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IA muda perfil da demanda por software, e Espresso Labs aposta em produtos próprios para crescer no Brasil e no exterior
Por PressWorks

IA muda perfil da demanda por software, e Espresso Labs aposta em produtos próprios para crescer no Brasil e no exterior

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 17 de agosto de 2026

Após avançar 14% no segundo trimestre de 2026, software house prevê triplicar o faturamento até 2030 e fazer com que soluções proprietárias respondam por pelo menos 20% da receita

A inteligência artificial está mudando o modelo de negócios das empresas de desenvolvimento de software. Com ferramentas capazes de acelerar a criação de aplicações e reduzir barreiras técnicas, clientes começam a demandar menos projetos simples desenvolvidos do zero e mais serviços estratégicos relacionados a arquitetura, segurança, escalabilidade e aprimoramento de produtos digitais.

Diante dessa transformação, a Espresso Labs, software house fundada em São Paulo, está criando uma nova frente de negócios baseada em produtos próprios, receita recorrente e expansão internacional. A empresa, que cresceu 14% no segundo trimestre de 2026 e faturou cerca de R$ 10 milhões no último ano, pretende atingir uma receita anual de R$ 30 milhões até 2030.

Atualmente, 100% do faturamento da companhia vem do desenvolvimento de software sob demanda. A meta é que os produtos próprios passem a representar entre 15% e 20% da receita já em 2027 e respondam por pelo menos 20% do faturamento total até 2030.

A estratégia não significa abandonar o modelo de software house, mas criar um segundo pilar de crescimento a partir do conhecimento acumulado pela companhia ao longo de oito anos desenvolvendo sistemas e produtos digitais para outras empresas.

“O modelo de software house continua sendo a espinha dorsal da Espresso Labs. O que estamos fazendo agora é transformar o conhecimento que acumulamos em produtos capazes de resolver problemas que enfrentamos dentro da empresa e nos projetos dos clientes”, afirma Eduardo Missaka, fundador e CEO da Espresso Labs.

Na avaliação da companhia, a inteligência artificial não eliminou a necessidade de empresas especializadas no desenvolvimento de software, mas mudou a natureza dos projetos contratados.

Com a facilidade para criar protótipos, códigos e aplicações iniciais utilizando ferramentas de IA, empresas passaram a desenvolver internamente projetos menores. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de apoio especializado para avaliar se esses produtos possuem arquitetura adequada, segurança, resiliência e capacidade de crescimento.

“ “Desenvolver um sistema ficou muito mais fácil e com a inundação de novas plataformas no mercado criar um produto realmente competitivo ficou mais difícil. Nossos clientes deixaram de nos procurar com tanta frequência para construir pequenas aplicações e passaram a contratar consultoria para analisar, corrigir e fortalecer produtos que já possuem”, explica Missaka.

Segundo o executivo, a mudança tende a pressionar empresas que competem apenas pela quantidade de profissionais alocados ou por horas de programação.

“A inteligência artificial democratizou a capacidade de escrever código. O diferencial competitivo passa a ser compreender o problema do cliente, estruturar uma solução segura e transformar tecnologia em um produto que realmente funcione. Quem precisa desenvolver um produto de verdade continua precisando de conhecimento, segurança e resiliência”, afirma.

Esse cenário também incentivou a Espresso Labs a utilizar sua experiência no desenvolvimento de produtos para terceiros na criação de soluções proprietárias, capazes de gerar propriedade intelectual e receita recorrente.

Primeiro produto surgiu de um problema interno

O principal produto dessa nova estratégia é o Devint, plataforma de avaliação e desenvolvimento de equipes de tecnologia. A solução surgiu depois que a própria Espresso Labs percebeu que seus controles internos de desempenho haviam se tornado insuficientes diante da adoção acelerada da inteligência artificial.

Com ferramentas capazes de gerar grandes volumes de código em poucos minutos, métricas tradicionais como quantidade de linhas produzidas, número de commits, tarefas concluídas e velocidade de entrega passaram a indicar cada vez menos sobre a contribuição efetiva de cada profissional.

Ao mesmo tempo, a utilização de modelos e agentes de IA também ampliou os custos das operações de tecnologia, criando uma nova necessidade de gestão: compreender não apenas quanto cada profissional entrega, mas como utiliza as ferramentas disponíveis e qual impacto gera para a organização.

