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Márcio Velho da Silva: gestão de frota em obras de infraestrutura é risco operacional que o mercado financeiro ainda não aprendeu a monitorar
Por SAFTEC DIGITAL

Márcio Velho da Silva: gestão de frota em obras de infraestrutura é risco operacional que o mercado financeiro ainda não aprendeu a monitorar

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de junho de 2026

Gestor e consultor técnico especializado em operações de saneamento, ele mostra como frotas mal geridas encarecem obras, atrasam cronogramas e comprometem o retorno projetado das concessões.

Quando analistas financeiros avaliam o risco operacional de uma concessão de saneamento, os vetores mais monitorados são conhecidos: inadimplência tarifária, risco regulatório, capacidade de execução de obras e gestão de contratos. Há, porém, uma variável que atravessa todas as fases de uma concessão, da implantação à operação, e que raramente aparece nos modelos de risco com o peso que merece: a gestão da frota de veículos e equipamentos.

Caminhões de coleta, escavadeiras, retroescavadeiras, caminhões-pipa, veículos de manutenção e equipamentos de monitoramento formam um parque de ativos móveis cujo desempenho impacta diretamente o custo, o cronograma e a eficiência operacional de qualquer concessão de saneamento de médio e grande porte. Márcio Velho da Silva, gestor e consultor técnico com experiência em operações de saneamento e gestão de frota, nota que o mercado financeiro ainda não desenvolveu métricas adequadas para avaliar esse risco, e que essa lacuna tem custos reais para investidores que apostam no setor.

O que uma frota mal gerida faz com o cronograma de obras?

Em obras de saneamento, a disponibilidade dos equipamentos certos no momento certo é uma condição operacional crítica. Um caminhão de transporte de resíduos parado por manutenção não programada pode interromper o fluxo de destinação de material escavado, paralisando uma frente de obra inteira até que o problema seja resolvido. Uma escavadeira com histórico de falhas mecânicas recorrentes gera atrasos que se acumulam ao longo do cronograma e que raramente são compensados sem custo adicional.

Márcio Velho da Silva aponta que o custo de uma parada não programada em obra vai muito além do reparo do equipamento. Inclui o custo da mão de obra parada, o custo de locação emergencial de equipamento substituto, o impacto sobre o cronograma contratual e, dependendo da gravidade, o risco de multa por descumprimento de prazo. Cada um desses elementos corrói a margem do contrato de forma silenciosa e cumulativa.

Manutenção preventiva como estratégia financeira

A diferença entre frotas que sustentam a operação e frotas que a comprometem está, em grande parte, na qualidade do programa de manutenção preventiva. Empresas que investem em manutenção programada, com intervalos definidos por quilometragem ou horas de operação e registro sistemático do histórico de cada equipamento, reduzem significativamente a incidência de paradas não programadas e prolongam a vida útil dos ativos.

Para Márcio Velho da Silva, a manutenção preventiva de frota não é um custo operacional. É uma decisão financeira com retorno mensurável. O custo de um programa de manutenção estruturado é sistematicamente inferior ao custo acumulado de reparos emergenciais, paradas de obra e substituição antecipada de equipamentos que se desgastaram além do esperado por falta de cuidado programado. Operadores que entendem essa lógica constroem frotas mais confiáveis e contratos mais rentáveis.

Telemetria e rastreamento como ferramentas de controle de risco

A tecnologia de gestão de frota avançou de forma significativa nos últimos anos e tornou possível um nível de controle operacional que antes era impraticável para frotas de médio e grande porte. Sistemas de telemetria que monitoram em tempo real a localização, o consumo de combustível, a velocidade e o comportamento do motorista permitem que gestores identifiquem ineficiências operacionais antes que se tornem custos relevantes.

Márcio Velho da Silva ressalta que concessionárias que adotam plataformas de gestão de frota baseadas em dados conseguem reduzir consumo de combustível, diminuir o índice de acidentes, melhorar o planejamento de manutenção e aumentar a disponibilidade dos equipamentos para as obras. Esses ganhos operacionais se traduzem diretamente em melhora de margem, e a margem, no setor de infraestrutura com contratos de longo prazo, é o que determina se uma concessão cria ou destrói valor ao longo do tempo.

O risco que escala com o tamanho da operação

À medida que uma concessionária expande sua carteira de contratos e o tamanho da sua frota cresce proporcionalmente, o risco associado à gestão desses ativos escala na mesma proporção. Uma frota de vinte equipamentos mal gerida é um problema operacional localizado. Uma frota de duzentos equipamentos com os mesmos problemas de gestão é um risco sistêmico que pode comprometer múltiplos contratos simultaneamente.

Como indica Márcio Velho da Silva, investidores que analisam concessões de saneamento deveriam incluir a maturidade da gestão de frota entre os critérios de avaliação do risco operacional. Empresas com processos robustos de manutenção, rastreamento e controle de frota têm desempenho operacional mais previsível e resultados mais próximos do projetado. As que negligenciam esse aspecto carregam um risco que só se torna visível quando já causou dano ao cronograma e à margem.

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