Inteligência artificial entra na pauta dos conselhos e Murilo Moura Alencar valida critérios de adoção
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de outubro de 2026
A tecnologia deixou o âmbito da área técnica e passou a exigir decisão formal de quem responde pela estratégia.
A governança de inteligência artificial chegou às reuniões de conselho com perguntas que a área técnica não responde sozinha, e Murilo Moura Alencar, Board Member em empresas de tecnologia, valida os critérios que sustentam a decisão de adotar ou adiar cada aplicação. O debate deixou de girar em torno da viabilidade da ferramenta e passou a tratar de exposição jurídica, dependência de fornecedor e estrutura de custos no médio prazo.
Conselhos que delegam integralmente a escolha ao time de tecnologia assumem um risco difícil de dimensionar depois. A decisão de processar dados de clientes em um modelo externo produz consequências contratuais e regulatórias que extrapolam o escopo de qualquer área isolada. A avaliação pertence à mesa que responde pelo conjunto da operação. O registro formal do que foi considerado faz diferença quando o tema volta em auditoria.
Quais perguntas antecedem a aprovação de um projeto?
O primeiro filtro é simples de enunciar e raro de aplicar. Murilo Moura Alencar estrutura a análise a partir do problema de negócio que justifica o investimento, descartando propostas que começam pela tecnologia e procuram uma aplicação depois. Projetos nascidos dessa ordem invertida consomem orçamento por trimestres seguidos sem efeito mensurável em receita, custo ou risco. A pergunta que organiza a conversa trata de qual processo ficaria melhor caso o projeto funcionasse.
O segundo filtro trata do que acontece quando o sistema erra. Modelos estatísticos produzem resultados incorretos com regularidade conhecida, e a pergunta relevante envolve quem percebe o erro, em quanto tempo e com qual custo de correção. Aplicações em que a falha passa despercebida até virar reclamação exigem supervisão humana desenhada antes da implantação. O desenho dessa supervisão define o custo operacional real, quase sempre ausente da proposta inicial.
O que a dependência de fornecedor representa no balanço?
Boa parte das aplicações corporativas roda sobre modelos de terceiros, arranjo que acelera a entrada e cria um ponto de concentração relevante. Murilo Moura Alencar dimensiona essa exposição ao avaliar quanto do processo passaria a depender de uma decisão unilateral de preço, de mudança de termos de uso ou de descontinuação da versão contratada. Processos críticos apoiados em uma única tecnologia externa ficam sensíveis a movimentos que a empresa não controla.
A mitigação não exige abandonar fornecedores externos, e sim desenhar a arquitetura de modo que a troca seja possível sem reconstruir o sistema inteiro. Camadas de abstração entre a aplicação e o modelo, registro próprio dos dados usados e avaliação periódica de alternativas reduzem o custo de mudança e preservam poder de negociação. Depois da integração concluída, recuperar essa margem de negociação custa bem mais caro para a empresa.
Como a decisão se traduz em acompanhamento?
Aprovar um projeto de inteligência artificial sem definir como ele será medido devolve o assunto ao conselho meses depois em forma de discussão improdutiva. Murilo Moura Alencar implementa indicadores acordados na própria aprovação, com números que descrevem o efeito pretendido e um prazo em que a continuidade será reavaliada. O critério de encerramento definido na largada evita que iniciativas sem efeito se sustentem pelo valor já investido.
A leitura desse quadro permite concluir que a tecnologia passou a ocupar nos conselhos o espaço antes reservado a decisões de expansão e de estrutura de capital. A competência exigida de quem senta à mesa envolve compreender limites técnicos com profundidade suficiente para distinguir promessa de capacidade real. A composição dos conselhos vem sendo redesenhada no mercado brasileiro por causa dessa exigência.
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