identificou novas classificações litológicas dentro do depósito, incluindo os chamados “filito bandado” e “filito laminado”. Essas rochas apresentam maior porosidade e estruturas sedimentares preservadas que favorecem a circulação de fluidos hidrotermais responsáveis pelo transporte e deposição do ouro. “Quando começamos a observar com mais atenção, percebemos que não era apenas um pacote uniforme de filitos cinza. Existem variações importantes que controlam diretamente a mineralização”, explicou.

Segundo a geóloga, os filitos bandados e laminados formam corredores de clareamento facilmente reconhecíveis em campo e em testemunhos de sondagem, funcionando como importantes guias de exploração. Já os filitos mais maciços atuam como barreiras à circulação dos fluidos mineralizantes. “Essas rochas mais porosas favorecem a movimentação dos fluidos hidrotermais, enquanto os filitos maciços funcionam quase como selantes”, disse.

O estudo também investigou a evolução mineralógica associada ao processo hidrotermal. A presença de pirita e arsenopirita, principais minerais associados ao ouro em Paracatu, mostrou forte relação com a alteração progressiva das rochas e com o consumo de minerais ricos em ferro durante a mineralização. Isabella destacou que a identificação desses estágios evolutivos permite reconhecer zonas mais favoráveis à concentração aurífera.

Além dos controles litológicos, a pesquisa reforçou a importância das estruturas tectônicas na formação do depósito. Segundo a apresentação, a mineralização está associada à interação entre estruturas de cavalgamento e falhas transcorrentes, responsáveis pela formação de zonas de levantamento estrutural que concentraram os fluidos mineralizantes. Esses domínios estruturais passaram a ser utilizados como alvos prioritários nas campanhas de exploração.

“A ideia é enxergar além dos guias clássicos de Paracatu. Quando começamos a detalhar essas rochas e estruturas, conseguimos entender melhor quais corredores realmente favorecem a circulação dos fluidos e a formação da mineralização”, concluiu Isabella.

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