Demanda global por minerais críticos deve crescer e desafiar cadeias de suprimento até 2050, aponta BloombergNEF
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 20 de outubro de 2026
Estudo apresentado no Invest Mining Summit 2026 projeta expansão do consumo de metais ligados à transição energética, destaca a concentração do refino na China e identifica riscos de oferta para o cobre.
A expansão global das tecnologias de transição energética deve ampliar a demanda por minerais críticos até 2050 e aumentar os desafios para equilibrar oferta, consumo e segurança das cadeias de suprimento. A avaliação é da BloombergNEF (BNEF), divisão de pesquisa e análise da Bloomberg, apresentada nesta terça-feira (20) por Rafael Rabioglio, diretor da companhia para a América Latina, durante a terceira edição do Invest Mining Summit 2026. Entre os principais pontos do levantamento estão a perspectiva de desequilíbrio no mercado de cobre e a concentração do refino de minerais estratégicos na China.
Durante a apresentação A corrida global por metais da transição energética: oferta, demanda e cadeias de suprimento, Rabioglio destacou que os investimentos globais na transição energética atingiram US$ 2,3 trilhões em 2025, após se multiplicarem por 40 desde 2005. Segundo o executivo, o avanço de tecnologias como energia solar e eólica, veículos elétricos, baterias e redes elétricas deve sustentar a expansão do consumo de metais nas próximas décadas, embora as perspectivas de oferta variem conforme o material analisado.
Cobre concentra preocupação com a oferta
Entre os dez metais associados à transição energética avaliados pela BNEF, o cobre aparece como um dos principais pontos de atenção. Segundo Rabioglio, o mercado não registrou mudanças tecnológicas relevantes capazes de reduzir a demanda projetada nem avanços suficientes na expansão da extração para acompanhar o consumo esperado.
O cenário contrasta com o do lítio, cuja perspectiva de oferta melhorou após anúncios de novos projetos de mineração e o desenvolvimento de baterias que demandam menores quantidades de determinados materiais. “A grande pergunta que permanece é que preço tem que chegar o cobre para que você tenha um aumento na oferta desse material”, afirmou.
Brasil tem reservas, mas enfrenta desafios industriais
O Brasil reúne reservas relevantes de minerais estratégicos, incluindo grafite e terras raras, e pode ampliar sua participação no mercado com o crescimento da demanda global. Para Rabioglio, porém, a disponibilidade de recursos naturais não garante, por si só, competitividade industrial. No ranking da BNEF que avalia 30 mercados na cadeia de valor de fabricação de baterias, o país ocupa a 14ª posição, empatado com a Indonésia. A análise considera desde depósitos e extração até refino, inovação e fabricação, áreas em que o Brasil ainda precisa avançar.
O executivo também destacou a importância dos investimentos em infraestrutura para viabilizar a expansão da transição energética. A insuficiência das redes elétricas limita o escoamento da geração renovável e pode comprometer a rentabilidade de projetos, além de restringir a instalação de novas atividades intensivas em energia, como os centros de dados. Ao mesmo tempo, anúncios de fabricantes de veículos elétricos e de novas fábricas de baterias indicam oportunidades para ampliar a presença brasileira nas cadeias produtivas do setor.
China domina o refino de minerais críticos
O estudo também aponta diferenças importantes entre a distribuição da mineração e a capacidade de processamento dos minerais. Enquanto a extração está distribuída por diferentes países, a China lidera o refino de oito dos dez metais ou minerais analisados pela BNEF. No caso das terras raras, o país concentra 91% da capacidade global de refino, segundo os dados apresentados. A concentração reforça o peso chinês nas cadeias de suprimento e evidencia os desafios enfrentados por outros mercados para diversificar fornecedores e desenvolver capacidade industrial própria.
Ao sintetizar os resultados do levantamento, Rabioglio afirmou que a oferta projetada deverá atender à demanda de nove dos dez metais analisados, enquanto a concentração do refino na China permanece como um fator estrutural do mercado. Para o Brasil, o desafio é transformar sua base de recursos minerais em maior participação nas etapas industriais de valor agregado. “O Brasil tem feito escolhas nesse sentido de desenvolver uma indústria local e, pouco a pouco, se tornar, pelo menos regionalmente, um provedor de algumas soluções de transição energética”, concluiu.
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