Semana do Trânsito: Brasil registra mais de 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade em dois meses
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de setembro de 2026
Na Semana Nacional do Trânsito, dados mostram dimensão de comportamentos de risco; câmeras com IA e sensores ampliam monitoramento de infrações, tráfego e condições das rodovias
O Brasil registrou mais de 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade somente em janeiro e fevereiro de 2026, segundo dados do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf) e da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O número representa quase metade das 15,9 milhões de infrações contabilizadas no país no mesmo período e ajuda a dimensionar um comportamento que tem impacto direto sobre a gravidade dos sinistros.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada aumento de 1% na velocidade média está associado a uma elevação de 4% no risco de sinistro fatal e de 3% no risco de sinistro grave. Para os usuários mais vulneráveis, a diferença pode ser ainda maior: o risco de morte de um pedestre atropelado cresce 4,5 vezes quando a velocidade passa de 50 km/h para 65 km/h.
Os números ganham relevância às vésperas da Semana Nacional do Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro. Neste ano, a campanha lançada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) tem como tema “O que a pressa não deixa você ver” e chama atenção para como velocidade, distração e outros comportamentos podem comprometer a percepção e a tomada de decisão no trânsito.
O problema não se limita ao velocímetro. Nos dois primeiros meses deste ano, o país também contabilizou 601.349 autuações por uso de celular ao volante e 384.070 por falta do cinto de segurança. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), motoristas que utilizam o celular enquanto dirigem têm cerca de quatro vezes mais chance de se envolver em um sinistro.
“A velocidade e a distração reduzem justamente aquilo que o motorista mais precisa no trânsito: tempo e capacidade para perceber o ambiente, interpretar uma situação de risco e reagir. Quando olhamos para milhões de autuações em apenas dois meses, fica evidente que não estamos falando de comportamentos isolados. O desafio é combinar conscientização, fiscalização e infraestrutura capaz de gerar informações continuamente sobre o que acontece nas vias”, afirma Alexandre Krzyzanovski, Diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix.
Quando a tecnologia amplia o que a fiscalização consegue identificar
Enquanto a campanha deste ano provoca o motorista a refletir sobre aquilo que a pressa pode fazê-lo deixar de perceber, o avanço da tecnologia nas rodovias brasileiras tem ampliado também aquilo que a própria infraestrutura consegue identificar.
Na SP-340, sistemas de inteligência artificial identificaram mais de 18,7 mil infrações em 12 meses, segundo a concessionária Renovias. Foram 14.265 ocorrências relacionadas à falta do cinto de segurança e outras 4.462 ao uso do celular. O caso ilustra como a visão computacional começa a ampliar a capacidade de monitoramento das rodovias.
A Pumatronix, empresa brasileira de tecnologia que integra o Grupo Pumatronix, desenvolve câmeras inteligentes e sistemas de visão computacional voltados à fiscalização, segurança viária e gestão do tráfego. As soluções permitem realizar reconhecimento automático de placas por OCR/LPR, identificação e classificação de veículos e análise do fluxo de tráfego. Com módulos de inteligência artificial, também é possível identificar situações como uso de celular ao volante, ausência do cinto de segurança, avanço de sinal vermelho e conversões proibidas.
Entre as tecnologias da companhia está o PSAT, que reúne recursos de visão computacional para aplicações como contagem volumétrica, classificação visual de veículos, leitura de placas e análise da circulação, gerando informações que podem apoiar o monitoramento e a gestão das vias.
“A inteligência artificial permite extrair da imagem informações que antes dependiam muito mais da observação pontual. Uma câmera pode acompanhar continuamente o fluxo e identificar determinadas situações previamente configuradas para análise. Isso não elimina o papel da fiscalização nem transforma a tecnologia em responsável pela decisão final, mas aumenta a capacidade de monitoramento e permite trabalhar com um volume de informação que seria muito difícil acompanhar apenas de forma manual”, explica Alexandre Krzyzanovski.
O avanço desse tipo de tecnologia ocorre em um cenário no qual a segurança viária ainda representa um desafio para o país. O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, base consolidada mais recente, ante 34.881 no ano anterior, uma alta de 6,5%, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pelo ONSV.
Nem tudo o que o motorista não vê está dentro do veículo
Além do comportamento de quem dirige, há outra dimensão da percepção nas rodovias: as condições ambientais podem mudar significativamente ao longo de uma mesma via. Chuva intensa, redução de visibilidade, rajadas de vento e alterações no pavimento podem representar riscos que o motorista só percebe quando chega ao trecho afetado.
É nessa frente que atua a Plugfield, empresa do Grupo Pumatronix especializada em monitoramento climático e ambiental. Entre as soluções voltadas às rodovias está a Plugstation, estação meteorológica conectada que permite acompanhar em pontos específicos variáveis como precipitação, temperatura, umidade, pressão atmosférica, velocidade e direção do vento, com transmissão dos dados para monitoramento remoto.
A estação pode ser integrada a sensores específicos para a operação rodoviária. O Plugsensor Condição da Via identifica se o pavimento está seco ou molhado e permite medir a presença e a espessura de água sobre a pista, a temperatura da via e parâmetros relacionados à aderência. Já o Plugsensor Visibilímetro monitora a visibilidade atmosférica, permitindo acompanhar sua redução em condições como névoa, chuva, fumaça e poeira.
“Nem sempre a condição encontrada no início de uma rodovia será a mesma alguns quilômetros à frente. O motorista percebe essa mudança quando chega ao trecho, enquanto sensores distribuídos pela infraestrutura permitem que a operação acompanhe essas variações localmente. Saber onde a chuva está mais intensa, onde a visibilidade caiu ou onde as condições do pavimento mudaram acrescenta uma camada importante de informação para quem administra a via”, afirma Marcio Malewschik, Diretor Comercial da Plugfield.
Da percepção humana à infraestrutura conectada
A combinação entre visão computacional, inteligência artificial e sensoriamento ambiental amplia a quantidade de informações disponíveis para quem administra ruas e rodovias. Enquanto câmeras podem apoiar a identificação de veículos, comportamentos e padrões de circulação, estações e sensores permitem acompanhar as condições encontradas na própria infraestrutura.
“A tecnologia não substitui a atenção do motorista. São papéis diferentes. Quem está ao volante precisa respeitar os limites, evitar distrações e tomar decisões seguras. O papel da infraestrutura inteligente é ampliar a capacidade de monitoramento de quem administra a via, gerando dados que ajudem a identificar comportamentos, padrões e condições que exigem atenção. A Semana Nacional do Trânsito traz justamente uma mensagem sobre percepção, e hoje essa discussão também pode ser feita olhando para a capacidade que as vias têm de produzir informação”, conclui Alexandre Krzyzanovski.
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