NAvegue pelos canais

América Latina articula expansão da energia renovável e abre novas perspectivas para minerais críticos
Bruce Douglas, CEO da Global Renewables Alliance e o Secretário-Executivo da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia, Andrés Rebolledo. Foto: Divulgação/GRA

América Latina articula expansão da energia renovável e abre novas perspectivas para minerais críticos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 9 de outubro de 2026

Acordo entre GRA e OLACDE, durante a Semana de Energia na República Dominicana, busca acelerar a eletrificação, ampliar investimentos em redes e armazenamento e fortalecer a posição regional nas discussões da COP31

A expansão da eletrificação renovável na América Latina e no Caribe deverá ampliar a necessidade de investimentos em infraestrutura energética, redes de transmissão, armazenamento e tecnologias que dependem de minerais críticos, como cobre, lítio, níquel e terras raras. O movimento ganha força com a articulação entre governos, empresas e organizações internacionais para acelerar a transição energética e fortalecer o protagonismo da região nas discussões globais sobre descarbonização.

Durante a 11ª Semana de Energia da Organização Latino-Americana e do Caribe de Energia (OLACDE), realizada de 6 a 9 de outubro, em Santo Domingo, na República Dominicana, a Global Renewables Alliance (GRA) e a OLACDE assinaram um memorando de entendimento para acelerar a eletrificação renovável e fortalecer a cooperação energética regional.

O acordo prevê compartilhamento de conhecimento, realização de eventos e participação de especialistas em iniciativas conjuntas. A parceria contempla políticas públicas, regulação, expansão das redes elétricas, armazenamento de energia e mobilização de investimentos.

A iniciativa ocorre em um momento de crescente demanda global por tecnologias associadas à transição energética. A ampliação da geração solar e eólica, a modernização dos sistemas elétricos e o avanço da eletrificação de transportes e atividades industriais tendem a aumentar a importância estratégica de matérias-primas minerais utilizadas nessas tecnologias.

Nesse cenário, países latino-americanos com reservas e produção de minerais críticos, como Brasil, Chile, Argentina e Peru, podem ampliar sua participação nas cadeias globais de fornecimento de materiais essenciais à nova economia energética.

Parceria contempla políticas públicas, regulação, expansão das redes elétricas, armazenamento de energia e mobilização de investimentos. Foto divulgação GRA
Parceria contempla políticas públicas, regulação, expansão das redes elétricas, armazenamento de energia e mobilização de investimentos. Foto divulgação GRA

Região busca protagonismo na COP31

A Semana de Energia da OLACDE reúne autoridades dos 27 países-membros da organização, mais de 200 painelistas e aproximadamente 3 mil participantes, entre representantes de governos, empresas e organizações do setor energético.

O encontro dá continuidade às discussões da Semana do Clima de Nova York sobre eletrificação limpa e a meta global de triplicar a capacidade instalada de geração de energia renovável até 2030.

Durante a conferência, a GRA defendeu que a eletrificação ocupe posição central na agenda energética regional e contribua para definir as propostas que a América Latina e o Caribe apresentarão à 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), prevista para novembro.

A transição energética integra os pilares da Agenda de Ação da COP31, sob a presidência turca, reforçando a importância de investimentos em geração renovável, infraestrutura elétrica e tecnologias capazes de reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Para Bruce Douglas, CEO da Global Renewables Alliance, o avanço da eletrificação exige uma atuação coordenada entre governos e iniciativa privada.

“ Para expandir a eletrificação, precisamos aumentar a geração renovável, expandir as redes elétricas e o armazenamento de energia, promover a eficiência e garantir regras estáveis. Governos e empresas precisam coordenar o planejamento, o licenciamento e o financiamento para transformar projetos em realidade”, afirmou.

Segundo Douglas, a aproximação com a OLACDE deverá facilitar o desenvolvimento de soluções de energia limpa que sejam seguras e acessíveis para os países da região.

América Latina já tem 70% da eletricidade de fontes renováveis

Embora a América Latina e o Caribe apresentem uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, a substituição de combustíveis fósseis em setores como transporte, indústria e outras atividades econômicas ainda representa um desafio.

