Energia, minerais críticos e infraestrutura estão na agenda do Brasil e Canadá
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 20 de abril de 2026
Painel no Fórum Econômico Brasil–Canadá mostra que transição energética depende de coordenação entre oferta, demanda e cadeias de valor na mineração
Em um momento em que a geopolítica redefine cadeias produtivas e acelera a corrida global por recursos estratégicos, o painel “Energia, Infraestrutura & Recursos Estratégicos: Um diálogo bilateral”, realizado nesta quarta-feira (15), durante o Fórum Econômico Brasil–Canadá, deixou uma mensagem clara: não há transição energética consistente sem integração entre energia, mineração e planejamento de longo prazo.
Promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá, o evento reuniu lideranças empresariais, especialistas e formuladores de políticas públicas para discutir como os dois países podem transformar complementaridades em crescimento econômico sustentável em um cenário de competição global por investimentos e segurança na cadeia de suprimentos para transição energética no mundo.
Logo na abertura, o moderador Oswaldo Dalla Torre foi direto ao ponto:
“Transição energética não se faz só com energia. Se faz com energia e mineração – e com planejamento para que tudo aconteça de forma coordenada.”
Cadeia de valor na mineração enfrenta entraves
Na avaliação de Marisa Cesar, diretora da PLS e presidente do Conselho da Associação de Minerais Críticos (AMC), o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, mas ainda enfrenta desafios para avançar na cadeia de valor dos minerais críticos.
Entre os principais entraves, ela citou a complexidade do licenciamento ambiental, a necessidade de maior coordenação institucional e as dificuldades de financiamento para projetos de processamento e refino.
Segundo a executiva, embora o país tenha ampla disponibilidade de recursos minerais e uma matriz energética predominantemente renovável, a agregação de valor ainda é limitada, o que reduz a participação brasileira nas etapas mais avançadas da cadeia produtiva.
“O Brasil já entendeu que tem o recurso. Agora precisa decidir se quer capturar valor ou ficar exportando matéria prima”, afirmou. Ela destacou que a mineração passou a ocupar um novo papel geopolítico, especialmente diante da disputa global por minerais estratégicos – como terras raras e lítio – essenciais para baterias, eletrificação e tecnologias de defesa.
“Energia, mineração e infraestrutura não são mais agendas separadas — são partes de uma mesma equação”, pontou.

Sistema elétrico sob pressão
Bruno Silva, gerente executivo da Auren Energia, destacou que o Brasil vive um momento paradoxal: o sucesso das renováveis trouxe novos desafios estruturais. Segundo ele, a rápida expansão da geração eólica e solar elevou a complexidade do sistema elétrico a um novo patamar.
“As hidrelétricas sempre funcionaram como a ‘bateria’ do sistema. Mas estamos chegando ao limite da capacidade de absorver a intermitência”, afirmou.
Nesse contexto, o armazenamento de energia – especialmente via baterias – deixa de ser uma alternativa e passa a ser parte central da solução. Mais do que competir com a geração, ele atua como elemento de equilíbrio, absorvendo excedentes e garantindo estabilidade ao sistema.
Outro ponto crítico apontado por Silva é o avanço de novas cargas intensivas em energia, como data centers e infraestrutura digital, que exigem fornecimento contínuo e confiável pressionando ainda mais o planejamento energético do país.
Planejamento energético precisa incorporar mineração
Do lado do planejamento público, Gustavo Naciff de Andrade, da Empresa de Pesquisa Energética, reforçou que a integração entre energia e minerais críticos deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade estrutural.
“Antes eram agendas separadas. Hoje são completamente interdependentes”, afirmou. Os números apresentados por Andrade são emblemáticos:
• Uma usina eólica utiliza até nove vezes mais minerais que uma térmica a gás
• Veículos elétricos demandam seis vezes mais minerais que veículos convencionais
• A expansão projetada do sistema elétrico pode gerar um aumento de 60% na demanda por minerais
Ou seja, a transição energética não é apenas uma agenda de eletrificação; é também uma agenda mineral. Além disso, o crescimento esperado da demanda elétrica no Brasil, impulsionado por eletrificação e novas indústrias, reforça a necessidade de planejamento integrado entre geração, transmissão e cadeias produtivas.
Ao longo dos debates o painel apontou três eixos centrais para o futuro: Integração entre oferta e demanda energética; desenvolvimento de cadeias produtivas minerais, com agregação de valor no país; coordenação institucional e planejamento de longo prazo, reduz incertezas.
Em um contexto global marcado por tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias de suprimento, Brasil e Canadá aparecem como parceiros naturais, combinando recursos, estabilidade institucional e capacidade técnica.
A OESP não é responsável por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da Agência Minera Brasil.