Para além de legado secular, Light se adapta aos desafios do presente no Rio
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 10 de junho de 2026
À Memória da Eletricidade, gerente de manutenção da companhia destacou desafios de renovação em paralelo à preservação da história de 121 anos
A trajetória da Light acompanha grande parte das transformações urbanas do Rio de Janeiro ao longo do século XX. Desde a chegada à então capital federal, em 1904, até os dias atuais, a companhia permanece exercendo um papel na vida urbana: levar energia elétrica a milhões de pessoas.
Originalmente denominada The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power, a empresa desembarcou em uma cidade que passava por transformações. As reformas conduzidas pelo prefeito Pereira Passos redesenhavam o Centro, com a construção da Avenida Central (atual Rio Branco), alargamento de ruas, demolição dos antigos cortiços e construção de edifícios. Nesse contexto, a Light inicia sua atuação e passa a trabalhar no processo de eletrificação do Rio.
Ao longo das décadas seguintes, a expansão da rede elétrica caminhou lado a lado com o crescimento da cidade. A energia produzida na Usina Hidrelétrica de Fontes — a primeira grande hidrelétrica do Brasil, localizada no Complexo de Lajes, no município de Piraí — e posteriormente, na Ilha dos Pombos, alimentou bondes, iluminou ruas, impulsionou a atividade industrial e chegou às residências em um período em que a eletricidade era vista como símbolo de modernidade.

Os antigos lampiões a gás foram substituídos pela iluminação elétrica, os bondes se consolidaram como um dos principais meios de transporte de massa no período, conectando o Centro, os subúrbios e a Zona Sul. As fábricas passaram a operar com maior eficiência e, dentro de casa, eletrodomésticos começaram a modificar hábitos que hoje parecem corriqueiros.
Desde fevereiro, a Memória da Eletricidade disponibiliza, na plataforma Google Arts & Culture, a exposição virtual “A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro”. Dividida em sete blocos, com 33 imagens ao todo, a mostra, organizada em parceria com a Light, traça uma linha do tempo de 1880 a 1980, destacando como a reestruturação e, consequentemente, a chegada da luz elétrica contribuiu para a transformação do espaço urbano, da mobilidade, da iluminação pública e doméstica e dos hábitos culturais dos cariocas.
Mais de um século depois, os desafios são outros. Se antes a missão era expandir a infraestrutura elétrica para uma cidade em crescimento, agora o objetivo principal é manter um sistema cada vez mais complexo, atender milhões de consumidores e incorporar tecnologias capazes de tornar a operação mais eficiente e resiliente.
É nesse cenário que atua Bruno Almeida, gerente de manutenção da Light. Filho de um ex-funcionário da companhia e colaborador da empresa desde o início dos anos 2000, ele representa uma geração que ajuda a dar continuidade a uma história iniciada há mais de 120 anos.
A equipe realizou uma entrevista com Bruno para entender a atuação e os principais desafios que a Light enfrenta na atualidade, mantendo-se há mais de um século como a concessionária responsável pela energia elétrica carioca. Confira:
ME – Como é a sua atuação e a sua relação com a empresa?
BA – Sou gerente de manutenção da rede de distribuição da empresa nos 31 municípios da sua área de concessão. Cuido dos circuitos elétricos de média tensão, de 13 mil e 25 mil volts, além de toda a rede de baixa tensão. Tenho um carinho muito grande pela Light, meu pai foi “Lightiano”, trabalhou aqui aproximadamente 30 anos também. Então, desde pequeno vivencio a empresa e criei um laço.
Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de gerenciar diversas áreas e setores da companhia. Por coincidência do destino, um dos times que passei a liderar foi justamente aquele em que meu pai trabalhou. Isso me trouxe uma satisfação enorme, porque também pude trabalhar com profissionais que conviveram com ele e ajudaram a construir essa história.
Minha carreira na Light começou no início dos anos 2000 e, quando cheguei, fiquei impressionado com a dimensão e a complexidade do sistema elétrico. Desde então, acompanhei uma transformação muito grande na forma como a empresa opera. Antigamente, muitos processos eram feitos de forma manual, com projetos desenhados em papel e comunicações realizadas por fax. Hoje, a tecnologia faz parte da rotina da operação.
A Light evoluiu significativamente tanto na segurança dos trabalhadores quanto na gestão da rede elétrica. Atualmente contamos com equipamentos automatizados, sistemas de monitoramento em tempo real, câmeras de inspeção, termovisores e outras ferramentas que auxiliam no diagnóstico da rede e na tomada de decisões operacionais.
A energia elétrica é um serviço essencial e a sociedade está cada vez mais dependente dela. Uma interrupção de poucos minutos já afeta o funcionamento de bombas d’água, internet, comércio e diversos serviços do cotidiano. Por isso, trabalhamos continuamente para modernizar a operação e garantir a qualidade do fornecimento para a população.