A metodologia que deu origem ao Devint já é aplicada internamente pela Espresso Labs na avaliação de seus próprios desenvolvedores. A plataforma automatiza esse processo e consolida dados técnicos, operacionais e avaliações humanas em um indicador denominado DevScore, que varia de 0 a 100.

O objetivo é permitir que lideranças acompanhem a evolução de desenvolvedores e equipes considerando fatores como ritmo de entrega, contribuição técnica, utilização de inteligência artificial, disciplina operacional, competências técnicas e colaboração.

O Devint já é utilizado na gestão interna da companhia e deverá ser disponibilizado inicialmente para clientes que contratam profissionais e squads da Espresso Labs. O lançamento comercial está previsto para acontecer durante a Rio Innovation Week.

Para desenvolver o primeiro produto mínimo viável da plataforma, a empresa reservou um investimento inicial de R$ 150 mil. Novos aportes serão direcionados às etapas de marketing, comercialização e crescimento, de acordo com os resultados obtidos no lançamento.

Investimento europeu abre caminho para internacionalização

A expansão da frente de produtos também será apoiada pela operação internacional da Espresso Labs. No fim de 2025, a empresa recebeu um aporte de 100 mil euros da Dink BV, software house belga que atende clientes na Bélgica e na Holanda.

Além do investimento financeiro, a parceria fortaleceu a presença da companhia no mercado europeu e criou uma estrutura para que produtos validados no Brasil possam ser comercializados no continente.

Atualmente, aproximadamente 20% da receita da Espresso Labs já vem de clientes localizados fora do Brasil. Dentro da divisão de desenvolvimento de software sob demanda, a meta de longo prazo é alcançar uma divisão equilibrada, com metade do faturamento vindo do mercado brasileiro e metade de operações internacionais.

Segundo a empresa, o principal objetivo da internacionalização é diversificar a base de clientes tanto do ponto de vista geográfico quanto setorial, reduzindo a exposição a oscilações específicas do mercado brasileiro.

“A parceria com a Dink criou uma ponte para a Bélgica e para a Holanda. Podemos validar os produtos no Brasil, onde já temos clientes e conhecimento do mercado, e depois utilizar a estrutura e os relacionamentos construídos na Europa para acelerar a distribuição internacional”, afirma Missaka.

Além do Devint, que será o produto central da estratégia, a Espresso Labs também realiza investimentos menores em projetos conduzidos por parceiros e ex-funcionários.

Entre as iniciativas está a Sudo, estúdio dedicado à criação e validação de produtos digitais voltados a diferentes nichos de mercado.

Um dos projetos em funcionamento é a Softdex, diretório B2B que conecta empresas a software houses brasileiras. A plataforma já conta com 60 empresas cadastradas, incluindo clientes pagantes.

O portfólio inclui ainda a Crowly, solução de monitoramento de visibilidade de marcas em ferramentas de inteligência artificial; o Parly, plugin para tradução multilíngue de sites em WordPress; e o Sudo CRM, que combina formulários e recursos de gestão de relacionamento com clientes.

Outro projeto em desenvolvimento é o Kanjica, aplicativo de aprendizagem de ideogramas japoneses voltado ao público brasileiro.

A abordagem permite que a companhia mantenha um produto principal, com maior investimento e potencial de escala, enquanto testa soluções menores para mercados específicos.

Crescimento apoiado em serviços, produtos e expansão internacional

A Espresso Labs possui atualmente 55 colaboradores, dos quais aproximadamente 35 são desenvolvedores. Ao longo de sua trajetória, a empresa já atendeu mais de 220 clientes, incluindo Unilever, C&A, Sabin Diagnósticos, Acer, Addee e Vinci Partners.

A companhia mantém mais de 57 sistemas sob sua responsabilidade e seguirá concentrando a maior parte de sua operação no desenvolvimento de software sob medida.

A expectativa, no entanto, é que produtos próprios se tornem gradualmente um novo motor de crescimento e contribuam para aumentar a previsibilidade da receita, ampliar a propriedade intelectual da companhia e acelerar sua atuação fora do Brasil.

“Nosso objetivo não é deixar de ser uma software house. É utilizar tudo o que aprendemos desenvolvendo produtos para outras empresas para criar soluções próprias, capazes de gerar receita recorrente e alcançar mercados que não dependam exclusivamente da ampliação da equipe”, conclui Missaka.

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