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São Paulo quer unir suas 284 cidades turísticas em roteiros regionais
Por Associação Comercial de SP

São Paulo quer unir suas 284 cidades turísticas em roteiros regionais

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 7 de outubro de 2026

Em encontro na Associação Comercial, poder público e iniciativa privada apontam crédito, dados e continuidade de políticas públicas como condições de crescimento do setor

Andrea Matarazzo, Fábio Godinho, Alessandro Azzoni, Ana Biselli Aidar e Virgílio Nelson da Silva Carvalho | Foto: Edu Guimarães / ACSP

O governo paulista pretende mudar a lógica com que apresenta o Estado ao viajante. Em vez de oferecer 284 municípios turísticos, entre estâncias e cidades de interesse turístico, a Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP) quer reuni-los em 10 a 12 roteiros, cada um com identidade própria. A diretriz foi exposta nesta quarta-feira (7) pela titular da pasta, Ana Biselli Aidar, convidada do Núcleo de Turismo do Conselho de Política Urbana e Meio Ambiente (CPMU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Contribuir com ideias e com a implementação de políticas públicas é, segundo Andrea Matarazzo, vice-presidente e coordenador-geral dos conselhos da ACSP, o papel que cabe hoje a esses fóruns. Conduzido por Alessandro Azzoni, coordenador do CPMU, o encontro contou também com Virgílio Nelson da Silva Carvalho, coordenador-adjunto à frente do Núcleo de Turismo.

Para a secretária, que chama cada conjunto de destino, é possível “vender e estruturar de 10 a 12 destinos”. Ana Biselli ressalvou que não se trata de eleger dez cidades e descartar as demais, e sim de fazer com que todas passem a integrar algum desses roteiros.

Por que mudar

O ponto de partida é um problema de cardápio: opções demais. Na leitura da secretária, quem se depara com centenas de alternativas sem identidade clara escolhe ao acaso; diante de roteiros organizados, a pessoa decide e fica mais tempo. Na prática, o viajante passaria a escolher entre poucos roteiros, e não entre centenas de cidades.

Ana Biselli Aidar | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Ana Biselli Aidar | Foto: Edu Guimarães / ACSP

O setor tem peso. Pelas projeções da Setur-SP, o turismo deve movimentar R$ 369,4 bilhões no Estado até o fim de 2026, o equivalente a 9,9% do PIB paulista, sustentar cerca de 1 milhão de empregos diretos e atrair 52,8 milhões de visitantes. Esse fluxo, porém, ainda se concentra na capital.

Dois exemplos de como os roteiros seriam montados: a Serra da Mantiqueira, que juntaria São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal, cidades vizinhas com perfis diferentes; e o circuito “fé, serra e mar”, que liga Aparecida às montanhas e ao litoral.

Como o plano sai do papel

A execução se apoia em três frentes, território, negócios e pessoas, e em ferramentas que a atual gestão herdou e pretende ajustar. O Dadetur, departamento que repassa recursos a estâncias e municípios de interesse turístico, passará a dar mais peso, na hora de decidir quem recebe, aos planos municipais e regionais e à capacidade das prefeituras de executá-los. O Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), que produz os dados do setor, deve passar a usar informações de telefonia móvel para medir os deslocamentos dos turistas.

Andrea Matarazzo, Fábio Godinho, Alessandro Azzoni e Ana Biselli Aidar | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Andrea Matarazzo, Fábio Godinho, Alessandro Azzoni e Ana Biselli Aidar | Foto: Edu Guimarães / ACSP

O pacote inclui ainda 13 estruturas náuticas em operação (píeres, rampas e plataformas em cidades à beira de rios e represas), outras 22 previstas para o próximo ciclo e as rotas do vinho, do café, da cachaça, do queijo e da cerveja.

Em paralelo, a Setur-SP discute com a Casa Civil a governança dos distritos turísticos, áreas cuja atratividade para o capital privado depende de coordenação entre prefeituras e várias secretarias. “Não dá para fazer turismo sem o privado e não dá para fazer turismo sem o público”, disse a secretária, que veio do setor produtivo e está há pouco mais de seis meses no cargo.

Para medir os resultados, ela propôs indicadores que vão além da contagem de chegadas: tempo de estadia, gasto no destino e qualidade de vida de quem mora ali.

A visão do setor privado

Fábio Godinho | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Fábio Godinho | Foto: Edu Guimarães / ACSP

Coube a Fabio Godinho, que comandou a CVC Corp, a GJP Hotels & Resorts e a Webjet Linhas Aéreas, levar a discussão à escala nacional. Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), viagens e turismo respondem por 7,7% do PIB brasileiro em 2025, abaixo da média global, próxima de 10%. “O nosso potencial ainda está muito aquém da média mundial”, disse.

Para o executivo, o recorde recente de turistas estrangeiros não muda esse quadro: o Brasil recebeu 9 milhões em 2025, maior marca da série histórica da Embratur, mas 3,1 milhões vieram da Argentina, atraídos por uma vantagem cambial que ele considera passageira.

O entrave central, para Godinho, é a falta de continuidade na agenda federal. Como resposta, ele levou à ACSP uma proposta própria, não do governo: um plano decenal com R$ 217 bilhões aplicados em infraestrutura urbana, segurança, portos e cruzeiros, aeroportos e conectividade aérea e promoção internacional. A meta é atrair 22 milhões de estrangeiros e elevar a participação do turismo no PIB, hoje de 7,7%, a 13% em 2036.

Sobre a ACSP

Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.

A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil

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