Direito, regulação e soberania entram no debate sobre os rumos da mineração brasileira
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 15 de setembro de 2026
Congresso Internacional de Direito Minerário 2026 reúne autoridades, especialistas e executivos em Brasília para discutir segurança jurídica, investimentos, questões ambientais e regulação do setor
Pablo Cesário, diretor-presidente do Ibram. Foto: Ibram / Divulgação.
A segurança jurídica, a regulação e a soberania nacional estão entre os principais temas em discussão no Congresso Internacional de Direito Minerário 2026, aberto nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em Brasília. O evento reúne autoridades federais, especialistas brasileiros e estrangeiros, advogados e executivos do setor para discutir questões jurídicas e regulatórias que podem influenciar os próximos anos da mineração no país.
A expansão da demanda mundial por minerais críticos e estratégicos, como terras raras, lítio, vanádio e grafita, amplia as perspectivas de investimentos e produção no Brasil. Ao mesmo tempo, o crescimento da atividade coloca em debate questões ambientais, sociais, econômicas e regulatórias relacionadas ao aproveitamento dos recursos minerais.
Segurança jurídica
Durante a abertura do congresso, o diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário, afirmou que a segurança jurídica é necessária para que os investimentos na mineração possam gerar benefícios econômicos e sociais. Segundo ele, o setor também precisa avançar na redução dos impactos ambientais de suas atividades.
“Esta é a forma como criamos uma mineração não apenas aceitável, mas desejável. A gente precisa ser portador da bandeira da segurança e do baixo impacto ambiental, idealmente criando mais benefícios do que efeitos negativos ambientais”, afirmou.
Cesário também defendeu a discussão sobre regras e regimes jurídicos capazes de oferecer maior previsibilidade para empresas e sociedade.
“Quando a gente está falando de Direito, estamos falando justamente sobre as regras e os regimes que precisamos criar para garantir que as pessoas e as sociedades tenham um ambiente legal e possam gerar benefícios para todos”, disse.
Potencial mineral
O potencial mineral brasileiro também foi destacado durante a abertura. Sami Arap Sobrinho, vice-presidente executivo da Vale, afirmou que uma parcela limitada do território nacional foi mapeada e defendeu a ampliação do conhecimento sobre os recursos minerais disponíveis no país.
“Sem sombra de dúvida, o Brasil tem uma riqueza enorme em potencial minerário. Mas somente 28% do território está mapeado. Temos uma oportunidade brutal para conhecer exatamente o que é esse potencial”, afirmou.
Para o executivo, porém, o mapeamento dos recursos é apenas uma das etapas para transformar o potencial mineral em desenvolvimento econômico. Ele questionou a disponibilidade de financiamento, infraestrutura e tecnologia para viabilizar novos projetos.

Sami Arap Sobrinho, vice-presidente executivo da Vale. Foto: IBRAM / Divulgação.
Sobrinho também apontou a falta de previsibilidade regulatória como um dos obstáculos ao desenvolvimento da atividade mineral.
“Não adianta o Brasil ter o potencial se ele não consegue desenvolvê-lo. Precisamos encontrar alguma solução para destravar o potencial mineral do Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a criação de mecanismos que reduzam períodos de interrupção e retomada de projetos é necessária para ampliar a capacidade de geração de valor do setor.
Soberania e novas regras
A programação do congresso inclui debates sobre litigância internacional relacionada à soberania nacional, aquisição de terras por estrangeiros e mineração em terras indígenas. Os participantes também discutirão os efeitos da reforma tributária sobre o setor, conflitos entre atividades econômicas e a expansão das energias renováveis.
Outro tema previsto é a legislação relacionada à disposição de rejeitos e outras regulamentações que afetam as operações minerais.
As discussões também abrangem a contribuição econômica da mineração, com temas como investimentos, geração de empregos, arrecadação e desenvolvimento regional.
Tecnologia e futuro da mineração
A inovação tecnológica será outro eixo do congresso. O uso de inteligência artificial e de dados na mineração será discutido a partir das transformações provocadas pela tecnologia em processos e operações do setor.
Ao longo dos dois dias de programação, especialistas, advogados, executivos e representantes da indústria deverão discutir mecanismos para ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória da mineração brasileira diante das mudanças econômicas, ambientais e tecnológicas que afetam a atividade.
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