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Infraestrutura verde reduz custo público com obras corretivas, avalia Márcio Velho da Silva
Por SAFTEC DIGITAL

Infraestrutura verde reduz custo público com obras corretivas, avalia Márcio Velho da Silva

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de agosto de 2026

Consultor técnico defende que investimento antecipado em soluções baseadas na natureza custa menos do que corrigir redes de drenagem sobrecarregadas após enchentes recorrentes.

O planejamento urbano brasileiro enfrenta uma equação financeira que raramente aparece de forma explícita nos orçamentos municipais: quanto custa não investir em infraestrutura verde a tempo. Márcio Velho da Silva, gestor e consultor técnico especializado em infraestrutura ambiental, explica que cidades que adiam essa integração acabam pagando duas vezes pelo mesmo problema: primeiro pela rede convencional, que já não suporta o volume de chuvas, depois pelas obras corretivas necessárias após episódios de alagamento.

Essa lógica de custo duplo se torna cada vez mais relevante à medida que municípios enfrentam orçamentos limitados e pressão crescente sobre sistemas de drenagem projetados para outro volume de população e outro regime pluviométrico. Antecipar o investimento em soluções complementares à rede tradicional reduz o custo total ao longo do tempo, em vez de concentrar recursos apenas em reparos emergenciais depois que o problema já afetou a rotina da cidade.

Uma camada complementar, não uma substituição de obra

A infraestrutura verde reúne soluções que utilizam elementos naturais, como vegetação, solo permeável e sistemas de drenagem ecológica, para cumprir funções que hoje recaem inteiramente sobre tubulações e estações de tratamento convencionais. Márcio Velho da Silva ressalta que essa camada não substitui a rede já instalada nas cidades, mas atua absorvendo parte da carga que sobrecarrega o sistema artificial em períodos de chuva concentrada.

Essa característica de complementaridade é o que torna o investimento viável em contextos urbanos já consolidados, sem exigir obras estruturais completas que demandariam orçamento muito mais alto e prazo de execução mais longo. Jardins de chuva, telhados verdes e pavimentos permeáveis funcionam como pontos de amortecimento antes que a água alcance galerias pluviais tradicionais, reduzindo o volume que chega de uma só vez à rede convencional.

O cálculo econômico por trás da antecipação

Incorporar infraestrutura verde desde a fase de projeto custa menos do que adaptar uma cidade já construída, porque evita retrabalho e reduz a pressão sobre sistemas que já operam no limite da capacidade. Essa diferença de custo entre planejar com antecedência e corrigir depois de um evento climático extremo é o argumento central que sustenta a defesa técnica de Márcio Velho da Silva sobre o tema.

Bairros que investem nesse tipo de solução tendem a registrar menor variação térmica entre o dia e a noite, além de reduzir gastos futuros com manutenção emergencial da rede de drenagem tradicional, benefício que se acumula conforme mais elementos verdes são incorporados ao tecido urbano ao longo dos anos. Esse padrão se repete em diferentes tipos de clima, o que reforça a validade econômica da solução em contextos urbanos variados, não apenas em cidades com regime de chuvas mais intenso.

Redução de risco para orçamentos públicos e privados

Do ponto de vista de gestão de risco, a exposição de uma cidade a alagamentos recorrentes representa passivo financeiro que se estende além do orçamento público, afetando também empresas instaladas em áreas de risco, seguradoras e o valor de imóveis em regiões historicamente afetadas por enchentes. Reduzir esse risco por meio de infraestrutura verde, distribuída ao longo do território, tende a beneficiar tanto a administração municipal quanto o setor privado presente na região.

Essa distribuição do impacto ao longo da cidade, em vez de concentrá-lo em poucos pontos da rede convencional, é o que diferencia a infraestrutura verde de obras corretivas pontuais, que costumam resolver o problema em um único trecho sem reduzir o risco agregado enfrentado pelo restante do sistema urbano.

Decisões técnicas que se acumulam ao longo do tempo

O avanço da infraestrutura verde como critério permanente de projeto depende de decisões consistentes tomadas a cada novo empreendimento, calçada ou praça planejada, e não de reformas isoladas realizadas em resposta a uma crise pontual. Segundo Márcio Velho da Silva, é esse acúmulo de escolhas técnicas ao longo dos anos que redefine a relação entre custo público e resiliência urbana diante de eventos climáticos extremos.

Para gestores públicos e investidores que avaliam projetos urbanos de médio e longo prazo, considerar esse tipo de infraestrutura desde a concepção do projeto tende a representar economia relevante no horizonte de uma década, período em que o custo acumulado de obras corretivas emergenciais costuma superar, com folga, o investimento inicial em soluções baseadas na natureza.

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