Mulheres defendem inclusão, formação e liderança técnica na mineração
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de maio de 2026
Durante o Simexmin 2026, mulheres destacaram desafios de permanência feminina no setor mineral, políticas de diversidade, capacitação profissional e avanço das mulheres em cargos estratégicos da mineração brasileira.
A ampliação da presença feminina na mineração brasileira, os desafios estruturais de inclusão e as estratégias adotadas por empresas e instituições para ampliar a participação de mulheres no setor marcaram o painel “Contribuições das Mulheres na Pesquisa Mineral do Brasil”, realizado no dia 20 de maio durante o SIMEXMIN 2026. O debate reuniu lideranças femininas de diferentes áreas da mineração, da pesquisa mineral ao direito minerário, passando por gestão, sustentabilidade e desenvolvimento de negócios.
Moderado por Patricia Procópio, diretora-presidente da Women in Mining Brasil, o painel abordou desde desigualdade histórica de oportunidades até programas concretos voltados à formação, retenção e promoção de mulheres dentro das empresas do setor.
Patrícia destacou que o avanço da diversidade na mineração depende de mudanças culturais e do apoio coletivo, incluindo a participação masculina. Segundo ela, o objetivo não é substituir espaços já ocupados, mas ampliar oportunidades historicamente negadas às mulheres.
“Nós não estamos tirando o lugar de ninguém. Nós estamos querendo um lugar que a gente não conseguiu alcançar simplesmente porque a gente era mulher”, afirmou.
A presidente da WIM Brasil também chamou atenção para a baixa representatividade feminina no setor mineral brasileiro. De acordo com ela, mesmo com avanços recentes, as mulheres ainda representam entre 21% e 23% da força de trabalho na mineração nacional.

“Somos mais de cinquenta por cento da população e há três anos que em todas as nossas pesquisas a gente está por volta de 21% a 23% da participação das mulheres”, disse.
Patrícia também destacou o trabalho desenvolvido pela Women in Mining Brasil, associação voltada à promoção da inclusão e da diversidade no setor mineral. Segundo ela, a entidade reúne atualmente mais de 80 empresas associadas e desenvolve ações de mentoria, capacitação e produção de pesquisas sobre participação feminina na mineração. A organização também conta com comitês especializados, estrutura de compliance e iniciativas voltadas ao fortalecimento da presença de mulheres em diferentes áreas da indústria mineral.
Formação, liderança e retenção feminina
A diretora comercial da Prominas, Yasmim Mendes, incentivou estudantes e jovens profissionais a aproveitarem oportunidades dentro do setor, especialmente em áreas ainda pouco discutidas nas universidades, como a área comercial da mineração.

“Esteja sempre preparada para todas as oportunidades. Nem sempre vai aparecer aquela que você tem maior interesse, mas ela sempre vai te ajudar a galgar novas posições”, declarou.
Já Janaina Aparecida dos Santos Silva, coordenadora de Desenvolvimento Humano Organizacional e Sustentabilidade da ENAEX Brasil, apresentou ações estruturadas adotadas pela companhia para aumentar a participação feminina em diferentes níveis da organização.
A empresa, segundo ela, possui atualmente cerca de 20% de mulheres no quadro de funcionários e estabeleceu como meta atingir 30% até 2030. Entre as iniciativas estão programas de qualificação, mentoria, metas de contratação e promoção feminina, além de ações voltadas à permanência das colaboradoras.
“O discurso é bonito, mas traduzir isso no dia a dia é um desafio muito interessante”, afirmou.
Janaina também destacou programas internos voltados ao desenvolvimento de lideranças femininas, com foco em autoconhecimento, mentoria e preparação para cargos estratégicos.

“Esse é o caminho para que a gente possa crescer, saber quem a gente é, se apropriar dos pontos fortes que temos”, disse.
Mulheres na tomada de decisão técnica e regulatória
A advogada Isabelle Line Santos, do Rolim Goulart Cardoso, apresentou um estudo de caso envolvendo um projeto de níquel com oito direitos minerários e destacou a crescente presença feminina em áreas estratégicas de tomada de decisão no setor mineral.
Segundo Isabelle, a complexidade regulatória e técnica da mineração exige cada vez mais integração entre diferentes competências profissionais.
“As decisões, quanto mais consistentes elas são, acabam tendo leituras multidisciplinares”, afirmou.

Ela também ressaltou que grande parte das reuniões técnicas e estratégicas relacionadas ao caso apresentado contou com participação majoritária de mulheres.
“Cada vez mais as mulheres estão em posições de tomada de decisão”, concluiu.
Crescimento da mineração e novas oportunidades
A fundadora da GeoAnsata, Glaucia Cuchierato, apresentou dados sobre o crescimento das empresas de mineração júnior no Brasil e destacou o papel da inteligência de dados para ampliar a visibilidade do setor mineral.
Segundo ela, um levantamento iniciado em 2021 identificou 55 empresas listadas no exterior atuando no Brasil. Atualmente, o número ultrapassa 120 companhias com operações ligadas a 27 bolsas de valores internacionais.

“De lá pra cá a gente triplicou o número de empresas minerais, principalmente da Austrália e também do Canadá”, afirmou.
Glaucia também ressaltou estudos desenvolvidos para compreender o tempo necessário entre a descoberta mineral e a entrada em operação de um empreendimento minerário, além das mudanças de controle e estratégias empresariais ao longo do desenvolvimento dos projetos.
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