Tratador como protagonista: a pecuária de elite também é feita de gente
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 15 de agosto de 2026
Com mais de 20 anos de experiência, Bruno da Silva é exemplo da dedicação e conhecimento necessários para conquistar os resultados comemorados nas pistas
Em poucos minutos, o avaliador faz uma análise técnica e criteriosa de bois e vacas para julgar o trabalho de uma vida. Os escolhidos são premiados, os criadores erguem os troféus, concedem entrevistas e posam para fotos ao lado dos animais campeões, das autoridades e, também, de uma pessoa fundamental em todo esse processo: o tratador.
Nos bastidores das competições na 63ª edição da EXPO Rio Preto, muitos foram categóricos em destacar a importância do trabalho deste profissional para o sucesso obtido na arena.
A explicação da secretária municipal de Agricultura e Abastecimento, Carina Ayres, resume bem a importância do trabalho deste especialista no trato com o gado para o desenvolvimento da pecuária brasileira. “O criador tem o papel de dono. Mas o cheiro que o animal conhece, o carinho que ele demonstra é com o tratador, por conta do amor que ele dedica na criação”, diz.
Mas, na prática, o que torna o trabalho desse profissional tão especial, capaz de interferir diretamente nos resultados conquistados na área de apresentação, refletindo até mesmo no desenvolvimento genético dos rebanhos? É o que a história de Bruno Roberto da Silva, de 34 anos, ilustrará.
Muito mais do que um trabalho
Nascido em São Miguel do Araguaia (GO), região de pecuária tradicional, Silva começou aos 12 anos a lidar com o rebanho. Similar a um treinador de uma equipe de alta performance, ele avalia as particularidades e necessidades de cada “atleta”, aplicando as técnicas necessárias para o aprimoramento de cada animal.
Os resultados, portanto, não nascem na pista de julgamentos, mas na cocheira. “Isso vem do manejo que você faz em casa”, afirma. Na prática, isso significa combinar conhecimento com dedicação e amor para aguentar uma rotina diária que começa antes do sol nascer.
Silva acorda cedo e vai direto à cocheira. Após uma avaliação, ele oferece aos animais a primeira refeição do dia, com uma dieta apropriada para cada animal. Na fazenda onde trabalha, ele explica que são cinco tratos diários.
Cada um recebe atenção individualizada, para garantir precisão no manejo. Isso exige a avaliação criteriosa de todos os detalhes. Para exemplificar, Silva diz que a caminhada diária é essencial para exercitar os ligamentos de um gado submetido a uma nutrição intensa. “Alguns, porém, precisam caminhar mais”.
Esse conhecimento adquirido com o tempo, aliás, contribui na identificação de um bezerro com potencial para o estrelado. “O animal bom, nasce bom. O ruim também”, diz.
Inúmeros critérios são observados. Mas, em linhas gerais, o processo começa com a avaliação da ossatura, depois o umbigo na linha do jarrete, a linha de dorso, a garupa, o posterior e a cabeça. “Nunca você vai achar um animal perfeito”, admite. O aprimoramento, portanto, está diretamente ligado ao manejo. “Para um animal bom, a dedicação tem que ser em dobro”, completa.
O custo humano por trás do troféu
Apesar da satisfação com os resultados, a dedicação cobra seu preço. Silva participa de 35 a 40 eventos por ano e fica de seis a sete meses longe de casa. As férias com a família, que mora na mesma fazenda, ficam para dezembro.
Na EXPO Rio Preto, por exemplo, o tratador estava há quase uma semana sem ir para casa, mesmo com a sede ficando a apenas 10 quilômetros do local. “Eu gosto de estar no meio e no pé do boi.”
O medo de “acontecer alguma coisinha” é utilizado como justificativa pelo tratador. “Tem que estar em cima”, diz. Por conta dessa rotina, ele admite que convive mais com os bois do que com a família.
O perfil de Silva desmonta a ideia de que o tratador é um coadjuvante do agronegócio. É dele o manejo que prepara o animal, a avaliação que antecipa problemas, a condução que decide o julgamento.
Este profissional transforma genética, nutrição e sanidade em resultados na pista. Sem essa mão de obra especializada, o troféu que o criador levanta seria apenas um objeto.
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Serviço
63ª EXPO Rio Preto 2026
Data: até 16 de agosto de 2026
Local: Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto
Cidade: São José do Rio Preto (SP)
Entrada e estacionamento: gratuitos
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