ME – Quais são as principais tecnologias desenvolvidas e utilizadas atualmente pela Light?
BA – Do ponto de vista tecnológico, houve uma evolução muito grande tanto nos materiais quanto na operação da rede elétrica. A Light é uma empresa centenária e isso fica evidente quando olhamos, por exemplo, para os cabos subterrâneos. Antigamente, eles tinham isolamento a pano e a óleo. Hoje trabalhamos com cabos mais modernos, secos, com vida útil maior e que permitem mais agilidade nas manutenções. Isso traz uma eficiência operacional importante e contribui para mitigar interrupções no fornecimento de energia.
Outro avanço importante é a automação. A Light ampliou significativamente a quantidade de equipamentos instalados na rede de distribuição que podem ser monitorados em tempo real pela operação. Hoje conseguimos acompanhar grandezas elétricas, carregamento dos circuitos e temperatura dos equipamentos, o que traz mais robustez e resiliência para a operação do sistema.
Esses equipamentos estão conectados ao Centro de Operação, responsável por monitorar toda a rede elétrica da companhia. Eles ficam instalados em subestações e também nos postes, permitindo que diversas manobras sejam realizadas remotamente. Em muitos casos, conseguimos desligar e religar circuitos apenas por meio do sistema, tanto em programações preventivas quanto em ocorrências corretivas. Tudo isso contribui para indicadores que são pilares de uma concessão de energia, como a frequência das interrupções (FEC) e a duração dessas interrupções (DEC).
Além da tecnologia aplicada à operação, a Light também investe em pesquisa e inovação. Temos equipes que atuam com termografia, análise acústica e outras ferramentas de diagnóstico. Existe ainda uma aproximação constante com universidades e centros de pesquisa. Eu mesmo fiz meu mestrado na UFF com o objetivo de aproximar as necessidades do setor elétrico das soluções desenvolvidas no meio acadêmico.
ME – Além da operação da rede, qual é a importância da pesquisa e da inovação para a Light?
BA – A Light possui uma área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que está constantemente aberta a receber projetos inovadores. A ideia é construir soluções em conjunto com universidades e instituições de ensino, trazendo para a concessionária novas tecnologias e conhecimentos que possam agregar ao sistema elétrico.
Eu tive a oportunidade de contribuir nesse processo por meio do meu mestrado. Minha dissertação utilizou o histórico de mobilização das equipes de manutenção da Light como estudo de caso para desenvolver uma metodologia capaz de tornar esse processo mais eficiente.
O trabalho buscou criar uma modelagem matemática e estatística que permitisse hierarquizar fatores envolvidos na mobilização das equipes, reduzindo a subjetividade das decisões e tornando a abordagem mais técnica para a gestão operacional. O objetivo era ajudar a concessionária a planejar melhor seus recursos, cumprir metas regulatórias e atender aos indicadores de qualidade exigidos pelo setor elétrico.
Na prática, esse tipo de pesquisa contribui para que a empresa poss a direcionar as equipes necessárias para cada situação com mais eficiência, melhorando a resposta às ocorrências e, consequentemente, a qualidade do fornecimento de energia para a população. Acredito que essa aproximação entre o ambiente acadêmico e o setor elétrico é muito importante. Muitas das soluções que surgem nas universidades podem ser aplicadas diretamente aos desafios enfrentados pelas concessionárias.
ME – O Rio de Janeiro possui características urbanas muito particulares. Como isso influencia o planejamento e a operação da rede elétrica?
BA – O planejamento energético da Light acompanha a evolução da cidade há mais de um século e continua sendo adaptado às características da área de concessão. Atendemos milhões de clientes e cada região possui necessidades que devem ser consideradas no desenho da rede.
Os circuitos são planejados de acordo com as características de cada localidade. Em áreas densamente arborizadas, por exemplo, utilizamos soluções que aumentam a resiliência da rede, como cabos isolados e equipamentos mais resistentes ao contato com a vegetação. O mesmo acontece em regiões com características urbanas ou geográficas específicas, onde o projeto precisa ser adequado para garantir segurança operacional e qualidade do fornecimento.

ME – E como a Light lida com os desafios de manutenção e atendimento nas comunidades?
BA – As comunidades apresentam características muito particulares e cada território tem sua própria realidade. No Rio de Janeiro, especialmente na Zona Norte, encontramos regiões com becos, vielas, escadarias e áreas de difícil acesso, o que exige soluções específicas para a operação.
Por isso, a Light conta com equipes e áreas dedicadas ao atendimento dessas localidades, mantendo um canal permanente de diálogo com associações de moradores e lideranças comunitárias. Essa comunicação é fundamental para orientar as equipes, agilizar diagnósticos e tornar os atendimentos mais rápidos e eficientes, principalmente em situações emergenciais.
Também existe um grande desafio logístico. Muitos equipamentos utilizados na manutenção da rede são pesados e nem sempre podem ser transportados por veículos até o local da ocorrência. Em diversas situações, o deslocamento precisa ser feito manualmente, exigindo, frequentemente o apoio da própria comunidade para viabilizar o acesso das equipes.
ME – Quais são as perspectivas da Light para os próximos anos?
BA – A Light renovou a concessão e isso traz uma perspectiva importante de investimentos. O objetivo é aprimorar ainda mais os sistemas, renovar ativos, condutores, equipamentos e transformadores, sempre buscando elevar a qualidade do fornecimento de energia.
Além disso, a companhia vem sendo procurada por grandes clientes para projetos de longo prazo, como data centers, novas indústrias e fábricas que pretendem se instalar no estado. Ao mesmo tempo, precisamos nos preparar para os desafios trazidos pelas mudanças climáticas, que impactam cada vez mais a operação do sistema elétrico.
Sobre Bruno Almeida
Na Light há 22 anos, Bruno Almeida é responsável pela gestão das redes de média e baixa tensão em toda a área de concessão. Engenheiro eletricista e mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mais de 20 anos de experiência no setor elétrico, com passagens por áreas de Operação, Manutenção, Expansão e grandes projetos.
Atuou em posições estratégicas na Light, liderando equipes multidisciplinares e iniciativas voltadas à eficiência operacional. É autor de publicações técnicas sobre qualidade de energia e identificação de defeitos por meio d e curto-circuito. Sua trajetória é marcada pela busca de soluções técnicas que contribuam para a melhoria contínua dos indicadores de desempenho.
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