De acordo com Andrés Rebolledo, secretário da OLACDE, aproximadamente 70% da eletricidade produzida na região já tem origem em fontes renováveis.

“ A América Latina e o Caribe são a região mais verde do mundo. Setenta por cento da nossa eletricidade vem de fontes renováveis. A energia solar e a eólica, em particular, cresceram enormemente e atualmente respondem por 20%, enquanto a hidrelétrica responde por 43% e faz parte da nossa história há muito tempo”, destacou.

Para Rebolledo, essa característica coloca os países latino-americanos em posição favorável para ampliar a eletrificação e contribuir com os esforços globais de descarbonização.

“ Acreditamos que expandir a eletrificação com energia renovável faz parte da solução para a descarbonização, não apenas para a nossa região, mas também para o mundo, que busca parceiros com essas características”, afirmou.

Apesar dos avanços na geração elétrica, a dependência de combustíveis fósseis permanece elevada em determinadas economias, especialmente no Caribe, onde essas fontes representam cerca de 97% da energia primária, em grande parte importada.

A expansão das fontes renováveis pode, portanto, contribuir não apenas para a redução das emissões, mas também para aumentar a segurança energética e reduzir a exposição dos países às oscilações internacionais dos preços dos combustíveis.

Integração energética e investimentos

Para Joel Santos, ministro de Energia e Minas da República Dominicana, a integração regional será determinante para transformar o potencial energético da América Latina e do Caribe em desenvolvimento econômico e competitividade.

“ A América Latina e o Caribe têm recursos extraordinários para se tornarem atores-chave no novo cenário energético global. No entanto, nenhum país pode enfrentar sozinho os desafios que temos pela frente”, afirmou.

Segundo o ministro, ampliar a cooperação entre os países é essencial para aproveitar as oportunidades abertas pela transição energética.

“ A região precisa de mais integração, mais investimento, mais inovação e uma cooperação energética mais profunda para transformar nossos recursos em segurança energética, competitividade e bem-estar”, acrescentou.

O desafio envolve ampliar a capacidade de geração renovável, modernizar redes de transmissão e distribuição, desenvolver sistemas de armazenamento e criar condições regulatórias e financeiras para viabilizar novos investimentos.

Minerais críticos ganham importância na expansão da eletrificação

A estratégia de ampliar a eletrificação renovável também reforça a conexão entre os setores de energia e mineração.

A construção de redes elétricas, parques eólicos, usinas solares, baterias e equipamentos de eletrificação exige volumes significativos de matérias-primas minerais. O cobre é fundamental para cabos, motores e sistemas elétricos; o lítio e o níquel têm aplicações em determinadas tecnologias de baterias; e elementos de terras raras são utilizados em ímãs permanentes presentes em parte dos aerogeradores e motores elétricos.

Para países produtores desses recursos, a expansão da infraestrutura energética abre oportunidades de investimentos em pesquisa mineral, desenvolvimento de novos projetos, processamento e agregação de valor às cadeias produtivas.

O Brasil reúne condições para participar desse movimento tanto pela disponibilidade de recursos minerais quanto pela presença de uma matriz elétrica com elevada participação de fontes renováveis.

O avanço da eletrificação, entretanto, também coloca desafios para a indústria mineral, especialmente em relação à capacidade de ampliar a oferta de matérias-primas, garantir previsibilidade aos investimentos e desenvolver projetos alinhados às exigências ambientais e sociais.

Embora o acordo entre GRA e OLACDE esteja concentrado na cooperação energética, suas prioridades em redes elétricas, armazenamento e investimentos evidenciam a importância das cadeias de suprimento que dão suporte à expansão das tecnologias renováveis.

A articulação regional em torno da COP31 poderá, assim, contribuir para aproximar duas agendas estratégicas para o futuro econômico da América Latina: a ampliação da energia limpa e o desenvolvimento das cadeias de minerais críticos necessárias à eletrificação da economia.

A OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da Agência Minera Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe