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Os desafios da manutenção do sistema elétrico em favelas do Rio de Janeiro
Por Memória da Eletricidade

Os desafios da manutenção do sistema elétrico em favelas do Rio de Janeiro

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 23 de junho de 2026

Entenda como a Light adapta a operação da rede às particularidades de mais de 800 comunidades urbanas do município

De acordo com o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município do Rio de Janeiro possui 814 favelas e comunidades urbanas. A distribuição de energia elétrica nessas localidades está sob responsabilidade da concessionária Light.

Recentemente, ganhou repercussão nas redes sociais um vídeo que registra a instalação de um transformador em uma área de difícil acesso da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro. As imagens mostram a mobilização de equipes técnicas da Light e de moradores da comunidade para o transporte do equipamento até o local de instalação.

A partir desse episódio, a Memória da Eletricidade buscou compreender como o serviço de distribuição de energia elétrica é realizado em diferentes contextos urbanos e geográficos da cidade. Por meio de entrevistas com Bruno Almeida, gerente de manutenção da Light, a instituição investigou as soluções técnicas, logísticas e operacionais adotadas pela concessionária para atender áreas com características territoriais diversas e garantir o fornecimento de energia à população.

“No Rio, temos uma quantidade de comunidades muito abrangente, principalmente na Zona Norte, e cada uma tem sua particularidade. A Light precisa se revolucionar constantemente para atender com qualidade o fornecimento, mitigando riscos aos colaboradores e da operação”, contextualiza Bruno.

O Morro da Providência, localizado na região central do Rio de Janeiro, é frequentemente apontado por pesquisadores como a primeira favela do Brasil, tendo sua ocupação iniciado no final do século XIX. Nas primeiras décadas do século XX, as transformações urbanas promovidas na cidade, incluindo as obras da Reforma Pereira Passos (1903-1906), contribuíram para mudanças na dinâmica habitacional do município e para a expansão da ocupação de áreas de morros e encostas.

Ao longo do tempo, esses territórios passaram a integrar a paisagem urbana carioca e hoje abrigam uma parcela significativa da população da cidade. Entre as maiores comunidades do Rio de Janeiro estão os complexos da Maré e do Alemão, o Jacarezinho, a Cidade de Deus, Rio das Pedras e o Vidigal, entre outras localidades distribuídas por diferentes regiões do município.

A Light iniciou a atuação na cidade no mesmo período, em 1904, dando início ao processo de eletrificação da então capital federal, com a energia sendo produzida na Usina Hidrelétrica de Fontes — a primeira grande hidrelétrica do Brasil, localizada no Complexo de Lajes, no município de Piraí — e posteriormente, na Ilha dos Pombos.

À medida que o Rio de Janeiro se expandia e novos núcleos habitacionais se consolidavam em diferentes regiões da cidade, o acesso à infraestrutura elétrica também foi sendo ampliado ao longo do tempo. A partir do final da década de 1970, a Light desenvolveu programas voltados à expansão e à regularização do atendimento em favelas e comunidades urbanas, ampliando a cobertura da rede de distribuição de energia elétrica nesses territórios.

Os registros históricos da companhia documentam esse processo. Em seus jornais internos, por exemplo, a Light destacava as novas ligações realizadas. Em 1985, a empresa registrou a execução de 19 mil novas conexões elétricas em comunidades atendidas por seus programas de expansão da rede.

Cada comunidade exige uma solução diferente

As características físicas e urbanísticas de cada território influenciam diretamente o planejamento da rede elétrica. Segundo Bruno Almeida, a Light desenvolve projetos adaptados às especificidades de cada localidade, considerando fatores como relevo, configuração urbana, densidade populacional e condições de acesso.

Esses aspectos variam significativamente entre as diferentes regiões atendidas pela concessionária. Por isso, as soluções técnicas adotadas para a implantação, manutenção e expansão da rede elétrica são definidas de acordo com as características de cada área, buscando atender às necessidades operacionais de cada território.

Técnicos da Light durante manutenção em comuniade do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação / Light
Técnicos da Light durante manutenção em comuniade do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação / Light

De acordo com o gerente, essas particularidades também impactam a escolha dos equipamentos utilizados pela concessionária. Em determinados trechos, são adotados postes e estruturas específicos para áreas de difícil acesso, além de soluções voltadas para aumentar a resistência da rede e reduzir o risco de interrupções no fornecimento.

“A definição de postes, cabos e demais estruturas leva em consideração as características de cada região e os desafios operacionais enfrentados pelas equipes em campo”, afirmou Bruno.

Importância do apoio comunitário

Bruno Almeida também destaca a importância do diálogo entre a concessionária e os moradores das localidades atendidas. Segundo ele, a troca de informações com associações de moradores e outros interlocutores locais contribui para o planejamento das atividades de campo, para a compreensão das características de cada território e para a comunicação de ações de manutenção e atendimento, especialmente em situações emergenciais.

“A Light tem uma área específica de atendimento às comunidades, mantendo um canal de comunicação junto da área operacional. Com isso, conseguimos fazer atendimentos mais céleres, rápidos e efetivos, contando muito com ajuda do direcionamento logístico, porque o conhecimento sobre os caminhos dos becos, vielas e escadarias influencia diretamente no tempo de atuação da concessionária”, detalhou.

Sobre a atuação dos técnicos no transporte de transformadores, Bruno explicou que os equipamentos pesam meia tonelada e que, como caminhões não alcançam partes da comunidade, é necessário fazer o transporte manual, com os cabos, como mostrado no registro da Rocinha. “Por isso, contamos muito com o auxílio da população para abrir as frentes de direcionamento”, concluiu.

Conheça mais

A trajetória da eletrificação do Rio de Janeiro é contada na mostra A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro”, construída pela Memória da Eletricidade em parceria com a Light e disponível na plataforma Google Arts & Culture.

Dividida em sete blocos, com 33 imagens ao todo, a exposição traça uma linha do tempo de 1880 a 1980, destacando como a reestruturação e, consequentemente, a chegada da luz elétrica contribuiu para a transformação do espaço urbano, da mobilidade, da iluminação pública e doméstica e dos hábitos culturais dos cariocas.

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